Acompanhe nas redes sociais:

23 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 908 / 2017

07/02/2017 - 10:01:15

Jorge Oliveira

Eike é aliado do PT

Jorge Oliveira

Barra de S. Miguel, AL - Falar do Eike Batista aqui é chover no molhado. Todo mundo já falou. Filho do mineiro Eliezer, um dos executivos mais importantes na ditadura militar, herdou do pai o mapa geológico do Brasil e virou bilionário da noite para o dia. Eliezer, na era militar, dava as cartas no setor de minas (Vale do Rio Doce) que dominou durante mais de trinta anos. O filho só começou a ser notado, com o fim da ditadura, depois do primeiro bilhão de dólares. Daí para frente, a sua excentricidade e a companhia de mulheres bonitas e baladas do jet-set carioca, atrairam a mídia e o levaram ao mundo fértil da futilidade. Sua primeira mulher, Luma de Oliveira, chegou a desfilar, em 1998, seminua, de coleira com o seu nome, no Sambódromo, para o delírio do maridão que passava um recado aos mortais de que tinha a posse absoluta da bonitona.


Eike, que já era rico, ficou bilionário no governo do PT. Luciano Coutinho, o ex-presidente do BNDES, escancarou os cofres do banco para que ele investisse em todas as áreas de infraestrutura. Tornou-se o rei do Rio – e do Brasil -  ao se aproximar do ex-governador Sérgio Cabral, com quem manteve uma amizade promíscua e corrupta com o dinheiro público. O Midas fazia caridade com o dinheiro do contribuinte, uma espécie de filantropia para quem enchia os bolsos com empréstimos subsidiados do BNDES e de outros bancos oficiais. Agora, o barco afundou de vez. Preso e humilhado, só tem um caminho: abrir o bico.


Se o Cabral já vive o seu inferno astral, com a delação de Eike nada mais vai sobrar dele. É provável que mofe na cadeia durante muito tempo. E pelo andar da carruagem o futuro lhe reserva dias difíceis porque todos os seus bens serão indisponibilizados para ressarcir os cofres públicos. Quanto a Lula, o chefão de toda essa organização criminosa, dificilmente deixará de ser citado por Eike como seu principal aliado no desvio dos recursos públicos. Coutinho, que até então mantém-se longe dos holofotes, ainda terá que explicar os bilhões que saíram do BNDES para a conta de Eike e nunca mais voltaram.


Na verdade, o que houve no governo petista foi uma orgia financeira para manter o partido no poder por mais vinte anos. A organização criminosa consistia em distribuir recursos, fraudar licitações e enviar dinheiro para o exterior para alimentar o caixa da quadrilha que iria alimentar as campanhas do PT e dos seus aliados. Por isso é que as digitais dos empresários beneficiados estão em todas as campanhas políticas e em quase todos os políticos agora delatados por Marcelo Odebrecht e seus executivos.
Eike Batista é um desses personagens do grupo mafioso que de uma hora para outra se transformou em um dos sete homens mais rico do mundo, enquanto a economia brasileira entrava no caos pelas mãos de Lula e Dilma. Enquanto o dinheiro era surrupiado dos cofres públicos para alimentar a ganança das empreiteiras e dos empresários aliados a esses políticos corruptos, a recessão econômica comia os empregos. Hoje, mais de 12 milhões de trabalhadores estão desempregados. Nesse triste mutirão não estão os petistas. Muitos ainda trabalham no governo, outros ocuparam cargos no Congresso Nacional no acordo para eleger os “golpistas” e os demais estão acomodados nos sindicatos às custas da contribuição dos trabalhadores.


Como era de esperar sobrou para o povão. Os desempregados não têm nem o que comer. E os que estão no subemprego mal recebem para alimentar a família. Não à toa, muitos deles vão para as portas dos presídios esperar os políticos e empresários denunciados pela Lava Jato. Com cartazes de protesto, eles xingam todos de ladrões e canalhas, pois têm consciência de que esses senhores tiraram seus empregos e a comida da boca dos seus filhos.

O acordo
Os petistas, normalmente tão aguerridos quando têm que defender o partido, mergulharam. Hibernaram depois que o guia espiritual Luís Inácio Lula decidiu que os seus deputados e senadores devem apoiar os “golpistas” em troca de cargos na mesa diretora da Câmara e do Senado. O ex-presidente não deu bolas para a companheira Dilma quando teve que decidir pelo apoio, deixando-a falar sozinha pelos cantos contra os adversários que o partido agora apoia. Dilma, que já não apitava nada no partido, agora anulou-se de vez.

Boquinhas
Nem bem a cadeira dela esfriou no Planalto, Lula já se articulava com lideranças do Senado e da Câmara para alojar os companheiros desempregados. O primeiro a ocupar um cargo no Senado foi Gilberto Carvalho, seu eterno chefe de gabinete, sobre quem pesam suspeitas pela morte do prefeito Celso Daniel. Carvalho alojou-se no gabinete da liderança da oposição, comandado por Lindbergh Farias, com salário de R$ 20 mil. Mesmo assim, não conseguiu persuadir o seu senador a apoiar os “golpistas”, deixando-o falar sozinho contra o acordo.

E a ética?
O PT, que em outras épocas se notabilizou pela defesa intransigente da ética na política, transformou-se no partido das boquinhas. Depois de se revelar como uma das agremiações mais fisiológicas entre as que existem no país, enveredou pelo caminho da corrupção e dos cargos públicos. E para isso, atropela a história para beneficiar seus militantes parasitas que se acostumaram a surrupiar o dinheiro do contribuinte.
O líder
O discurso da Dilma e de alguns de seus seguidores de que teria sofrido um golpe vai por terra, quando se assiste os petistas, liderados por Lula, fazendo acordos espúrios em nome do partido com parlamentares que até então eram considerados de direita, oportunistas, carreiristas, aéticos e golpistas. Pelo menos esse foi e continua sendo o discurso da ex-presidente para esconder a incompetência administrativa e o maior escândalo de corrupção da história do país no seu governo.

Obsessão
Agora, exercendo um carguinho decorativo no partido, Dilma está definitivamente descartada dentro do PT, onde, na verdade, nunca foi aceita pelos militantes históricos. Mesmo assim, afetada por uma incurável obsessão, ainda mantém o discurso do golpe onde chega.

Implorou
A aparente fortaleza na resistência ao impeachment era apenas fachada. Sabe-se nos bastidores que ao ser comunicada de que o seu afastamento era inevitável, implorou aos líderes do Senado para ser poupada de ter os direitos políticos cassados. Argumentava que deixar a presidência já era a sua maior punição. Pensava, e ainda pensa, em se candidatar a um cargo eletivo pelo Rio de Janeiro, onde, segunda ela, está a maioria dos seus eleitores. Em um estado que elegeu Agnaldo Timóteo, Juruna, Cabral, Pezão e Garotinho tudo é possível.

Reeleição
Para apoiar a reeleição de Rodrigo Maia, do DEM, na Câmara, e Eunício, do PMDB, no Senado, o PT quer as duas secretarias que têm orçamento para este ano de quase 10 bilhões de reais e mais de 40 cargos, com salários milionários, para serem ocupados por seus militantes que não conseguem emprego na iniciativa privada por notória incompetência. Para os petistas, a política virou um jogo, um meio de vida. Usá-la como meio de transformação da sociedade é apenas retórica. O que vale mesmo é o enriquecimento ilícito, o assalto aos cofres públicos e o dízimo que os militantes em cargos comissionados pagam ao partido.


Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia