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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 904 / 2017

05/01/2017 - 18:58:22

Grupo se organiza para ingressar com ação por danos morais

Bala perdida e falha na estrutura de réveillon particular abalam reputação de empresa

Da Redação

A virada do ano para centenas de pessoas que optaram pelo réveillon Celebration, festa particular que aconteceu em Maceió, por pouco não se transforma em tragédia. Como se não bastasse as reclamações desde a organização, falta de bebidas e comida de má qualidade, uma bala perdida que atingiu uma turista de São Paulo abalou a reputação do evento que corre sério risco de chegar ao fim. A notícia tomou conta da mídia e as queixas nas redes sociais sobre as deficiências dividiram opiniões. O caso é investigado pelo delegado Robervaldo Davino.

A bala que atingiu as costas da turista de São Paulo, Jéssica Degilio de Violin, 32 anos, foi apenas o estopim do problema. Para quem pagou mais de R$ 1 mil para participar da festa a reclamação vai desde desorganização no banheiro a atendimento dos seguranças. Para se ter uma ideia da importância do evento, o ingresso mais barato saiu em torno de R$ 565, o que para muitos dos participantes foi dinheiro jogado fora. Até um vídeo circula nas redes sociais de que o cantor Bell Marques ao ser puxado por uma fã levou um tombo no palco e caiu com a guitarra. Por sua, vez, o cantor não comentou o incidente e em sua página do Facebook  agradeceu a recepção recebida.

Mas as reclamações são tantas que já existe a possibilidade da criação de um grupo no Whatsapp formado por descontentes para acionar a Justiça contra os organizadores do evento por danos morais. Segundo estes participantes,“venderam  uma coisa e deram outra completamente diferente e traumática para quem esperava romper o ano novo em alto estilo”. O jornal EXTRA tentou contato com a pessoa responsável pelo grupo, mas ela não atendeu as ligações.

Diante de inúmeras versões, um amigo da turista baleada, Gustavo Martins, escreveu sobre o ocorrido e logo sua postagem foi compartilhada por outras pessoas. Na página de Rafael Guimarães, ele postou o depoimento do amigo Gustavo: “Tinha tudo para ser uma festa maravilhosa, um réveillon muito esperado por todos, inclusive para minha irmã e seus amigos de SP e da Bahia. ... Após a contagem regressiva para o ano de 2017, nos dirigimos ao bar do evento para pegarmos bebidas, e foi exatamente nessa hora em que ela foi atingida. Nossa amiga de SP começou a sentir uma dor estranha em queimação nas costas. Quando vimos, suas costas estavam sangrando. Corremos para a unidade de saúde do evento que não tinha estrutura alguma. Até água para lavar as mãos estava faltando. Só havia 3 macas para atender um público de aproximadamente 16 mil pessoas. Um verdadeiro absurdo... A médica plantonista achou muito estranho o ferimento e encaminhou nossa amiga para o hospital. Eis que surge mais um problema: a organização do evento não queria ceder a ambulância, informando que só liberariam em casos de ‘vida ou morte’.  ... Depois de muita discussão, conseguimos ter a ambulância liberada para locomoção da nossa amiga ao hospital. Na Santa Casa de Maceió, a vítima fez os exames, e no Raio-X foi detectado que em seu corpo, no lado direito de suas costas, encontrava-se um projétil de ARMA DE FOGO. Isso foi a gota d’água! Como é que num evento particular, divulgado para todo o Brasil, a gente não tenha um mínimo de segurança?!”.

Ele reclamou ainda que um evento com ingresso de valor elevado não ofereceu estrutura, além do que “a fiscalização prévia, na entrada da festa, foi bem falha, e em nenhum de nós foi passado o detector de metais”. E mesmo mostrando-se bastante chocado finalizou dizendo que “é vida que segue e pensamento positivo”.

