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Edição nº 908 / 2017

07/02/2017 - 10:25:36

A imagem dos ministros do STF

Jorge Morais

A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, depois de passado o luto oficial e o silêncio inicial, puxou para si algumas decisões das mais importantes em relação a Operação Lava Jato e as delações dos 77 executivos, diretores e ex-diretores da Odebrecht. Além de acatar as delações repassadas àequipe  comandada pelo ex-ministro Teori Zavascki, a presidente do STF ainda encaminhou o relatório final para avaliação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que, sem dúvida, acatará o resultado desse trabalho na sua integralidade.


A ministra Cármen  Lúcia decidiu, ainda, que o novo relator do caso Odebrecht será conhecido depois de um sorteio entre os componentes da Segunda Turma, a mesma da qual fazia parte Teori, e que foi reforçada com o ministro Edson Fachin, totalizando, agora, cinco nomes para o sorteio, que deverá ser o próximo passo da presidente do STF. São eles: Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, o decano Celso de Mello e o próprio Fachin.


O que representa essa decisão da ministra Cármem Lúcia para a classe política brasileira? Se o sorteio recair sobre os nomes de Mello, Levandowski ou Fachin, principalmente o primeiro, não teremos grandes problemas em relação a continuidade dos trabalhos. O assunto, mesmo que interesse muito mais à classe política do que a qualquer outra categoria profissional, ficará, inicialmente, somente no âmbito da justiça. Todos vão declarar “apoio incondicional” e, com o coração na mão, alguns políticos vão perder o sono, tomar remédios tarja preta e aguardar o resultado.


Mas, se por acaso o nome sorteado foi de Dias Toffoli ou Gilmar Mendes, a guerra está declarada. O ministro Toffoli é tido como gente do Partido dos Trabalhadores, inclusive, antes de chegar ao STF, era advogado do PT e amigo pessoal dos ex-presidentes Lula e Dilma. Nesse caso, a turma do PSDB e do PMDB não vai aceitar em silêncio o trabalho que possa ser desenvolvido pelo ministro. Para esses políticos, os petistas, principalmente os cabeças, terão suas caras livradas das acusações. Entenda-se Lula e Dilma.


Se o sorteado for o ministro Gilmar Mendes, a situação se inverte. É o Partido dos Trabalhadores que vai reclamar, pois o ministro é conhecido como amigo de políticos ligados ao PSDB, especialmente, e do PMDB, também. Sem freio na língua, Mendes fala o que pode e o que não pode falar. Viaja, almoça, se reúne, participa de festas, de funeral com pessoas ligadas a esses dois segmentos políticos.

Recentemente, viajou no avião presidencial para o funeral do ex-presidente de Portugal, Mário Soares, ao lado de Michel Temer, acusado nas delações da Odebrecht.


Sem esconder a cara. É tido como um ministro “porra louca”, sem freio nas suas palavras e decisões, esse é Gilmar Mendes, o mesmo que acabou com a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Diante desse quadro, o que podemos esperar do nosso STF e de seus ministros com essa imagem dos relatos acima, com raríssimas exceções? Dá para imaginar que não teremos problemas daqui para frente?


Pois bem meus amigos leitores, quem imagina que com Toffoli, Mendes, Mello, Lewandovski, Fachin ou todos os outros ministros do STF o assunto vai acabar por aí, está redondamente enganado. Muita confusão ou disse me disse ainda vai ser a principal pauta dessa delação Odebrecht. 

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