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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 907 / 2017

31/01/2017 - 11:19:27

É questão de razão ou compaixão?

Jorge Morais

Ao final desse artigo, muita gente vai ficar contra e uma outra parte vai concordar. Vai ter também quem insista em não entender a gravidade da situação, como, pela emoção, achar culpados e dizer que tudo é fácil de resolver. Me refiro à situação crítica, quase de miserabilidade, onde vivem as pessoas na Favela Sururu de Capote, às margens da Lagoa Mundaú, no Dique Estrada, em Maceió.


Recentemente, a TV Pajuçara apresentou uma matéria mostrando que crianças e adultos vivem, literalmente, dentro da lama. Ou melhor: vivem cercadas pela sujeira, consequentemente, à própria sorte em relação a todo tipo de doenças. A mais frequente é conhecida como bicho de pé. A doença bicho de pé “acontece quando uma pulga chamada de tunga penetrans invade e penetra a pele do paciente, geralmente na região dos pés, atingindo os dedos, unhas e solo do pé. Geralmente atinge as pessoas no verão, quando em praias ficam descalças e o risco da pulga penetrar na pele é maior”.


Mesmo a explicação sendo dirigida às praias, muitos outros lugares também são afetados pela pulga transmissora, como as margens de rios e lagoas, onde, nesse caso, a lama e a água empoçadas pisadas por adultos e crianças são contaminadas nesse ambiente propício. Dada essa explicação médica, claro que ouvindo um especialista, chegamos, agora, ao assunto que mais interessa: como resolver esse problema? É uma questão de saúde pública? É uma questão política e de gestão? Enfim, como resolver?
Pelos comentários na mídia, a culpa é da Prefeitura. A quem diga, diretamente, que a culpa é do prefeito. Será que é somente isso mesmo? Lanço, aqui, algumas sugestões para acabar com o problema do bicho de pé. A Prefeitura vai até a Lagoa Mundaú e acaba com a favela lá existente. Ninguém vai querer sair, porque é da lagoa que essa gente tira o sustento. Nessa hora, a doença é o de menos.


Depois, retirando as pessoas daquela área, se é que vai ser possível isso, alojar aonde essas famílias? A cidade está preparada para isso? Tem casas construídas para receber todo mundo? Quantas vezes aquelas ou outras pessoas já foram retiradas da lagoa do Dique Estrada e já retornaram ao mesmo ambiente? Saindo, como vão garantir o sustento dos familiares?


Permanecendo as famílias naquela área, como a Prefeitura vai conseguir fazer a urbanização que todo mundo cobra? É fácil resolver? Nada é fácil, até porque o que é fácil já foi feito. Acho, no entanto, que não pode continuar do jeito que está. Temos que ser solidários nessa hora. Mas no dia em que a Prefeitura resolver mexer na Favela Sururu de Capote, as mesmas pessoas que reclamam da ausência do poder público na região serão as mesmas que serão solidárias às famílias desalojadas.


Quantas administrações passaram pela Prefeitura de Maceió e tentaram resolver o problema da lagoa, da sujeira e do ambiente desfavorável? Me recordo dos prefeitos Fernando Collor e José Bandeira, os primeiros que tentaram alguma coisa. Collor conseguiu tirar todos os barracos e limpar a área. Depois, novamente invadida, foi a vez do Bandeira, que terminou sendo acusado pelos correligionários de prejudicar o partido nas vésperas de uma eleição com sua atitude. De lá para cá, alguns paliativos e a situação só piorando. 


Nesse momento de discussão e de comoção por parte da sociedade, sugiro ao prefeito de Maceió, Rui Palmeira, um mutirão de todos os órgãos do município, isso mesmo, todos, para que seja feito um trabalho paliativo até se encontrar uma solução definitiva para a região, em um ambiente complicado e proporcionado, também, pela população, sem educação doméstica. Um exemplo verdadeiro disso é visto às margens da pista dupla do Dique Estrada, onde catadores de sururu espalham as cascas do marisco pelas calçadas e nas pistas. Imagine como está lá dentro.


Por isso o título: É questão de razão ou compaixão? Resolva aí esse abacaxi...

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