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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 911 / 2017

23/02/2017 - 19:23:43

Abaixo-assinado quer embargar reforma do antigo cartão postal

ARQUITETOS E ESTUDANTES ORGANIZAM MANIFESTAÇÃO PARA O DIA 5 DE MARÇO

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação
Maquete do projeto de reforma do antigo Alagoinha, na Ponta Verde; obra é considerada inadequada por arquitetos alagoanos

Um abaixo-assinado e protesto estão sendo organizados por moradores e estudantes de arquitetura e urbanismo de Maceió com objetivo de embargar a reforma do Alagoinha, localizado na Ponta Verde.

Conforme o abaixo-assinado do site Avaaz, que contava até o fechamento desta edição com 650 assinaturas que serão enviadas ao Ministério Público Federal (MPF), o manifesto é para que o governo faça bom uso do dinheiro público destinado à obra. Além disso, querem tornar o projeto mais associado aos desejos da população.

O abaixo-assinado está disponível na página https://secure.avaaz.org/.

Segundo uma das lideres da ação, a arquiteta e empresária Evelyne Cruz, o valor de R$ 10 milhões investido no projeto é inviável. “Daria para ser feito algo melhor, porém mais econômico, além de menos expoente para a paisagem da região”.

A empresária relata ainda que o principal objetivo do protesto é fazer com que as obras sejam interrompidas e discutida, com a população e especialistas na área de arquitetura e urbanismo, a melhor forma de se construir algo no local, valorizando a história do lugar e da paisagem.

Uma das principais preocupações da arquiteta é quanto ao destino do lixo que será gerado na região, visto que será implantada uma praça de alimentação. 

“O que será feito com os guardanapos, copos de plástico entre outros materiais que, com certeza, serão jogados no local?”

A ação também faz críticas ao pagamento que terá que ser feito por quem desejar entrar no monumento, sendo que ele é dedicado à população alagoana e sempre foi gratuito.

No começo de fevereiro, estudantes de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) organizaram um debate para discutir a revitalização do local. Na ocasião, eles criticaram a aprovação do projeto pelo governador Renan Filho (PMDB) sem que a população tivesse sido ouvida a respeito.

“O movimento lhe convida a assinar este abaixo-assinado que visa a paralisação da obra iniciada em dezembro de 2016, a fim de que a população decida sobre o destino mais adequado para esse espaço público”, disse a arquiteta.

Um protesto foi definido para o dia 5 de março em frente ao Alagoinha. Segundo a universitária Cora Rocha, o objetivo é alcançar o máximo de pessoas possíveis, para que tomem conhecimento do que o governo está fazendo com o local. Mais detalhes sobre a manifestação serão divulgados na página “Abrace o Alagoinha, essa cidade é nossa”,  no Facebook.

Profissionais das mais diversas áreas estão envolvidos na ação. O movimento solicita também que moradores da região coloquem em suas varandas um lençol branco em protesto ao que está sendo construído. As obras do novo projeto avaliadas em R$ 10 milhões foram iniciadas em janeiro deste ano e têm previsão de serem finalizadas até dezembro.

De acordo com a secretária de Estado da Infraestrutura, Aparecida Machado, a pasta desempenha apenas o papel de realizar o que já foi aprovado previamente durante a licitação, afirmando que em nenhum momento foi procurada para conversar pelos organizadores do protesto. “Estou aberta para receber sugestões e soluções que eu não tenha conseguido enxergar”.

Quanto ao valor da obra que está sendo investido pelo governo federal, a secretária falou que o montante corresponde ao que será gasto. Estudos realizados no local, segundo Aparecida, constaram que cerca de 220 pilares precisam ser recuperados, além de lajes e outras partes da estrutura. O valor de R$ 10 milhões é o total do convênio junto à Engenharia de Materiais Ltda, empresa responsável pela obra e pelo projeto.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil em Alagoas (CAU-AL), em artigo publicado em seu site no começo de fevereiro, criticou como o governo selecionou a empresa para realizar o projeto. “Umas das modalidades previstas e mais adotada pelo governo é focada na seleção de uma ‘melhor empresa’ projetista, o que não significa necessariamente selecionar o melhor projeto ou solução para o espaço a ser projetado”, escreveu a presidente do Conselho, Tânia Gusmão.

HISTÓRIA

O Alagoas Iate Clube, ou Alagoinha, como é popularmente conhecido, foi inaugurado em 1972. Considerado vanguardista para a época, em meio a uma praia então desértica, os fundadores do clube realizaram um concurso, cuja proposta vencedora foi de autoria das arquitetas Zélia Maia Nobre e Edy Marrêta. Por 44 anos, o Alagoinha marcou a paisagem e tornou-se símbolo da cidade. Com o passar do tempo o local ficou em ruínas.

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