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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 911 / 2017

06/03/2017 - 18:26:00

Meritocracia e a administração pública II

CLÁUDIO VIEIRA

A política – prefiro dizer “a prática política” – sempre que confrontada com os interesses mais mesquinhos do poder (e isso parece uma constante) anda sempre para trás. Durante a Idade Média desconhecia-se o mérito no serviço público. Bispos, condes, barões e outros dignitários, que recebiam tais títulos e possessões graças à magnanimidade dos papas, reis e príncipes, locupletavam-se dos serviços do Estado entregando-os aos seus filhos, afilhados e amigos, indiferentes a se eles prestariam ao povo real representação. Os reis compravam assim a fidelidade dos poderosos; os poderosos assim vendiam o seu próprio poder, ou parcela dele, aos reis, para que esses se perpetuassem entronizados. Durante a Idade Moderna vozes firmes levantaram-se contra a perniciosa prática. Uma delas, o padre Antônio Vieira,interpretou bem a ânsia reformista, proclamando em seu Sermão do Bom Ladrão, na Igreja da Misericórdia de Lisboa (1655) que “a porta por onde legitimamente se entra (deve entrar) ao ofício é só o merecimento”. A Revolução Francesa veio consagrar a mudança daquela realidade com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, como já referi neste espaço.

Apesar de todo o evoluir da política e da administração pública, o político brasileiro, visando manter-se no poder, regride ao obscurantismo medieval, fatiando o Estado brasileiro entre parentes, afilhados e amigos, igual àquilo que se fazia na Idade Média, uma troca de favores na qual os bens públicos são moedas de troca. O objetivo desse aparelhamento - está comprovado longe de dúvidas - não é a excelência na prestação de serviços ao cidadão. O povo - o verdadeiro senhor do poder - pouco importa, as suas necessidades e seus interesses solenemente desprezados. Alagoas não fica atrás, como se extrai das notícias veiculadas pela mídia. O governador que, segundo os colunistas políticos, parece ter entrado em desespero pela mantença da cadeira, pois deverá enfrentar fortes pretendentes ao mesmo assento, distribui cargos e benesses, indiferente ao mérito dos beneficiários, e até mesmo ao mais comezinho princípio do republicanismo: a honestidade. Desserve ao povo alagoano.

Conversava eu, esta semana, com amigo italiano que, por viver aqui, interessa-se pela política brasileira, indagando-me ele se haveria perspectiva de mudança. Respondia, ele próprio, que só o voto poderá engrandecer esse imenso País. Com ele concordando, disse-lhe ser essa a minha esperança, bem como a de milhões de cidadãos. Abro o jornal do dia seguinte, e lá está notório senador sendo ovacionado por eleitores das ribeiras do São Francisco. A terem razão colunistas simpatizantes do governo, nada mudará em 2018.

Perderemos mais uma oportunidade de realizarmos, pelo voto, a limpeza política?

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