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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 910 / 2017

21/02/2017 - 10:36:37

As maiores “autoridades” do País

Jorge Morais

Logo de cara você deve está imaginando que estou me referindo ao presidente da República ou ao presidente do Congresso Nacional ou, ainda, à presidente do Supremo Tribunal Federal. Você pode até achar que é uma autoridade religiosa ou coisa parecida. Nada disso. As maiores “autoridades”, hoje, são os presidiários e as mulheres dos policiais militares. O primeiro grupo manda dentro e fora dos presídios. Decide o que vai ser feito e os governos e a Força Nacional não enfrentam, talvez, por medo das consequências.

O segundo grupo - o das mulheres dos policiais - manda nos maridos e eles só trabalham quando as mulheres querem. Com uma gentileza além da normalidade e uma subserviência impressionante, eles pedem para trabalhar e elas dizem NÃO. As categorias que representam os policiais fazem acordos com os governos para acabar com o movimento e elas não respeitam, porque não foram chamadas para o diálogo. Finalmente, que País é esse?

Quais são, verdadeiramente, as consequências dessas duas atitudes, dos presos e das mulheres? Praticamente as mesmas. Assaltos a mão armada, arrombamentos, pessoas sendo assassinadas, lojas e supermercados saqueados, ônibus incendiados, quebra-quebra nas ruas, falta de transporte coletivo, escolas sem aulas, entre outras situações, além do gasto dos governos com deslocamentos da Força Nacional e do Exército para os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, como está ocorrendo agora.

Quantas pessoas já morreram em decorrência dessas duas atitudes? Seja pela rebelião nos presídios, seja pela rebelião das mulheres, muita gente está perdendo as suas vidas. Pessoas que, em um primeiro momento, não têm nada a ver com isso. Estão pagando uma conta que não é delas, e que mesmo assim, pagam seus impostos para receber em troca os benefícios que são tidos como uma obrigação por parte dos governos, como segurança, transporte, escolas funcionando, o direito de ir e vir e muito mais.

Me parece que essa quebra de braço entre as mulheres dos policiais e as autoridades, arrefeceu um pouco a outra situação. De uma hora para outra, não se fala mais na situação de calamidade mostrada nos nossos presídios; de uma hora para outra, o presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, fechou um grande acordo, até porque, não existe mais o risco de fugas, as facções não se odeiam tanto assim, e tudo virou um silêncio sepulcral. A própria mídia esqueceu de tudo. E aí? Temos problemas ou não temos problemas nas penitenciárias?

Hoje, o assunto da moda é o impedimento dos policiais de sair para o trabalho. Até quando o assunto vai ser importante? Até quando os governos vão continuar gastando para manter as tropas federais nas ruas de Vitória do Espírito Santo e do Rio de Janeiro? Isso sem falar em outras pequenas cidades, como Vila Velha/ES, que estão com os mesmos problemas. Em Vitória, em poucos dias de manifestação, 143 pessoas foram mortas, dezenas de ônibus, carros pequenos, viaturas oficiais foram incendiados, um sem número de lojas saqueadas, e nenhuma solução.

Agora, a decisão é: se as mulheres não liberarem as saídas de seus maridos, as categorias que representam os policiais vão ser multadas em 10 mil reais/dia. Você acha mesmo que as mulheres estão preocupadas com isso? Claro que não. É bom lembrar que não são apenas policiais homens que estão parados por causa de suas mulheres. Os maridos das mulheres policiais, também estão na manifestação. Não vamos, portanto, culpar só as mulheres, que são maioria nesse movimento todo.

Concluo, também, perguntando: é justo que os policiais trabalhem sem receber seus salários? É justo que não tenham aumento salarial durante anos? É justo que as famílias dos policiais não tenham dinheiro para comprar material escolar, comida, pagar aluguel de casa? Claro que não, como também não é justo que a sociedade pague com vidas e com outras consequências por tudo isso, que é fruto de governos desonestos e da quebradeira que o País vive, em parte, decorrentes dos roubos e dos desvios de verbas públicas. Não tenha dúvida disso.  

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