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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 908 / 2017

07/02/2017 - 10:26:14

Moeda de troca

Alari Romariz

Fico impressionada com os fatos acontecidos no Brasil relacionados à Lava Jato e a outras tantas operações policiais que combatem a corrupção de empresários, políticos, intermediários e “laranjas”. Incomoda-me, mais ainda, que Alagoas fique fora do mapa dos castigos. Nada chega por aqui!
Venho denunciando há vários anos crimes cometidos pelos deputados componentes da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa Estadual e nada acontece. Eles, os parlamentares, usam o dinheiro público indevidamente, pagam salários dobrados a mais de oitocentos assessores, passaram 18 anos sem pagar o adicional de férias, cortam salários aleatoriamente e ninguém ouve nossos apelos.


As grandes vítimas deles são os ativos e inativos da Casa. Em 2015, resolveram realizar um acordo com o governador do Estado: autorizaram, através projeto de lei, a liberação de um grande valor em dinheiro do Fundo Previdenciário do Estado para que o “jovem rei” pagasse o décimo terceiro salário do Poder Executivo, passando os inativos do Poder Legislativo para o Alagoas Previdência, imediatamente. Tal fato foi comunicado à presidente da Associação dos aposentados num fim de tarde, sem a menor consideração.


A partir daí, começou o calvário dos velhinhos: ninguém sabia como eles ficariam. Toda vida funcional dos pobres coitados está na Assembleia, a folha de pagamento é feita por lá, a Mesa envia para o Alagoas Previdência trinta e três por cento do valor dos inativos e o Estado paga os sessenta e sete por cento restantes. Como? Baseados em quê? Não se sabe. São acordos feitos com o Executivo em longas reuniões, na base do “toma lá, dá cá”.


Acabou-se a tranquilidade de pessoas que trabalharam mais de 30 anos no Legislativo alagoano. Ninguém sabe onde está! De quem é a responsabilidade pelos dados pessoais de servidores que deram grande parte de suas vidas pela ALE/A?. Os processos administrativos dormem na sala do primeiro-secretário, que trata os inativos como pedintes e não respeita os mínimos direitos da categoria.


Quero deixar bem claro a boa vontade dos dirigentes do Alagoas Previdência: fazem o possível e o impossível para concretizar o pagamento dos velhinhos, mas há obstáculos intransponíveis!
No dia 20 de cada mês, quando o duodécimo é repassado, a presidente da Associação dos Aposentados entra numa roda viva: liga para as pessoas do Legislativo e do Alagoas Previdência até a data em que o dinheiro cai na conta dos associados. E o primeiro-secretário não entende “por que tanta agonia”!
O décimo terceiro salário dos velhinhos foi pago no último dia útil de 2016, um feriado bancário e ainda, assim, veio cortado. Outra luta para recuperar os valores perdidos por causa de um “erro da Elógika”. Só no fim de janeiro, depois de muitos pedidos, devolveram o dinheiro quase perdido.


Quero crer que a imaginação dos deputados componentes da Mesa Diretora é fértil demais para o mal. Quando se pensa que não existem mais traquinagens a serem praticadas, surge uma nova arte. O importante é que sobre dinheiro para a cota mensal dos parlamentares e as grandes vítimas são os funcionários ativos e inativos.


Continuo apelando publicamente para as autoridades competentes: reúnam os dirigentes da Assembleia Legislativa Estadual, verifiquem os crimes cometidos, punam os culpados e coloquem na Mesa Diretora homens e mulheres de bem que, no mínimo, saibam administrar um órgão público.


Não é justo que servidores dedicados à ALE/AL por 30, 40 anos, sirvam de moeda de troca entre o Executivo e o Legislativo, usando-se o dinheiro descontado dos funcionários por dezena de anos.
Os inativos do Legislativo estão, há mais de um ano, com um pé na ALE/AL e outro no Alagoas Previdência, sem saber a quem se dirigir.


Pergunto eu, aposentada da Assembleia Legislativa, com 75 anos, às autoridades do meu estado: nós merecemos ser moeda de troca ou precisamos ser respeitados?
Só Deus na causa!

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