Acompanhe nas redes sociais:

20 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 904 / 2017

05/01/2017 - 19:04:30

Morte de jornalista permanece sob mistério

Polícia ainda aguarda laudo de Brasília; delegado aposentado da pf reforma casa onde a filha foi achada morta com dois tiros no dia dos pais

Vera Alves [email protected]
Márcia foi encontrada morta com dois tiros no quarto e na cama do pai

Prestes a completar cinco meses, a morte da jornalista e consultora Márcia Rodrigues Farias permanece envolta em mistério. Suicídio ou assassinato? A resposta que a família dela e amigos tanto procuram desde o dia 14 de agosto do ano passado parece estar ainda distante. O motivo: o laudo da perícia feita em Brasília e que vai dizer quem disparou os dois tiros que a atingiram ainda não chegou a Alagoas e é fundamental para confirmar ou não a versão dada pelo pai dela, o delegado aposentado da Polícia Federal Milton Omena Farias, de que a filha se matou em um momento de depressão.

Sem a resposta técnica essencial, o delegado Tarcizo Vitorino, de Paripueira, pediu ontem (5) a prorrogação do prazo para conclusão do inquérito policial que preside. Por quanto tempo mais terá de se aguardar depende agora da promotora de Justiça Lídia Malta Prata Lima.

Depende também da injustificada e demorada conclusão da perícia residual a cargo do Instituto Nacional de Criminalística – INC, o órgão central de Criminalística da Polícia Federal, ligado à Diretoria Técnico-Científica do Departamento de Polícia Federal (INC/DITEC/DPF) em Brasília.

A morte de Márcia Rodrigues acabou se tornando um caso emblemático para a polícia de Alagoas. Sem testemunhas e sem câmeras de vídeo, apenas a perícia poderá esclarecer de vez qualquer dúvida, segundo assinala o presidente do inquérito que, a despeito de já ter ouvido familiares, amigos e haver investigado a vida de Márcia Rodrigues e de Milton Omena, não se arrisca a qualquer prognóstico. 

E ainda que a polícia considerasse a possibilidade de fazer uma reconstituição para esclarecer dúvidas, ela hoje já não seria mais possível. O pai da jornalista reformou a casa, derrubando paredes e mudando totalmente o cenário do local em que Márcia foi encontrada naquele 14 de agosto, Dia dos Pais.

O imóvel fica no Porto di Mare, em Paripueira, um condomínio de classe média cujos proprietários em sua maioria são veranistas, a maioria italianos.

Enquanto isto, a mãe e filhos da jornalista vivem o drama da incerteza. Trata-se de uma família já marcada por outras tragédias, como a morte precoce do único irmão de Márcia em um violento acidente de carro quando adolescente e a de um namorado dela, em 1989, por suicídio segundo a versão oficial, após ter tentado matá-la, insatisfeito com a separação.

ENTENDA O CASO

Márcia Rodrigues Farias, de 48 anos, foi encontrada morta com dois  tiros de pistola 765 no Dia dos Pais de 2016. Mãe de dois filhos, com vários cursos de especialização no Brasil e no exterior, ministrava palestras sobretudo em Alagoas e Pernambuco. Amigos a classificaram como uma pessoa espiritualizada e colocaram em dúvida a possibilidade de ela haver se matado.

A tese de suicídio é sustentada pelo pai, a única pessoa a estar com ela naquele dia. A arma também pertencia a ele, embora, em entrevista exclusiva ao EXTRA um mês após a morte da filha, ele tenha afirmado que desconhecia completamente o paradeiro da pistola automática. Sua declaração acabaria sendo desmentida 15 dias depois por um vizinho, o oficial reformado do Exército João Monteiro da Costa.

Cerca de oito meses antes da morte da jornalista, Omena entregou a arma a Costa para que ele a levasse para ser limpa em Recife e pagou R$ 80 pelo serviço. O oficial reformado do Exército também contou ter ouvido uma discussão no interior da casa no início da manhã do dia 14 de agosto, contrariando a versão do delegado aposentado da PF de não ter havido qualquer embate entre ele e a filha.

Adepto do motociclismo, Milton Omena sustenta a tese de que Márcia se matou e que atravessava uma forte depressão. Negou a existência de problemas de relacionamento com a filha, como relataram amigos dela durante o velório e o sepultamento e na missa de sétimo dia, da qual não participou. 

A mãe de Márcia, Carminha Rodrigues Farias, separada de Omena há vários anos, assim como os filhos dela, preferem não se posicionar publicamente sobre o caso enquanto a polícia não concluir o inquérito, mas cobram uma resposta para poderem retomar suas vidas.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia