Acompanhe nas redes sociais:

17 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 908 / 2017

07/02/2017 - 10:28:15

Artista alagoano entra na justiça contra o Iofal

Gilson Dangel diz que médico não realizou cirurgia bancada pelo Estado

José Fernando Martins [email protected]
Gilson Dangel está com câncer nos olhos; custo da cirurgia é de R$ 83.330

Foi em 2009 que o artista Gilson Santos da Silva, 54, mais conhecido como Gilson Dangel, começou a sentir algo estranho nos olhos. Como o leve inchaço na época não ocasionava nenhum tipo de dor, o alagoano só procurou ajuda médica em 2015. Já com os olhos “saltados”, Dangel temia perder a visão. Após consultas médicas, ele teve o diagnóstico: doença linfoproliferativa orbitária bilateral. Em forma popular, câncer nos olhos.


No entanto, além da luta contra a doença, hoje Dangel luta na Justiça contra o médico oftalmologista que lhe deu essa notícia. “Quando consultei com o doutor Renato Damasceno fui informado que apenas uma cirurgia resolveria o meu problema. Em nenhum momento foi citada a palavra ‘câncer’. Peguei o orçamento de quanto sairia o procedimento e saí do consultório atrás do dinheiro”, contou ao EXTRA ALAGOAS.


A cirurgia no valor de R$ 83.330 foi paga pelo Estado através de um trabalho da Defensoria Pública de Alagoas. Da primeira consulta com o médico, ocorrida em janeiro de 2015, até conseguir a quantia necessária, foram 11 meses. “Ocorre que no começo do ano passado o discurso do médico mudou. Fiquei sabendo que meu problema não era solucionado com uma cirurgia para a remoção de gordura. Soube que estava com câncer e que precisaria de tratamentos complementares, como radioterapia”.


Uma cirurgia foi marcada para maio de 2016 no Instituto Oftalmológico de Alagoas (Iofal). No orçamento encaminhado à Defensoria, o valor de R$ 83.330 era para quitar a equipe médica (R$ 77 mil), anestesista (R$ 1 mil), taxa de sala (R$ 3 mil) e material (R$ 2.330). “Mas, não houve cirurgia, foi só uma biópsia. Nem tive um médico auxiliar na equipe médica como especificado no orçamento embora afirmem o contrário. Me senti enganado”, disse o artista, que também critica o diagnóstico dado pelo profissional.


“O resultado da biópsia tinha dado inconclusivo. Só tive realmente certeza da doença após uma reanálise laboratorial. Depois, fiquei sabendo que a radioterapia também não era indicada para meu caso”.
Segundo esclarecimentos da Santa Casa de Misericórdia de Maceió enviado à Defensoria Pública, a radioterapia em olho humano deve ser evitada pelos efeitos colaterais danosos, tanto imediatos quanto tardios ao paciente.


Entre os efeitos agudos mais comuns estão de perda dos cílios a edema na córnea. Ainda conforme explicado pela Santa Casa, quanto aos efeitos crônicos, o paciente pode desenvolver  catarata e perda de lubrificação nos olhos.


“O Iofal afirma que a cirurgia devida foi realizada no paciente. Ocorre que o senhor Gilson nos procurou e relatou que tal cirurgia nunca foi feita até hoje e que a única coisa que foi feita foi um exame médico de biópsia. Diante desta informação, a Defensoria Pública peticionou nos autos relatando a situação e pedindo a intimação do Estado de Alagoas e do Iofal para esclarecimentos”, informou a defensora pública Daniela Santos.


Dangel denuncia ainda o valor cobrado pelo médico. “Eu fui atrás de outro profissional que me cobraria R$ 6.400, mas como a clínica tinha impasses a serem resolvidos, não poderia receber dinheiro do Estado. O médico alega que realizou uma orbitotomia, mas qualquer procedimento na órbita óssea do olho pode ter essa denominação”.

OUTRO LADO
Em resposta encaminhada à Justiça pelo Iofal, o médico Renato Damasceno informa que no caso do paciente Gilson Santos, a hipótese diagnóstica inicial foi doença linfoproliferativa orbitária bilateral, que é um tipo de tumor orbitário, sendo indicada a orbitotomia bilateral. “O paciente citado foi submetido à orbitotomia, sendo confirmada a hipótese diagnóstica inicial de linfoma através de exames histopatológico e imunohistoquímico”, destacou o médico.

Ainda de acordo com o documento, “com a confirmação da doença, o paciente foi encaminhado para acompanhamento com oncologista clínico e continuidade do tratamento com radioterapia e quimioterapia. Conforme a literatura médica atual, o tratamento da doença consiste em orbitotomia, radioterapia e/ou quimioterapia”.

“Vale ressaltar que uma excisão cirúrgica excessiva poderia acarretar piora na função visual do paciente. Além disso, destaca-se que o objetivo de confirmação do diagnóstico foi alcançado”, destacou Damasceno. A reportagem entrou em contato com o advogado do Iofal, Fernando Falcão. “Uma perícia deve ser realizada para comprovar que a cirurgia foi realizada”, informou. Também enfatizou que o Iofal apenas receberia o valor referente à sala cirúrgica e o material usado na cirurgia.

O EXTRA ALAGOAS também tentou entrar em contato com o médico citado na matéria para mais informações, mas não conseguiu retorno.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia