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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 909 / 2017

13/02/2017 - 14:25:28

Sr. Prefeito, pobre também é gente e precisa comer!

José Fernando Martins [email protected]

Mesmo decepcionado com alguns julgadores, eu posso até me considerar como um cara cumpridor das leis, embora tenha as minhas limitações. No dia a dia das nossas decepções, testemunhamos uma desenfreada corrupção, já que as nossas instituições estão fragilizadas, sem forças para diminuir tanta impunidade. Sempre estamos nos deparando com corruptos engravatados, zombando das leis, com o maior cinismo. Já estamos tão habituados com a impunidade que, diante dos noticiários de jornais, rádios e televisões, melhor seria se rasgássemos os jornais e desligássemos os rádios e as televisões. Nesta semana que se findou, eu notei que todo o noticiário estava repleto de declarações bonitas, dando conta de que o Sr. prefeito de Maceió resolveu combater os ambulantes que povoam as praças, ruas, avenidas e praias da nossa capital. Vi fiscais bem nutridos e sorridentes, arrancando das mãos de ambulantes algumas poucas mercadorias que eles ainda conseguem comprar e vender, diante da crise que resolveu nos visitar. Eu pude ver cenas de dor e de choro, numa guerra de coitados fiscais contra coitados ambulantes, às vezes vizinhos nos barracos distantes da periferia. Vi uma guerra entre homens fardados, numa luta desigual, para combater coitados com roupas remendadas e barrigas vazias.


Eu gosto de disciplina, de ordem e de organização, mas não gosto de ver coitados, num mundo em crise, proibidos de vender suas mercadorias, seus amendoins, picolés, acarajés e suas frutas, para depois serem humilhados pelos sorridentes fiscais do Dr. Rui Palmeira. Vi, espalhados pelas nossas ruas e becos, homens e mulheres trabalhadores, sendo proibidos de negociarem suas mercadorias. Eu concordo que deva haver ordem em todas as cidades, para que as calçadas, as praças e as vias públicas de um modo geral não sejam invadidas pelos ambulantes, mas não concordo que eles sejam expulsos por fiscais que, às vezes, se aproveitam dos seus poderes de fiscalizar, para humilharem, homens e mulheres que pecaram, apenas, por serem pobres.


Os nossos turistas também precisam dos ambulantes e são eles que enfeitam as nossas ruas, as nossas barracas e as comprar do coco verde. É louvável que o Sr. Prefeito Rui Palmeira queira ordem na cidade, porém seria conveniente que deixassem os nossos ambulantes, sem as humilhações que sofrem, só porque são honestos  e querem trabalho para darem comida aos seus filhos e netos.

Em tempo – Agradeço ao advogado e coronel José Hilton Rodrigues Lisboa pelas leituras e aceitação aos meus artigos. 

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