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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 905 / 2017

12/01/2017 - 19:35:15

Alagoas tem 27 municípios entre os 150 mais violentos do País

Murici apresenta número assustador; dados se referem apenas a Homicídios por Arma de Fogo

DA REDAÇÃO

Alagoas fechou o ano de 2016 como o estado onde mais se mata por arma de fogo no País. O Mapa da Violência, elaborado pela Flacso Brasil (Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais) e organizado pelo professor Julio Jacobo Waiselfiz, aponta que 27 dos 102 municípios alagoanos estão entre os 150 mais violentos do Brasil, ou seja, 26,5%. O destaque, negativo, fica com Murici, que ocupa o 2º lugar no ranking nacional. Maceió, por sua vez, está na 21ª colocação. Mas se tratando de capital, em 2004 estava no 4º lugar e agora pula para o 2º.

O levantamento, que utiliza dados de 2014 como ano de referência, aponta uma taxa de 56,1 vítimas por 100 mil habitantes no estado. Embora os dados se refiram somente a HAF (Homicídios por Arma de Fogo), pessoas do sexo masculino, jovens com idades entre 15 a 29 anos e da cor preta ou parda lideram o número de mortos no País e por aqui não é diferente. De acordo com o Mapa, a cada 13 vítimas de homicídio em Alagoas, 12 são negras.

As tabelas apresentadas no estudo mostram comparativos das taxas de HAF dos anos 2000 e 2014, onde as oito UFs (Unidades Federativas), que na virada de século ocupavam os primeiros lugares no Mapa da Violência por armas de fogo, evidenciam quedas em 2014. Em alguns casos bem significativos, como o Rio de Janeiro, que ocupava o primeiro lugar em 2000 e passou para o 15º. Já em relação a homicídios por armas de fogo nas capitais os índices ainda são bastantes elevados. De acordo com o estudo, “se a taxa nacional de HAF foi, em 2014, de 21,2 por 100 mil, a das capitais foi de 30,3”. 

O estudo avaliou ainda a quantidade de homicídios nos municípios alagoanos. Murici conseguiu ficar  entre os dois do país que ultrapassam a marca dos 100 homicídios por armas de fogo a cada 100 mil habitantes. Ficando atrás apenas de Mata de São João (102,9), na Bahia. O número foi considerado pela pesquisa como equivalente a de zonas de guerra. Vale ressaltar que para o cálculo foram consideradas as cidades com mais de 10 mil habitantes, onde aconteceram 98% dos assassinatos por arma no País, no período de 2012 a 2014.

Segundo Jacobo Waiselfisz, houve uma interiorização dos crimes no Brasil, antes concentrados em grandes capitais. “Surgiram polos industriais, que são atrativos de população e de violência”, disse o sociólogo. Ele argumentou que a “pandemia de violência” não foi acompanhada por incremento no aparato de segurança desses locais.

Os dados são alarmantes e o comparativo não poderia ser diferente. De acordo com o levantamento, as armas de fogo mataram 123 pessoas por dia em 2014. Mais do que no Massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos em São Paulo, em 1992.

Importante destacar que em 2014, base de dados do levantamento, o Brasil figurava como o 4º maior exportador de armas de fogo. “De 1980 até 2014 morreram no Brasil 967.851 vítimas de disparo de arma de fogo. Se esse número já é assustador, ainda mais impactante é verificar que 830.420 dessas mortes, isto é, 85,8% do total, foram resultantes de agressão com intenção de matar: foram homicídios”.

Campanha pelo desarmamento 

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Alagoas tem feito um trabalho para tirar armas de fogo de circulação e, com isso, reduzir os homicídios. O ônibus da Campanha de Entrega Voluntária de Armas de Fogo da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev) recebe armas de fogo, munições e acessórios. A unidade móvel fica sempre estacionada em praças ou locais de bastante movimento para facilitar a entrega. De acordo informações da Agência Alagoas, a entrega pode ocorrer de forma anônima e a bonificação varia a depender do tipo de arma. 

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