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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 906 / 2017

24/01/2017 - 07:21:46

Jorge Oliveira

Barra virou um caos

Jorge Oliveira

Barra de S. Miguel, AL - Os desavisados que teimam em chegar à Barra de São Miguel não sabem o que vão encontrar pela frente: uma cidade sem infraestrutura para receber os veranistas e os turistas nas suas belas praias. Praticamente abandonada pela atual administração, sem saneamento, pavimentação e com as ruas tomadas pelo lixo, a Barra de São Miguel deixou de ser o cartão postal de Alagoas para se transformar no pior local para os que procuram lazer, paz e sossego.
Com o IPTU mais caro entre as cidades litorâneas, a cidade virou um pesadelo: de dia falta água e de noite falta luz. Mas as cobranças dos impostos não param de chegar aos moradores, com faixas da prefeitura espalhadas em vários cantos da cidade lembrando que o contribuinte não pode deixar de cumprir as suas obrigações. Há quem afirme que a cobrança é seletiva. Condomínios de luxo estão sem pagar o IPTU e a administração simplesmente faz cara de paisagem aos inadimplentes de milhões de reais.
As praias estão sujas, as ruas mais ainda. Os canteiros que dividem as pistas da primeira entrada da cidade foram tomados pelo mato. A pavimentação está esburacada em vários locais deixando as ruas intransitáveis aos primeiros pingos de chuva. E a população, que não tem para quem apelar, vive sob a ameaça do mosquito da dengue que faz foco nas poças de água e nos terrenos abandonados. Quando questionada, a administração diz que não tem máquinas para limpar os locais. Quando aparecem as máquinas, alega que não tem dinheiro para abastecê-las. É o caos generalizado.
A Eletrobras tem provocado danos irreversíveis aos moradores com a falta de manutenção na rede elétrica. Com a oscilação da energia, dezenas de eletrodomésticos foram queimados e os curto-circuitos viraram rotina nas casas, muitas já danificadas pelo fogo. Outros serviços, como os da internet, por exemplo, também são deficientes. Mal e porcamente o sinal chega aos computadores, levando os moradores ao desespero.
Postes de energia continuam no chão e o esgoto corre a céu aberto como acontece nas ruas adjacentes à pousada Kinoa, uma das mais sofisticadas do país. Ali, a pavimentação também só chegou na primeira rua. As outras, esburacadas e enlameadas, são o tormento de quem passa férias ou mora nas redondezas. A prefeitura não adotou nenhum critério para pavimentar as ruas. Atende aos pedidos dos residentes mais importantes, privilegiando aqueles dos quais a administração teme retaliação.
Com uma equipe medíocre, incapaz e incompetente, o atual prefeito vive refém dos seus auxiliares. Pouco aparece na prefeitura, e quando aparece diz não ter tempo para resolver os problemas da cidade, alegando poucos recursos da prefeitura coisa que ele sabia existirem antes da reeleição.
Outra coisa esquisita no município é a liberação dos terrenos entre o Francês e a Barra para a construção de condomínios, áreas que antes eram consideradas como de preservação ambiental. De uma hora para outra, os terrenos começaram a ser cercados e os morros ao redor fatiados (crime ambiental) para servirem de aberturas de ruas desses empreendimentos. Nesse caso, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado deve uma satisfação à população, a quem nunca foi dada a palavra para se manifestar sobre esse abuso ao meio ambiente.
É lamentável que tudo isso venha ocorrendo num dos locais mais atraentes de Alagoas, onde o mar ainda sobrevive a tanta sujeira e tanto descalabro. Por enquanto...

O buchicho
A questão aqui é se é ético ou não o ministro Gilmar Mendes, do STF, pegar uma carona no avião presidencial que levou Temer para Lisboa, onde os dois participaram do velório do ex-presidente Mário Soares. A viagem não seria tão criticada se o ministro não estivesse envolvido no processo que decidirá este ano se a chapa Dilma/Temer cometeu abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014. Caso as denúncias sejam confirmadas, o presidente pode ser cassado e novas eleições serão convocadas. Questionado, o ministro já contra-atacou. Disse que não via na viagem nenhum ato espúrio nem conflito de interesse. Com essas declarações acusa que as críticas já o incomodam.

Processo
A verdade é que soa muito estranho que Mendes tenha compartilhado a viagem com Temer a Portugal. Excetuado o exagero, seria a mesma coisa de Sérgio Moro aceitar um convite de Marcelo Odebrecht para uma solenidade no exterior no avião da sua empresa, depois de confirmadas as suspeitas de que o magnata das construtoras do Brasil estivesse envolvido em fraudes. Não se pode aqui levantar nenhum tipo de suspeita sobre a decisão de Mendes no julgamento que se aproxima do processo eleitoral da dupla, mas o certo é que não se sabe até que ponto esse colóquio aéreo pode influenciar numa decisão final.
Diferente
Gilmar Mendes é uma peça diferenciada dentro do Supremo Tribunal Federal. Vive metido em polêmicas desde que assumiu a Corte no governo de Fernando Henrique Cardoso, de quem foi advogado-geral da União. Pelas atitudes ácidas contra o PT já foi identificado por seus militantes como um representante dos tucanos no tribunal. Ao contrário de alguns de seus pares dentro do STF que se reservam ao anonimato, Mendes não tem papas na língua. Na polêmica que envolveu o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ministro Marcos Mello, soltou um míssil que atingiu o colega, chamando-o de maluco. E em 2009 quase saiu aos tapas numa discussão com Joaquim Barbosa.
Reação
A viagem de Mendes no avião presidencial, pelo que se sabe até agora, não provocou nenhuma reação dentro do tribunal, até porque seus colegas estão em recesso. Mas na rede social, acessada por milhões de brasileiros, essa pausa não existe. Por isso, o ministro está sendo condenado pelos internautas que desaprovam a sua viagem a bordo do avião da presidência.

Polêmico
Acostumado a polêmicas, Mendes não deu muita bola para o seu papel no processo eleitoral ao aceitar viajar com Temer. Mesmo sendo o responsável por definir a pauta de julgamento do Tribunal Superior Eleitoral e um dos integrantes da Corte que votará pela cassação (ou não) da chapa, ignorou a repercussão do seu ato.

Comprometido
Mendes pode até fazer ouvido de mercador e resistir às criticas pela viagem no avião presidencial. Não pode negar, entretanto, que o seu julgamento da chapa Dilma/Temer está agora seriamente comprometido. Se condenar vai amargar um descontentamento com o presidente, e se o absolver vai parecer coisa de conchavo. O melhor seria então ter pago do próprio bolso a viagem a Lisboa para evitar esse tipo de buchicho maldoso. Ou se considerar impedido para julgar o caso, depois desse evento desastroso que compromete seriamente o seu voto.

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