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22 de Novembro de 2018

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Edição nº 906 / 2017

24/01/2017 - 08:05:25

Está chegando a hora da faxina

ELIAS FRAGOSO

Em meados de novembro do ano que passou havíamos alertado que “vivenciamos um momento de ruptura política e forte tendência de ruptura social que poucos ainda se deram conta de sua extensão e profundidade”. O que está acontecendo nas cadeias brasileiras nada mais é que a ponta do iceberg da verdadeira bomba de nêutron prestes a explodir no colo dos brasileiros.


Não se brinca com fogo. Foram anos e anos, dezenas, de descaso, promessas nunca cumpridas, nenhuma evolução social, saúde e educação absurdamente abandonadas e muita, muita repressão policial contra tudo e todos que tiveram a pouca sorte de nascer nas franjas das nossas cidades.


Aqueles que por força de atividades profissionais ou razões outras adentram nos cafundós das nossas urbes sabem bem do que falo. Aquilo lá não é mais um barril de pólvora. Já explodiu. O crime organizado – e falo aqui dos seus “donos” incrustados em nossa sociedade e não dos “líderes” que lá moram ou estão presos – é o verdadeiro senhor das periferias. O Estado, repressor e ausente, há muito perdeu as condições de “gerenciar” o problema. Às pessoas de bem não resta opção: ou são cooptadas pelo crime ou têm que aprender a conviver na marra com ele e a violência policial.


O que a sociedade ainda não percebeu é que assaltos, roubos, furtos, assassinatos e outros pequenos crimes que começam a “rotinizar” a vida do brasileiro podem ser só um começo do problema que a crise econômica que vivemos exponenciou.


Logo, logo, eles, os esquecidos dos cafundós, poderão vir com tudo pra cima de todos. Seria a “formalização” da guerrilha urbana que já vivenciamos. Uma guerra para a qual não estamos preparados e menos ainda esses governos incompetentes e corruptos.


Nesse sentido, uma conversa do ex-presidente Figueiredo com o seu então ministro do interior, Mário Andreazza, na varanda de seu apartamento na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (ao lado da favela da Rocinha), foi ao mesmo tempo premonitória e verdadeira: “Mário, se eles (os favelados) tomam consciência do poder que têm, nós aqui embaixo estamos fritos”.


Quando as instituições do Estado se corrompem, os representantes do povo de forma inaudita corrompem e são corrompidos e, pior, ainda insistem em se auto anistiarem e processar aqueles que os acusam; quando governantes apesar de todo o aparato de segurança do Estado são incapazes de administrar revoltas dentre de prisões; quando os governos se apoiam em corruptos, bandidos ou assassinos acobertados por acólitos sempre dispostos a vender a alma por um cargo; quando os recursos do Estado são malbaratados entre as “gangues” corporativas que infestam o setor público, ao brasileiro de bem só resta mesmo ir às ruas e votar.


Contra tudo isso que aí está. Não elegendo nenhum dos atuais “representados”. Abrindo espaços a novas lideranças, capazes e dispostas a assumir compromissos com o futuro da Nação e a necessária faxina ética a ser feita na política, nas relações governo-empresas, no crime organizado e na reforma da economia. Não é pouco. Só depende de cada um de nós para sairmos dessa situação.

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