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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 903 / 2016

03/01/2017 - 10:12:24

Reencontrando Epaminondas

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Conheço-o desde sempre, e esse sempre remonta aos setenta anos. Bem consentâneo com o nome – homenagem, talvez involuntária, dos seus pais ao eminente político da Grécia clássica – Epaminondas sempre se revelou interessado na política, embora jamais tivesse tentado cargo eletivo. Nesse mister, atualmente dedica-se à crítica aos políticos brasileiros e à sua prática política, considerando-se um estudioso da matéria teórica, coisa natural, penso, em quem desde garoto interessa-se pela Filosofia.

Apesar de homônimo daquele filósofo político grego, o meu amigo é mais conhecido por seu apelido Êpa. O ápodo não é só um abreviativo carinhoso do nome, mas ganhou sentido e força no costume de o Epaminondas, desde criança, iniciar suas intervenções nas conversas com a interjeição Êpa! Assim, vamos homenagear a criatividade dos coleguinhas de infância e tratar o Êpa de Êpa.

Êpa tem-me dado as ideias para escrever nesse espaço, quase sempre em crítica aos políticos. Outro dia um conhecido indagou-me onde eu encontrava tanta má vontade com os líderes desse Brasil sem lideranças. Apenas sorri, mas agora o curioso tem a resposta: é o Êpa que me põe minhocas na cachola. Esta semana, contudo, encontrei-o. “Natal e Ano Novo”, disse-me ele, “é época de esquecer os mequetrefes da política”. “Vamos curtir”, continuou, “o recesso parlamentar. Ausentes dos parlamentos, o mal que esses políticos fazem ao País e à Nação será reduzido. O recesso do Judiciário” – acrescentou – “também nos poupa do constrangimento de vermos o último bastião da democracia brasileira sucumbir à arrogância da corja engastada no Legislativo, como o vem fazendo o STF. O que salva a Justiça é a atuação de juízes como o Dr. Sérgio Moro”, concluiu o dedo em riste. Aproveitando a pausa do Êpa, lembro-lhe que o Poder Executivo continua funcionando e produzindo factoides. Meu amigo, quase sem pensar, emendou: “Êpa! Você tem um pouco de razão, mas o Executivo Federal é hoje um Poder fraquinho, uma pinguela, como disse o FHC. E os governantes estaduais e municipais, esses devem estar com as barbas de molho após as agruras porque passam o Sérgio Cabral e sua digníssima. Vamos, então, aproveitar esse refrigério e juntar forças para derrubar essa caterva em 2018!” Como sempre, acho que o Êpa tem a mais completa razão. 

UMA JUVENTUDE QUE 

SE DESENCANTA 

COM A DEMOCRACIA

Encontro de família, comemorávamos o aniversário do meu irmão caçula quando, não sei porquê e não tive qualquer culpa nisso, a política veio à tona das conversas entre os jovens. Fiquei a ouvi-los, divertindo-me com o debate entre meus sobrinhos e minhas sobrinhas-netas, sem poder deixar de compará-lo com as discussões da minha adolescência. O debate que ouvia generalizava a descrença daqueles jovens com os políticos de agora. Críticas e queixas sobre o momento atualmente vivido pelo País davam o tom das conversas, não raro veemente. Chegada a minha hora de recolher-me, atrevi-me a interrompê-los: “Meus filhos, vocês podem culpar a nossa inércia, dos mais velhos, por tudo o que vem acontecendo. Lembrem-se, porém, que as mudanças dependem principalmente de vocês, os jovens. E se vocês estão sendo sinceros na crítica, então podemos acreditar em um futuro melhor”.

Boas Festas!

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