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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 910 / 2017

17/02/2017 - 06:48:18

‘Queremos justiça’

Irmã de delegado morto pelo neto fala pela primeira vez: ‘Milton fez tudo pela família

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Omena e a filha, Márcia: duas mortes em 5 meses

Desde que a jornalista Márcia Rodrigues Farias foi encontrada morta no condomínio Porto di Mare, na cidade de Paripueira (30 quilômetros de Maceió), em 14 de agosto do ano passado, o nome do pai dela, o delegado aposentado da Polícia Federal Milton Omena Farias, 70 anos, passou a circular na imprensa local e redes sociais como o principal responsável pela morte.


Mas, segundo as investigações da Polícia Civil, Márcia não foi assassinada pelo pai. E, sim, cometeu suicídio, usando a arma dele. Uma versão negada pela mãe da jornalista, Maria do Carmo Rodrigues de Souza, ex-mulher do delegado da PF. “Ele matou minha filha! Matou friamente!”, disse, em coletiva à imprensa no dia 31 de janeiro.


Exatos 167 dias após Márcia ter sido encontrada morta, Milton foi assassinado com uma facada no peito na mesma casa onde estava o corpo da jornalista.


Milton Omena Farias Neto, 23 anos, confessou o crime. Matou o avô, dizem as investigações da PC, porque queria vingar a morte da mãe, a jornalista Márcia.
Mas, quem era o delegado aposentado da PF? Como vivia?

Versão

Desde então reclusos, a família do delegado aposentado da PF resolveu falar. A aposentada Maria Carmem Omena Mansur, a mais velha dos 11 irmãos (um deles morreu de câncer) recebeu o EXTRA em sua casa, em Maceió, representando a família.

“O que eu quero é justiça. Quem matou não pode ficar solto. E também quero reabilitar o nome do meu irmão. Te digo: ele não é um monstro como dizem. A ex-mulher dele disse em entrevista que ela sofria maus tratos do meu irmão. Por que não denunciou ele? Eu nunca fui testemunha dos maus tratos”, explica Dona Carmem ao longo de duas horas de conversa com a reportagem.

A pedido dela, o EXTRA não fez fotos do encontro.
Dona Carmem defende a versão da polícia: Márcia cometeu suicídio.
“Meu irmão e eu conversávamos muito, ele morou um tempo na minha casa. A Márcia tinha perguntado a ele - e ele me disse - se caso ela morresse, o Milton cuidaria dos filhos dela. Ele achou a pergunta estranha, disse que ela não morreria, ela insistiu na pergunta e ele disse que cuidaria”.

E ela revela: Milton adorava os netos. “O que matou meu irmão era chamado de “meu cientista”. Milton pagou tudo para ele. Aos 12/13 anos ele pagou uma viagem para a Nasa ao neto. O menino morou na Irlanda, tudo pago pelo Milton. Como um homem desse odiava os netos?”
Omena era o segundo de 11 filhos

O pai de Milton é Manoel Omena Farias, um homem lúcido, apesar dos 96 anos de idade. Gostava de reunir os filhos todas as semanas para jogar buraco. “Meu pai quer justiça. Só isso”, disse a aposentada ao EXTRA.


Manoel Omena teve 11 filhos. O mais velho de todos é dona Carmem. Milton é o segundo.
Nos últimos anos de vida, Milton virou amante de motos e esportes radicais, como bungee jumping.
Só que ao longo da versão contada por dona Carmem, mostra-se que a vida do delegado da PF era de sucesso profissional e tristeza familiar.


Milton era superintendente da Polícia Federal no Mato Grosso em 1985. Tinha um casal de filhos: Milton Omena Farias Júnior e Márcia Rodrigues. Júnior tinha 19 anos, era o mais velho, quando em 9 de junho de 1985, enquanto dirigia o carro, um Chevette, em Mato Grosso, avançou o sinal, e bateu em gelos baianos. O carro virou. Junior morreu.


“Meu irmão ficou muito triste. Vendeu tudo que tinha por lá e veio para Maceió, reconstruir a vida dele”, disse a irmã do delegado da PF.


Mal sabia que quase 32 anos depois, ele enterraria a filha Marcia, que apareceu morta em casa.

Netos
De Márcia, vieram os netos: Débora e Neto. “Ele chamava de ‘meu cientista’ e ‘minha princesa’”, lembra dona Carmem.
“O menino morou na Irlanda; a menina chegou a morar fora do país também. Ele amava os netos, pagou as despesas das viagens”, explica dona Carmem.

Repórter: Por que a relação da família mudou?
Dona Carmem: Mudou depois da separação de Milton e Maria do Carmo.

Repórter: Qual o motivo da separação?
Dona Carmem: Sei de tudo, meu irmão me contava sobre tudo. Mas, não irei falar da Maria do Carmo nem dos netos deles, como ela fez com meu irmão. Prefiro dizer quem era meu irmão, um homem bom, que gostava de viver.

Repórter: Mas, em coletiva, ela disse que sofria maus tratos do seu irmão durante 47 anos.
Dona Carmem: Nunca fui testemunha de nada. Eu te pergunto: como uma mulher sofre durante 47 anos ao lado de um homem que ela descreve como um monstro e nunca o denunciou para a polícia?
[O EXTRA perguntou ao advogado de Maria do Carmo, Leonardo de Moraes, se ela denunciou o ex-marido para a polícia, por causa dos maus tratos. Moraes disse que não]

Repórter: A paixão do seu irmão por moto era antiga?
Dona Carmem: Não, bem recente. Estava muito triste com tudo, de alguns anos para cá comprou uma moto. E fez uma volta ao mundo. Voltou um ano depois. Conheceu muitos amigos.
Dona Carmem mostra fotos de Milton nas suas viagens: Alasca, Estados Unidos. E com os netos.

Repórter: Como era a relação com Márcia?
Dona Carmem: Semanas antes da Márcia cometer suicídio, ela se envolveu em um acidente de carro. Foi levada para o hospital de Matriz de Camaragibe. Foi um acidente estranho, meu irmão foi orientado a não pedir a perícia porque as circunstâncias não eram claras. Daí meu irmão descobriu que a Marcia estava frequentado o psiquiatra e tomando medicamentos.

Repórter: Como era a relação dele com Neto?

Dona Carmem: Fez tudo por ele, pagou tudo. As fotos que tenho mostram: era um homem que gostava da família.

Repórter: Como era o Milton, seu irmão?
Dona Carmem: Um homem que gostava de viver. Não merecia morrer deste jeito. No dia em que ele foi assassinado pelo Neto, ele estava cozinhando. Fazia doce. Era ótimo cozinheiro. O doce estava no fogo e o Milton estava com as mãos com um pouco de terra. Estava cuidando do jardim. Daí entrou o Neto na casa dele. Meu irmão não merecia morrer deste jeito.

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