Acompanhe nas redes sociais:

13 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 908 / 2017

02/02/2017 - 21:45:54

Família quer nova perícia sobre morte de jornalista

Neto de delegado da PF continua preso pelo assassinato do avô

Vera Alves [email protected]
Carminha Rodrigues, mãe da jornalista, diz que Omena a matou

A mãe e a filha da jornalista e consultora Márcia Rodrigues Farias, Carminha e Débora Rodrigues, decidiram contratar um perito independente para analisar as provas referentes ao que a Polícia Civil definiu como suicídio dela. Ambas estão inconformadas com a conclusão do inquérito sobre a morte ocorrida no dia 14 de agosto do ano passado na casa em que o delegado aposentado da Polícia Federal Milton Omena Farias, o pai, morava desde que se separara da mulher.


Omena, morto pelo neto – Milton Omena Farias Neto – no início da tarde da sexta-feira passada, na cozinha da casa localizada no Condomínio Porto di Mare, em Paripueira, continua sendo para a ex-esposa e para os filhos de Márcia o autor dos disparos que a mataram naquele Dia dos Pais. Em busca de provas do homicídio, a família já decidiu que irá contratar um perito particular e não descarta a possibilidade de pedir à Justiça que o corpo da jornalista seja exumado.


O advogado Leonardo Morais, que defende o neto do delegado, disse que a família também não abre mão do exame residuográfico que deverá atestar se havia ou não fragmentos metálicos de chumbo nas mãos de Márcia. Em caso positivo, confirmaria a tese de suicídio defendida por Omena até sua morte e apresentada pela polícia na segunda, 30, três dias após ele ter sido morto com uma facada no peito pelo filho dela.


O jovem de 23 anos, que estava residindo na Irlanda até a morte da mãe, soubera na sexta-feira de manhã que a Polícia chegara a uma conclusão sobre a morte dela e a apresentaria em coletiva de imprensa às 16 horas e foi falar com o avô. Queria dele a confissão de que matara a filha. Chegou ao condomínio pouco antes das 12 horas quando, na versão dele, os dois discutiram, entraram em luta corporal e ele terminou atingindo Omena com uma facada. Tratava-se de uma faca-peixeira que o delegado pegara na cozinha, onde estavam.


A defesa de Neto anexou fotos que mostram ferimentos nos braços do jovem e que sustentam a tese de legítima defesa inicialmente descartada pela Justiça. No domingo, 29, o juiz plantonista das comarcas do litoral norte, Diogo Mendonça, decretou a prisão preventiva do jovem, argumentando não haver indícios de que ele tenha matado para não morrer.


As fotos foram anexadas por Leonardo Morais no processo e ontem, 2, ele voltou a pedir a soltura do cliente, o que pode ocorrer ainda hoje caso a justiça acate os argumentos. Por ora, Milton Neto permanece preso na Casa de Detenção de Maceió, o Cadeião, onde a avó e a irmã temem que ele seja alvo de represálias já que o avô fazia parte das forças de segurança e, ainda que estivesse aposentado, possuía amizades no meio policial.


Considerado inteligente pelos amigos e familiares, Milton Neto foi destaque na imprensa local aos 15 anos como único estudante brasileiro convidado para um treinamento na Nasa, a agência espacial dos EUA.
Mais tarde, outro feito: o desenvolvimento de um aplicativo o levou a ser convidado para estagiar em Dublin, na Irlanda. Ele estava em Alagoas, em férias, quando a mãe morreu. Já a irmã, Débora, que estava morando em São Paulo, reside com a avó desde a tragédia de agosto do ano passado.

Atuação da polícia é criticada

Foram necessários cinco meses e meio para que a Polícia Civil apresentasse os resultados da perícia feita no local da morte de Márcia: o quarto do pai. Ela foi achada deitada sobre a cama dele tendo ao lado a arma também pertencente a ele, uma pistola 765 cujo paradeiro ele afirmara ignorar. Em entrevista ao EXTRA no dia 14 de setembro, Milton Omena afirmou que há vários anos não via a arma, sequer sabia se estava ou não na casa.


Suas declarações acabariam sendo desmentidas por um vizinho, João Monteiro da Costa, segundo o qual, cerca de oito meses antes da morte da jornalista, Omena lhe pagara R$ 80 por ter levado a pistola para Recife para ser limpa.


Cobrada pela família e pela imprensa, a polícia sempre dissera estar na dependência do exame residuográfico para chegar a uma conclusão sobre o caso e que dependia do laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC), vinculado à Polícia Federal, em Brasília, para onde o material coletado das mãos de pai e filha fora enviado. Terminou encerrando o inquérito sem este laudo, argumentando que o equipamento está quebrado. E disse que seu resultado agora é inócuo, pois todas as evidências confirmam que a jornalista se matou.


Mas a apresentação da perícia em PowerPoint feita na segunda, 30, para a imprensa, não convenceu a família de Márcia. A ex-esposa e a neta do delegado continuam questionando o fato de ele ter se ausentado da cena “do crime” antes da chegada da polícia.


“É inconcebível não haver sequer marcas dos passos dele no quarto onde a única filha estava ensanguentada sobre a cama, o que significaria que ele sequer chegou perto dela para tentar socorrê-la”, afirma o advogado, que fala em nome das duas e que também considera frágeis os argumentos da Perícia Oficial para sustentar a tese de suicídio.


Morais anunciou, ainda, que haverá uma coletiva de imprensa com o psiquiatra de Márcia para falar sobre o tratamento dela. “Ele vai deixar claro que ela não tinha um quadro depressivo que implicasse em atentar contra a própria vida”, frisou.


Há ainda outros questionamentos em relação à atitude da polícia, dentre eles a de não haver comunicado à família de Márcia o resultado das investigações antes de ter convocado a imprensa, na semana passada. Nem mesmo Omena – que passara quase seis meses sob os holofotes da imprensa suspeito de ter matado a própria filha – fora informado sobre a conclusão do inquérito. E morreu sem o saber.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia