Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 907 / 2017

31/01/2017 - 11:24:08

Da apreensão à esperança

Cláudio Vieira

A inesperada morte do ministro Teori Zavascki comoveu a Nação, causando incômodos momentos de incertezas. Tais instantes de dúvidas têm feito o imaginário especular sobre as causas e motivos do acidente, dando azo a teorias de conspiração, à primeira vista sem o mínimo suporte em fatos específicos. Desde então, nos ambientes por onde tenho andado as conversas sempre giram em torno dessas especulações, bem alimentadas pelas redes sociais, o mais das vezes utilizadas para a divulgação de factoides, o que é uma lástima. Refiro-me a isso, também considerando mensagem de WhatsApp por mim recebida onde já se relacionam substancial número de políticos brasileiros – alagoanos, inclusive – receptores de propinas da Odebrecht. Mais uma vez teria ocorrido incontrolável vazamento.  Embora não seja eu tão corajoso ao ponto de “botar a mão no fogo” por nenhum dos ali nominados, considero algo fantasiosa tal lista, ao menos na enormidade dos valores supostamente recebidos. Melhor aguardar o breve desenrolar das medidas que serão adotadas, espera-se, pela ministra Carmem Lúcia e pelo Supremo Tribunal.


Nada disso se pode encarar como anormalidades, porém. A personalidade do ministro – fechado e infenso às abordagens interesseiras, como dito pelo notório Romero Jucá; a iminência da homologação das delações premiadas da Odebrecht; os possíveis denunciados em tais delações e em outras, políticos de variados graus de poder, tudo isso é ingrediente a fermentar o cérebro das pessoas, quase todas sinceramente preocupadas com o futuro da Lava Jato. E têm razão, pois independentemente do que haja ocorrido na morte de Teori, parece evidente que investigados e denunciados tentarão aproveitar-se do momento, se não para melar de vez a operação – o que pode ser impossível – certamente para forçar demora no andamento dos processos, pois a busca de prescrição das ações penais não está fora de questão. Aliás, talvez seja esta a única saída para os muitos corruptos que estavam sujeitos à caneta do ministro.


Malgrado as relevantes questões, prefiro pensar não haver incerteza no futuro da Lava Jato, e de outras operações que tais, certo de que as cidadãs e os cidadãos estaremos vigilantes e ativos, em atalaia permanente que coibirá os judas e barrabazes de agirem à sorrelfa, manhosa e artimanhosamente – do que são bem capazes – visando frustrar a Nação e a cidadania. Enfim, a esperança estará em nós mesmos.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia