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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 906 / 2017

24/01/2017 - 07:52:54

Economista defende reestruturação da posse da terra

Sem ‘reformas profundas’, Governo de Alagoas não terá ‘proposta séria’ de desenvolvimento no Nordeste

Odilon Rios Especial para o EXTRA

Em meio à crise fiscal e econômica no país, o Governo Renan Filho (PMDB) tem de avançar em reformas mais profundas- como a reestruturação da posse da terra- para que Alagoas construa uma proposta séria de desenvolvimento no Nordeste, avalia o economista Luiz Eduardo Simões de Souza, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Maranhão, com passagem pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal).


Segundo ele, “não dá para levar a sério uma proposta de desenvolvimento do Nordeste que não mexa na estrutura de posse de terra”. Cita o Maranhão (segundo mais pobre do Brasil, pelos dados do IBGE) e Alagoas (terceiro mais pobre) como exemplos desta mudança: menos concentração de terras facilitariam o avanço de projetos na área de agricultura familiar, além do melhor aproveitamento das águas do Canal do Sertão, que opera atualmente com 65 quilômetros de extensão.


O governo comemorou esta semana a retomada das obras da BR-101, embargadas pela Justiça; a posse do novo secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Fernando Pereira, que até maio retoma a entrega de cestas nutricionais para gestantes de alto risco de vulnerabilidade social; além de obras emergenciais no combate à seca em Palmeira dos Índios, após a barragem da Carangueja (principal da cidade) estar funcionando no volume morto, segundo a Prefeitura do município.


Porém, a concentração de terras é cada vez maior nas mãos de poucas famílias no Estado.
Em dezembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou que, em Alagoas, a área plantada de cana-de-açúcar, após enfrentar período de recuo, é maior na safra 2016/2017, passando de 323,6 mil hectares para 340,5 mil hectares. Aumento de 5,22%.


O aumento da área plantada de cana significa menos espaço aos pequenos produtores de feijão, macaxeira e inhame, por exemplo. Significa, também, produtos mais caros (mais dificuldade de áreas para o plantio) e menos dinheiro circulando a quem produz outras culturas.


Usinas alagoanas programam aumento de 9,66% na moagem de cana-de-açúcar, estima o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar).


“Não dá para levar a sério uma proposta de desenvolvimento do Nordeste que não mexa na estrutura de posse de terra”, enfatiza o economista.


Aí vem coisas como “botar a culpa no governo federal”, “investir no turismo” e outras prestidigitações, características de quem as defende. “Para mim, sem mexer antes na estrutura de posse de terra, não dá para começar a conversar sobre desenvolver o Nordeste”, reafirma.
Essa perfumaria talvez caísse bem após uma reestruturação da posse de terra”, disse o economista.
Estimativa do governo é que as safras de cana em Alagoas movimentam 60 mil empregos.

DÍVIDAS
E mesmo este volume de empregos mais a redução do índice de endividamento em Maceió- segundo mostrou esta semana a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio)- mostra aos alagoanos que o cenário ainda é ruim para o consumo.

Porque a “queda da inflação anunciada pelo governo golpista é uma paz de cemitério, vindo junto com a recessão e o desemprego”.

“A redução da inflação pode se dar pela queda de preços ocasionada pela queda do consumo dada pela queda da demanda. Queda de preços nem sempre é boa notícia. As estatísticas de endividamento não incluem aqueles que têm dívidas há mais de três ou cinco anos, período em que a maior parte delas prescreve. Mas se a renda dessas pessoas não subiu, efetivamente, não há como fazê-las consumir sem entrar novamente no ciclo de endividamento”, analisa o economista.

E este cenário deve piorar em junho. O alagoano deve estar preparado.
“Mandar as pessoas ao consumo hoje é uma irresponsabilidade. Especialmente se fizerem uso de crédito. É o pior crime que um economista pode cometer. É evidente que os comerciantes querem mais vendas. Mas a situação não favorece mesmo eles”, explica o economista.

Segundo o Fundo Monetário Internacional, previsão para a economia brasileira é de recessão pelos próximos três anos.

“No lugar do endividado, eu esperaria um pouco até o cenário político e econômico se mostrar um pouco mais desanuviado ou definido. Os únicos sócios defensores do atual governo trabalham no curtíssimo prazo. Os grandes grupos de comunicação receberam ajudas vultosas recentemente. Ao endividado: espere a instituição dar o primeiro passo, no momento. E muito cuidado para não terminar pagando um contrato leonino”, afirma o professor do Departamento de Economia do Maranhão.

De acordo com a Fecomércio alagoana, o índice de endividamento em Maceió reduziu 8,9% em dezembro do ano passado.

Mas, a cada dez maceioenses, seis estão pendurados em dívidas; três estão com contas atrasadas. E nove em cada dez estão endividados na mesma fonte: o cartão de crédito, que ano passado atingiu 470% em juros.

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