Redes sociais também trazem elogios ao evento

Mas nem tudo foi reclamação. Há quem defenda a festa e diga que foi inesquecível. “Simplesmente amei, fiquei no lounge do parque shopping não faltou nada , já quero que chegue dezembro pra eu aperta o replay novamente. Indico mais que chocolate e com certeza o melhor, nunca me diverti tanto dei virote e ainda tinha bebida para levar pra casa, ganhei chinelos e a comida estava divina. (sic), escreveu um participante na página do evento. E outro reforçou o grau de satisfação: “Fui ao Celebration e a festa foi perfeita, muita bebida, muita comida, não teve briga, a revista na entrada, que muita gente critica, houve e foi individual é necessária, com os seguranças educados mas realmente te revistando; ah, tinha muita gente, tinha sim, isso com certeza deve ter dificultado um pouco o acesso às bebidas de quem estava na pista, mas faz parte de um evento com 15 mil pessoas; pode-se melhorar um pouco, pode-se sim. A organização com certeza vai se superar em 2017. Saí quando acabou e sobrando bebidas no Lounge” (sic). 

Por outro lado, a legião de descontentes foi maior. “Réveillon bastante desorganizado. Evento super lotado, faltou bebida, faltou comida e banheiro feminino tumultuado. Não valeu a pena o dinheiro gasto. Organização do evento super amadora. Sem dizer que uma pessoa foi baleada dentro do evento. Não indico o evento à ninguém!, disse o internauta. E outro foi além: “Experiência péssima... saímos de Foz do Iguaçu - PR com a expectativa de um grande evento e obtivemos a lamentável experiência de implorar por bebidas, que estavam quentes e às 2h já havia acabado, os banheiros eram insuficientes para a dimensão do público, estavam imundos insalubres... a comida nem chegamos a provar pois as filas eram enormes. Muita gente para pouca estrutura de atendimento. Cessão pelo lucro em detrimento da qualidade de atendimento”. E outro foi além:“Sou daqui de Maceió e vocês deveriam ter vergonha de fazer um evento desse e se ‘queimar’ com o Brasil inteiro! ... Parabéns pela vergonha que vocês estão fazendo com o nome de Alagoas”, reclamou um internauta que participou  .

Teve até nota de repúdio: “somos tratados como se tivéssemos fazendo um favor em participar de eventos como o Celebration. Pois é, o evento que chama atenção do Brasil todos os anos está com os dias contados, como tudo o que acontece em nossa terra. Pagamos caro pelo ingresso para disputarmos um pedaço de pizza, muito ruim por sinal, faltou estrutura de banheiros femininos, além do que os seguranças empurravam as mulheres no controle da entrada do banheiro e até a água para beber foi limitada. Não há como dizer que tivemos o melhor réveillon, salvo a presença dos amigos e o show dos artistas, o resto foi um fiasco.”

Organização emite  nota de esclarecimento 

O EXTRA manteve contato com a assessoria de comunicação do Celebration MCZ que informou que a pessoa responsável pelos esclarecimentos, Antônio Melo, estaria em reunião, mas que voltasse a ligar que o mesmo passaria as informações cabíveis. Ao ser questionada se ele seria o proprietário da empresa, já que no CNPJ não aparece o nome, a assessora não respondeu e se limitou a dizer que Melo faz parte do setor jurídico.

Logo após a realização do evento, a empresa emitiu nota onde diz que “em respeito a todos os clientes, pelo compromisso que temos com a verdade, a ética e a transparência, e para evitar mal-entendidos, a Celebration Entretenimento vem através desta nota oficial esclarecer:  Sobre o caso noticiado na imprensa, a cliente deu entrada no posto médico 04 às 00h11 com um ferimento superficial nas costas. Ela foi avaliada por dois profissionais médicos, onde foi feito uma pré avaliação do ferimento, e foi diagnosticado um corpo estranho e descartado qualquer gravidade. Após a limpeza no local do ferimento, foi feito curativo e liberada uma ambulância de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) às 00h33 para transportar a paciente ao Hospital Santa Casa de Misericórdia de Maceió. A direção médica do evento foi pessoalmente ao hospital para acompanhar o andamento do caso na mesma madrugada, onde foi informada que a mesma já tinha recebido alta”.

A nota esclarece, ainda, que os responsáveis aguardam os laudos médicos e periciais para demais esclarecimentos e que a “Celebration Entretenimento está em contato com a cliente e seus familiares para o devido acolhimento e suporte no que se fizer necessário”.

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