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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 909 / 2017

09/02/2017 - 22:28:59

Acordão entre Téo e Renan tira Biu da disputa ao Senado

Com Arthur Lira fora da disputa, senador ‘desce’ para disputar vaga na Câmara federal

Odilon Rios Especial para o EXTRA

Um acordão entre os senadores Renan Calheiros (PMDB), Benedito de Lira (PP) e o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) fará retornar as eleições siamesas, famosas no início deste século envolvendo Téo e Renan, e, ao mesmo tempo, resolverá um problema para Biu de Lira: a vaga do filho Arthur, na Câmara Federal.


Inelegível, Arthur Lira está fora do baralho eleitoral de 2018, a menos que as leis mudem para beneficiá-lo. Biu de Lira não disputa o Senado daqui a dois anos. Vai buscar se eleger na vaga do filho na Câmara e que, um dia, teve a passagem do dançarino de Junqueiro.


Em novembro do ano passado, o Tribunal de Justiça manteve a condenação de Arthur Lira (PP), Cícero Almeida (PMDB) e Paulão (PT) no processo que apura os desvios milionários descobertos pela Operação Taturana, investigada pela Polícia Federal.


Os três são rolete chupado na política alagoana. Significa que se a lei da ficha limpa sobreviver pelos próximos anos, estão com os direitos políticos suspensos por 10 anos, portanto, vão para a lata do lixo da política local.


Daí, Arthur Lira, sucessor de Biu e, como o pai, investigado na Lava Jato, terá de descer na escala da política e voltar a ser deputado federal.


Ao mesmo tempo vai acomodar o aliado Téo Vilela. Que fará campanha ao Senado casadinha à busca pela reeleição de Renan Calheiros.


É um acordo aparentemente bom. O senador Fernando Collor (PTC), por exemplo, fora de Alagoas até o próximo ano, não pôs obstáculos porque caminha lado a lado aos tucanos de Maceió, com o prefeito Rui Palmeira (PSDB).


Só que nem tudo está resolvido neste acordão. Rui Palmeira, por exemplo, lidera em pesquisas informais na disputa ao governo daqui a dois anos. E terá pela frente o governador Renan Filho (PMDB), que disputa a reeleição.


Se quiser disputar o governo, o prefeito da capital teria de ter o domínio do PSDB alagoano, o que ele não faz questão de buscar.


Téo Vilela entregaria ao vento a própria chance de disputar e ganhar o Senado, desfrutando o bem-bom de Brasília, em uma campanha ao lado do bam-bam da política nacional, Renan Calheiros, porque PMDB e PSDB na capital - principal colégio eleitoral do estado - estarão em lados reconhecidamente opostos?


Um calheirista ouvido pela reportagem tem a resposta: “Rui não será candidato. A eleição de 2018 envolve muitos interesses: um aliado importante do prefeito precisa manter o foro privilegiado, que é o Biu, por causa da Lava Jato; Renan Calheiros buscará uma reeleição num cenário de amplo desgaste; e o filho dele também é candidato à reeleição. Seria uma lógica muito grande para ser quebrada”.


Mas Rui Palmeira vai disputar o quê em 2018? Ele simplesmente não será candidato a nada em 2020? Isso não vai de encontro ao carreirismo dos Palmeira, na política desde o século 19?


“Ainda não se sabe qual destino vai ser dado a Rui Palmeira”, diz este calheirista.

Nó da questão
A questão é complicada. A eleição de 2018 é a chance de Rui de avançar num cenário maior que a capital. Ele tem dito que ser candidato a deputado federal não interessa a ele. Há as duas vagas ao Senado, mas ele teria de contar com a desistência de Téo Vilela, presidente de honra do PSDB alagoano, e vencer uma raposa formada pelos bancos da política da capital federal chamada Renan Calheiros.

Sobra o governo do Estado. Mas, o PSDB alagoano aceitará estar em lado oposto ao PMDB, se Téo Vilela precisa de Renan para se eleger ao Senado?

Eis o busílis.
Os Calheiros preparam uma estrutura enorme para vencer daqui a dois anos.
Renan-pai foi eleito para liderar o PMDB, teve papel importante para manter seu partido no comando do Senado, e apoiou Edison Lobão, do Maranhão, para a principal cadeira da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Não é pouco.

Em Alagoas, conseguiu o consenso na eleição da Associação dos Municípios (AMA), onde colocou o prefeito de Cacimbinhas, Hugo Wanderley (PMDB), em eleição de chapa única, juntando-se à família Pereira. E também se unindo ao PSDB. 

A família Pereira, aliás, conta com amplo prestígio na era Renan Filho. E tem muita aproximação com Renan Calheiros mais Téo Vilela.

Afinal, a família domina as terras da Usina Seresta, herança do velho senador Teotônio Vilela.
Há ainda a família Albuquerque, do deputado Antônio Albuquerque, que acumula derrotas em seu celeiro de votos, Limoeiro de Anadia, mas ainda dá um caldo: a irmã, Rosa, é presidente do Tribunal de Contas, e, na Assembleia, o irmão quer dar as cartas na Mesa Diretora.

Onde entra Rui Palmeira? Desafiando o acordão? Saindo do PSDB para ser candidato ao governo em 2018?

Por enquanto, ele desautorizou o secretariado a se engajar numa futura disputa ao governo. Quer foco no hoje. Quer fazer um segundo mandato melhor que o primeiro. A história mostra que a reeleição de chefes de Executivo em Maceió é uma experiência fracassada. Rui quer fazer diferente. Vai conseguir?

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