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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 910 / 2017

17/02/2017 - 06:51:54

Operadora de Maceió perde médicos e usuários

Cooperados afirmam que falta transparência na aplicação dos R$ 50 milhões de receita mensal

Valdete Calheiros Especial para o EXTRA
Nilton Jorge quer transparência sobre uso dos recursos

A Unimed Maceió, maior cooperativa de trabalho médico em operação na capital, agoniza como um paciente terminal no leito de uma UTI. A sentença é endossada por um grupo de médicos cooperados que luta para reerguer a cooperativa depois de gestões mal sucedidas. 


Aos prontuários dos arquivos médicos somam-se processos judiciais e multas milionárias pagas aos usuários que contratam o plano de saúde e na hora em que mais precisam são entregues à própria sorte. Para o grupo de médicos cooperados, a gestão não é democrática e não investe, de forma adequada, na melhoria do plano os R$ 50 milhões de receita por mês. 


O descaso com o atendimento ao usuário é alarmante. O EXTRA mostrou, na edição nº 908, que circulou no dia 3 de fevereiro, o drama do paciente José Vital Júnior, 42 anos, portador de displasia óssea.
Segundo a família, o usuário só está vivo por causa do atendimento home care feito pelo plano. No entanto, a família foi surpreendida com o anúncio, feito pela cooperativa, de que o atendimento seria suspenso a partir do final de janeiro. 


Desde então, inúmeras denúncias têm chegado à redação do jornal. Infelizmente, conforme os relatos dos demais usuários, a via crucis de José Vital Júnior é apenas mais uma para as estatísticas de um plano do qual usuários e os próprios cooperados reclamam.


Se de um lado os usuários ficam a ver navios na hora em que acionam a assistência da Unimed Maceió, no outro extremo diversas especialidades médicas estão se desligando da cooperativa e abrindo outros canais para atendimento aos pacientes. Procurar urologista, neurologista, neurocirurgião, oftalmologista, endocrinologista e outras especialidades, através do plano, pode render boas dores de cabeça mesmo nos pacientes que não sofrem desse mal.


Outro fenômeno recorrente nos corredores do hospital e dos consultórios clínicos é a judicialização da saúde. É cada vez mais comum ver o usuário procurar um especialista com a decisão judicial em mãos para, assim, ter seu atendimento garantido. 


Um grupo de cooperados está apostando na larga experiência – clínica e no setor de cooperativismo – do médico Nilton Jorge de Melo para conduzir os trabalhos da cooperativa. O descontentamento em torno da atual gestão, na visão do grupo, encontra razão na falta de transparência nas decisões que atingem diretamente o cooperado e na falta de respeito ao usuário.


Para Nilton Jorge, formado em Lisboa e do alto dos seus 40 anos de clínica e 12 de cooperativismo, a Unimed Maceió pode ser facilmente reerguida com o comprometimento com a classe médica e um tratamento digno aos usuários. 


Reclamações no lugar de prontuários
De acordo com o Procon-AL (Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor do Estado de Alagoas), a Unimed Maceió lidera o ranking de queixas contra planos de saúde. Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec).


Entre as principais reclamações feitas ao órgão do consumidor alagoano estão mudanças contratuais de reajustes dos planos (faixa etária e mês de aniversário do plano), negativa de cobertura, cobertura, abrangência e reembolso.


Contra a Cooperativa de Trabalho Médico, criada em 1978, existe mais de R$ 1 milhão em multas impostas somente pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) por descumprimento de cláusulas contratuais e desrespeito ao consumidor. Por conta disso, a cooperativa foi proibida de comercializar planos por duas vezes em um curto período de tempo. A última vez foi em 2014.


São mais de mil médicos cooperados e mais de 125 mil usuários. Nada mal em um estado onde apenas 8% da população pode pagar por um plano de saúde.


O Procon possui um Núcleo especializado em Plano de Saúde localizado na Rua Saldanha da Gama, Farol, dentro das instalações do 3º Juizado Cível e Criminal e que funciona das 8h às 12h, de segunda a sexta, onde o consumidor pode tirar dúvidas ou abrir reclamação.


O EXTRA entrou em contato com a assessoria de Imprensa da operadora, para que falasse sobre a crise, mas não teve resposta até o fechamento desta edição.


A direção da Unimed Maceió é formada e eleita pelos próprios médicos cooperados. A próxima eleição acontece no mês que vem.

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