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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 908 / 2017

02/02/2017 - 21:51:01

Brasil é o paraíso dos bandidos

Guerra entre facções revela o lado conivente dos poderes

Reinaldo Cabral Especial para o EXTRA
Motim em Acaçuz descambou para violência desmedida: 26 detentos foram decapitados

ATAL- Antes de se transformar numa democracia participativa como queria a Constituição de 1988, o Brasil virou o paraíso dos bandidos.Mantido o atual ritmo de expansão da criminalidade,antes de 2050 a população carcerária do Brasil (hoje de 607.700) ultrapassará a dos EUA(2,2 milhões), China (1,6 milhão) e Rússia (673 mil) juntos.


A explosão da violência na penitenciária estadual de Alcaçuz,no município potiguar Anisia Floresta,a 50 minutos de Natal, desnudou a realidade do sistema penal brasileiro, camuflada até recentemente pela quadrilha do PT, quase todaencarcerada. Como a maior parte do país passou a ser dominada por bandidos orientados de dentro das cadeias,com predominância para o tráfico de drogas, a exposição total da população à violência chegou ao seu extremo: o governo não controla os encarcerados e as PMs nas ruas passaram a perder a guerra contra os bandidos.

QUEIJO SUÍÇO
Como se fosse uma piada de humor negro, a penitenciária de Alcaçuz foi construída em 1989 num lugar impróprio, sobre uma duna à beira mar, a poucos metros da praia turística de Pirangi, onde se localiza o maior cajueiro do mundo.


Conhecida como queijo suíço, dada a facilidade da escavação de túneis com as mãos na areia, que dão na praia, Alcaçuz foi cenário para a decapitação de 26 presidiários no dia 14 de janeiro, um sábado, num confronto interno entre membros de duas facções, o Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte e o Comando Vermelho da Capital. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do RGN, Alcaçuz tem 1500 presidiários,mas lá só cabem 800. Quase três semanas depois da decapitação, ainda não se sabe o número exato dos foragidos embora uma especulação estime que só escaparam 56 deles.

ANGÚSTIA
A angústia do sistema penal brasileiro se expressa no comportamento das 53 mulheres que frequentam diariamente, em dias fora da escala normal de visitas, os 10 casebres e um barzinho com lanchonete e banheiro localizado a menos de 500 metros de Alcaçuz. É ali onde elas conversam sobre as suas desventuras, frustrações,medos,ilusões,delírios,um painel de sofrimentos só encontrados nos clássicos da literatura mundialA morte de Ivan Ilitch(1886), escrito pelo romancista russo Leon Tolstoi no século XVII, e em A morte de Artemio Cruz(1962), do romancista mexicano Carlos Fuentes.


Os sofrimentos de mães, filhos, mulheres de presos em Alcaçuz ultrapassam os limites do tempo e se eternizam nessas

Os dilemas do sistema penal brasileiro

Os motins, as manifestações,os conflitos e os confrontos entre grupos organizados ou não de internos nos presídios federais e estaduais expressam tendências políticas e ideológicas e anárquicas, as inquietações dos parentes deles que tentam modificar a sociedade brasileira de dentro para fora do sistema.
Isso revela a espantosa força adquirida pelo sistema penal mantido por um modelo político dominado pela corrupção e pelo tráfico de drogas e armas.


Essa nova emergência política nacional encontra respaldo na incompetência e cumplicidade do Executivo e do Legislativo somados à omissão,lentidão e idiossincrasias do Judiciário,que mais lembra o histórico romance O Processo, com o qual Franz Kafka brindou os anos 1925.

O SUCATEAMENTO
O sucateamento do sistema penal brasileiro se arrasta desde a edição do Código Penal do Brasil em 1940.Mas,conforme reconhecem os melhores juristas brasileiros, se agravou nos últimos 12 anos,desde a ascensão do PT ao poder.
Como uma colcha de retalhos,virou um amontoado de palavras sem sentido prático, desatualizado,sem nexo,sem eira nem beira,que só serve para proteger os bandidos,formando um sistema penal onde mantém dois terços dos presos sem condenação por serem pretos e pobres e milhares soltos nas ruas por serem brancos.


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