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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 905 / 2017

12/01/2017 - 19:37:11

Dívidas da Convenção Batista estão sendo investigadas

Inquérito dará conta das negociações da venda do Colégio Batista colocada sob suspeita por pastor

José Fernando Martins [email protected]
Pastor Givago Souza afirma haver indícios de corrupção por parte das gestões passadas

Começaram as diligências da Polícia Federal no inquérito que envolve as contas da Convenção Batista Alagoana que, hoje, possui uma dívida de R$ 22 milhões, valor que ameaça todo o patrimônio da instituição. A investigação está por conta do delegado Gustavo Gatto. Conforme o atual presidente da Convenção, pastor Givago Souza, as consequências da “má administração” das diretorias passadas não param de surpreender. 

“Chegou para nós indícios de corrupção da década de 80 que envolvem a venda de lotes de parte do Acampamento Batista. Parte do terreno foi dividida e comprada pelos próprios diretores da época por quantia abaixo do mercado. Terrenos que valiam Cr$ 130 mil foram vendidos por Cr$ 70 mil com a vantagem de parcelamento em quatro vezes”, contou o religioso à reportagem do EXTRA. 

Voltando ao presente, a Convenção Batista ainda precisa resolver as 103 ações que coleciona na Justiça. Recentemente, foi necessário mais uma penhora do Acampamento Batista para quitar o valor executado de R$ 190 mil. Entre os processos, estão os de antigos funcionários que lutam para receber os direitos trabalhistas e dívidas com a Receita, que somam R$ 14 milhões. “Estive na Polícia Federal em novembro onde vi que o inquérito 209/2015 foi enfim aberto. Me disseram que já começaram as diligências”, disse Souza. 

O inquérito é para investigar a antiga diretoria que teria usado de má fé, por exemplo, na venda do Colégio Batista. Uma auditoria chegou a ser realizada para apurar as contas da gestão uma vez presidida pelo pastor Alcides Martins. Conforme já publicado por este periódico, o procurador da República, Gino Sérgio Malta Lobo, expôs que a “Convenção Batista Alagoana e o Colégio Batista Alagoano realizaram negociatas com o objetivo de se desfazerem do patrimônio para não terem bens sujeitos à penhora nas ações fiscais propostas contra ele”. 

A questão-chave seria a venda do terreno do Colégio Batista que foi avaliado em R$ 19 milhões. Na época, a Convenção recebeu a proposta de compra por R$ 17 milhões, mas acabou vendendo por R$ 7 milhões para a Record Planejamento. No local hoje estão sendo construídas duas torres do condomínio Mansões do Alto, que totalizam 69 unidades distribuídas em nove pavimentos.  O valor pago à Convenção foi de R$ 7 milhões, sendo R$ 3,5 milhões em dinheiro e mais 20 apartamentos para serem vendidos no futuro empreendimento.

Venda da Ibesa: negócio mal explicado

Os motivos que levaram ao fechamento do Colégio Batista foram as dificuldades financeiras, principalmente com INSS, FGTS que levaram a instituição a responder várias ações judiciais e execuções fiscais. Outro impasse que tende a ser investigado é a venda da Faculdade Ibesa. “A carteira da nossa faculdade foi vendida por R$ 1,1 milhão enquanto a dívida do Ibesa era de R$ 261 mil. A pessoa que estava fazendo a corretagem da instituição foi a mesma que comprou. Após a negociação, a dívida passou para R$ 2,4 milhões sem nenhuma auditoria e nem prestação de contas. Foi trazido isso para o Conselho da época, que aceitou pagar a quantia. Hoje, estamos pedindo na justiça a existência real desse débito”, contou o pastor.

Em carta aberta, Souza declarou que “nossos terrenos e apartamentos foram penhorados. Nossos advogados já tomaram as medidas cabíveis junto a Justiça Federal, estando o processo em Recife para julgamento pelos desembargadores. É momento de nos unirmos, não de mais divisão e críticas. Primeiro para que clamemos sem cessar para que o dono dessa obra nos dê sabedoria e ousadia para que possamos tomar todas as providências necessárias de modo a conseguir preservar aquilo que é fruto do trabalho de tantas vidas que se dedicaram a construir essa obra”.

 A reportagem entrou em contato com o antigo presidente da Convenção Batista Alagoana, pastor Alcides Martins, frequentador da Igreja Batista Betel. Questionado sobre as acusações da atual diretoria, Martins explicou que “já participou de oitivas no Ministério Público Federal (MPF), que não viu indícios de corrupção”. Ainda segundo Martins, ele não teme as investigações da Polícia Federal. “Podem quebrar meu sigilo bancário e telefônico. Não vão encontrar nada”, disse. Reafirmou também que  toda negociação foi realizada de modo democrático e transparente, além da rescisão dos trabalhadores e da quitação de direitos trabalhistas. 

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