Acompanhe nas redes sociais:

17 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 911 / 2017

06/03/2017 - 18:15:28

Jorge Oliveira

Freire, língua afiada

Jorge Oliveira

Barra de S. Miguel, AL - Para entendermos o entrevero entre o escritor Raduan e o Roberto Freire é preciso primeiro entrar na biografia de cada um. A de RF o Brasil conhece e deve a ele e aos seus combatentes militantes heroicos a luta contra o regime de opressão que se instalou no país durante mais de vinte anos. O mesmo não se pode dizer de Raduan, o escritor que fez a festa da esquerda de botequim paulista ao receber o prêmios de 100 mil euros e acusar o ministro de estar a serviço de um governo golpista. Recebeu de Freire a resposta a altura; ele não se intimidou mesmo diante de alguns intelectuais de armazéns de secos e molhados como a senhora Chaui e o escritor e Augusto Massi, professor de literatura e poeta de um verso só.

Os inflamados senhores que formavam a plateia histérica do escritor Raduan Nassar não esperavam pela reação dura de Roberto Freire ao defender o governo do qual faz parte como ministro da Cultura. Achavam que seus gritos delirantes em defesa do PT iriam calar a voz de Freire, coisa que a ditadura não conseguiu. Certamente não conheciam Freire, portanto, são, na verdade, analfabetos políticos por desconhecer uma das vozes mais contundentes contra o regime de opressão que se instalou no país e que teve nele seu principal opositor, enquanto esses pseudointelectuais paulistas, seguidores do PT, viviam como almofadinhas dentro das universidades com medo de enfrentar a repressão.

Ao dizer que Freire não estava à altura do evento, Augusto Massi exasperou-se na crítica e na incivilidade. Recebeu, como era de esperar, o troco à altura ao ser chamado de “idiota” por Freire, que não se intimidou com a adversidade do show promovido pelas viúvas da Dilma e do Lula que, como sempre, promovem espetáculos circenses sem a magnitude dos bons palhaços. 

Raduan, o escritor de 81 anos, que o Brasil começou a conhecer depois dessa polêmica, é o autor, entre outros, do livro Lavoura Arcaica, que virou filme. É ignorado pelos brasileiros, mas cultuado por um restrito grupo que o tem como um feroz defensor do governo petista, o mais corrupto da história do país. Para chegar à conclusão de que o país vive um golpe e “não há como ficar calado”, palavras que usou no discurso, foi certamente sabatinado antes pela claque petista que o acompanhou  na solenidade de entrega do prêmio. Não acredito numa atitude isolada dele para transformar o ambiente num palanque em defesa da organização criminosa petista.  

Ora, se pensavam que o Roberto Freire iria ficar calado diante da manifestação infantiloide e degradante de uns marmanjos que pregam a revolução petista dentro das universidades quebraram a cara. Contra toda aquela plateia que vociferava contra o “golpe”, Freire, sozinho, os combateu, como sempre fez contra os fascistas quando teve que defender o Brasil das amarras do arbítrio. Chaui, a mais exaltada defensora petista, liderou uma vaia contra o ministro, demonstração cabal de que os seus argumentos políticos tinham se esfacelado diante do discurso veemente de Freire, que indicou o caminho mais fácil para Raduan se ver livre do problema: devolver o prêmio Camões e os 100 mil euros que o acompanha. Quem sabe assim o escritor não ficaria mais à vontade para desenvolver o seu discurso oposicionista.

Valentia

A esquerda de botequim caiu de pau no Freire por esse gesto corajoso. Quem o conhece elogiou. O Freire inflamado que fazia aquela histérica plateia engolir cada palavra ofensiva, é o mesmo que esteve à frente das forças de oposição contra o regime militar. Que bradou no Congresso Nacional, nos sindicatos, nas entidades dos direitos humanos e nas ruas contra a intolerância e contra o ódio dos radicais. É esse Freire que hoje comanda o Ministério da Cultura para felicidade daqueles que estão envolvidos com a arte e a literatura no país. É este Freire que vai moralizar o setor, combalido pela corrupção que imperou dentro do ministério na era petista, decretando o fim do apadrinhamento, da cultura aparelhada e do assalto ao dinheiro público.O Brasil estaria no bom caminho se tivéssemos mais Freires para defender nossos valores. 

Azul

Escrevi aqui neste espaço, na época que Maceió era administrada por Cícero Almeida, que uns aproveitadores, donos de empresas fantasmas, tentaram fatiar o espaço público da cidade para criar zonas de estacionamentos. Descobri, por exemplo, que a empresa candidata a ganhar à licitação estava instalada em um fundo de quintal de uma cidade goiana. 

Insistência

Vejo agora que a Justiça de Alagoas, em boa hora, barrou, mais uma vez, a tentativa de outra empresa dividir Maceió em zonas para explorar estacionamentos. Dessa vez, ela vem de Curitiba e não tem nenhuma experiência nesse tipo de trabalho. Trata-se de aventureiros que tentam vender uma ideia para encher os bolsos deles e de quem está no governo fazendo a intermediação para implantar o sistema.

Negociata

A coisa acontece assim: uma empresa, mancomunada com algum espertinho da administração municipal, vende a ideia de lotear as áreas públicas para transformá-las em estacionamento. Contrata alguns empregados para cobrar pelo espaço, pinta o chão para definir a área por carro e pronto. Não precisa fazer mais nada: é só deitar numa rede e esperar o dinheiro entrar no caixa a cada minuto.

Denúncia

Na época, o Cícero Almeida não resistiu às críticas e deu meia volta. A ideia não vingou e não se falou mais nisso. Descobriu-se, inclusive, que para facilitar o negócio empregados comissionados da prefeitura também estavam no pacote de bondade da empresa. Ou seja: mesmo deixando o emprego no fim do governo iriam receber sua comissãozinha enquanto a empresa cobrasse pelo estacionamento.

Alerta

Como já alertou o Fernando Henrique Cardoso, nem sempre o governante sabe tudo na sua administração. Portanto, aqui vai um alerta: Rui, cuidado para não cair nessas armadilhas. Um pé em falso, a sua administração, tão bem avaliada, vai para o espaço. Desconfie de aventureiros de fora que chegam à cidade vendendo o paraíso. Se o paraíso fosse tão cor de rosa assim, eles não venderiam, ficariam só para eles. Um olho no gato, outro no peixe.

Olho vivo

O segundo mandato é sempre um perigo para quem governa. Normalmente o administrador se acha mais experiente e costuma relaxar, deixando seus auxiliares mais à vontade para tomarem decisão. É aí que o bicho pega. A maioria deles em cargos comissionados não tem responsabilidade com a história política de quem governa. Por isso, olho nesse pessoal porque cavalo não sobe escada nem faz desenhos nas ruas para carros, como dizia o mestre do colunismo social Ibrahim Sued.

Solução

Muitas cidades do país encontraram na implantação do parquímetro parte da solução para seus problemas de estacionamento. Se quiser adotar o sistema em Maceió, o prefeito deveria mandar seus técnicos desenvolverem um projeto para a cidade conversando com prefeitos que já adotaram o sistema, um dos mais antigos nas cidades europeias. Se é para disciplinar a ocupação dos carros nas ruas, hoje nas mãos dos flanelinhas, vamos pelo menos modernizar o projeto com o que já existe de mais eficiente e aprovado pela população.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia