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16 de Dezembro de 2018

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Edição nº 906 / 2017

24/01/2017 - 07:55:13

Teori Zavascki morre em acidente de avião em Paraty

Relator das ações da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro tinha 68 anos

FOLHAPRESS

O ministro Teori Zavascki, 68, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, morreu na tarde desta quinta-feira (19) em um acidente de avião na costa de Paraty (RJ). A informação foi confirmada pelo filho do ministro.


Até o fechamento desta edição, o Corpo de Bombeiros do Rio havia confirmado que ao menos três pessoas morreram na queda. De acordo com os bombeiros, o avião estava submerso com três pessoas presas nas ferragens. Não havia informações sobre os demais ocupantes. A capacidade da aeronave é de sete pessoas, incluindo tripulantes.


A aeronave, um bimotor prefixo PR-SOM, havia saído do Campo de Marte, em São Paulo, às 13h01 (horário de Brasília). Segundo a Infraero e Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ela pertence à Emiliano Empreendimentos e Participações Hoteleiras, dona do hotel Emiliano.


Os bombeiros foram acionados às 14h15. Mergulhadores da corporação identificaram três pessoas nas ferragens. Os bombeiros tentam trazer o avião à superfície para fazer a retirada de corpos.


O avião caiu no mar de Paraty, próximo da chamada Ilha Rasa, que fica a cerca de dois quilômetros do litoral. Paraty fica a 250 quilômetros da capital do Rio.
A informação sobre o acidente chegou à Aeronáutica a partir do Corpo de Bombeiros do Rio. O braço regional do Cenipa no Rio enviou uma equipe à região. Devido a “intensas chuvas” que caem na região, segundo a Aeronáutica, a equipe teve que se deslocar de carro, e chegaria ao local do acidente no início da noite desta quinta-feira (19).


A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), retornou de Belo Horizonte para Brasília para acompanhar a apuração sobre a queda do avião. A informação é da assessoria de imprensa da ministra.


Cármen Lúcia avisou Michel Temer quando foi informada por assessores do ocorrido.

SUBSTITUTO
Com a morte de Teori, de acordo com o Regimento Interno da Corte, o relator dos processos da Lava Jato deverá ser o próximo ministro a ser indicado pelo presidente Michel Temer. Para chegar à Corte, o substituto deverá passar por sabatina na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado e ter o nome aprovado

Discreto, ministro ganhou notoriedade com decisões inéditas

Ao lado de nomes como o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, o ministro do Supremo Teori Zavascki, 68, se tornou um dos nomes mais conhecidos da Operação Lava Jato.
Zavascki entrou na corte em 2012, por nomeação da então presidente Dilma Rousseff, em meio à parte final do julgamento do mensalão. À época, era o maior caso a ser sentenciado na corte, mas ele não participou da fase principal do trâmite.


Em 2014, com a deflagração da Lava Jato pela PF e a consequente menção a políticos com foro privilegiado por delatores, passou a ser o relator da corte da maior investigação sobre corrupção da história do país.


Ganhou notoriedade com ordens até então inéditas, que acabaram avalizadas pelos demais ministros. As principais foram a ordem de afastamento do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do comando da Câmara, em 2016, e a ordem de prisão do então senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), em 2015. Delcídio foi o primeiro senador a ser detido no exercício do mandato.


Todos os casos relacionados à Lava Jato que incluíam suspeitos com foro privilegiado, como congressistas e ministros, ficavam sob sua responsabilidade.


Avesso a entrevistas, Zavascki quase não se manifestava publicamente fora dos processos. A jornalistas, antes do recesso do Judiciário, em dezembro, disse que 2016 tinha sido um “ano difícil para o Brasil”.
Durante o recesso, o ministro analisava a homologação das delações da Odebrecht, o maior acordo de colaboração da Lava Jato. A expectativa era que o trabalho estivesse pronto no próximo mês.

A CARREIRA
Nascido em Faxinal (SC), Zavascki fez carreira no Rio Grande do Sul. Foi advogado e assumiu como juiz do Tribunal Regional Federal da 4ª Região em 1989. Também integrou o Tribunal Regional Eleitoral do Estado.


Em 2003, foi nomeado ministro do Superior Tribunal de Justiça, cargo no qual permaneceu até 2012, quando foi nomeado para o Supremo na vaga de Cezar Peluso, ex-presidente da corte.
Uma de suas poucas faces públicas fora do Judiciário era no campo esportivo: torcedor do Grêmio, foi conselheiro eleito do clube gaúcho.

Delegado questiona ‘acidente’ e pede investigação

Um dos principais investigadores da Operação Lava Jato, o delegado federal Marcio Adriano Anselmo pediu a investigação “a fundo” da morte do ministro Teori Zavascki, “na véspera da homologação da colaboração premiada da Odebrecht”.

“Esse ‘acidente’ deve ser investigado a fundo”, escreveu em sua página no Facebook, destacando a palavra “acidente” entre aspas.

Anselmo afirmou que a morte de Teori é “o prenúncio do fim de uma era” e disse que ele “lavou a alma do STF à frente da Lava Jato”.

“Surpreendeu a todos pelo extremo zelo com que suportou todo esse período conturbado”, afirmou.


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