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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 903 / 2016

03/01/2017 - 10:11:38

O bom velhinho vem aí...

Alari Romariz Torres

Quando chega o mês de dezembro, minha alma se enche de esperança! Sonho com acontecimentos maravilhosos e idealizo bons momentos com pessoas sem maldade, políticos honestos e um mundo cor de rosa.

Volto aos tempos de infância e imagino o Papai Noel chegando, trazendo presentes para todos. O principal pedido que faço a ele é saúde, muita saúde para todos.

Fiquei quinze dias fora de Maceió, estive em São Paulo vendo a luta de uma irmã com os hospitais. Você pode estar morrendo, mas seu plano de saúde precisa estar em dia, em tudo. Os menores detalhes evitam o atendimento imediato. Num hospital do SUS para você entrar precisa estar quase morrendo. Não é qualquer doença que merece a assistência pública. O paciente deixa de pensar em sua doença e passa a imaginar uma maneira de entrar no hospital.

Assim, se Papai Noel trouxesse saúde para a população, os hospitais fechariam e os planos de saúde deixariam de existir.

Outro pedido forte que faria no Natal era emprego para todos. Ligar a TV e ouvir as notícias de que vários estados estão quebrados e empresas demitindo trabalhadores, machuca o coração de qualquer um.

No Rio de Janeiro, os governantes terminaram de pagar o salário de outubro em dez de dezembro. Calamidade pública, dois ex-governadores presos e os deputados fazendo “grandes economias” na Assembleia Legislativa: não comparecer a festas noturnas, pois os parlamentares recebiam pagamento para representar a Alerj; diminuir a frota de carros, porque até os diretores tinham carros fretados. Não se ouviu falar em diminuir o número de cargos comissionados, nem o salário dos dirigentes.

Em Alagoas, o bom velhinho levaria alguns dias para entender a situação do nosso Legislativo: são mais de oitocentos comissionados com salários dobrados, deputados custando além de duzentos mil reais por mês! 

Andei por várias cidades e vi uma situação caótica no que diz respeito à alimentação. Em pleno fim de ano, os supermercados quase vazios. Pouca gente e carrinhos não muito cheios. O povo está com medo de comprar, pois não sabe como será o amanhã. Aí, Papai Noel estudaria uma maneira de incentivar a agricultura e acabar com os intermediários para baixar os preços.

E a educação? Antigos e tradicionais colégios do Recife, do Rio, fechando as portas. Professores brasileiros não conseguem fazer as provas do Enem. Sim, vocês entenderam bem: não são os alunos, são os mestres que não acertam os quesitos. O Brasil está com os piores índices de educação, comparando com outros países. Talvez, nosso santo velhinho trouxesse para nós a solução da Coreia do Sul: investir maciçamente no aluno desde cedo e pagar bem aos professores. Os altos salários do Judiciário e do Legislativo iriam para os professores. Vão pensar que é loucura e internar nosso protetor.

E o que seria da política? Nossos parlamentares, réus ou indiciados, seriam afastados. Em seu lugar viriam voluntários, com rendas pequenas, treinados para legislar. Acabaria a negociação entre empresas, partidos, governantes e legisladores. O objetivo principal seria o Brasil e só ele! Todas as regalias seriam extintas, e não seria necessário comprar votos. Deixariam de existir propina e verba de campanha. As propostas viriam do povo! O Congresso as aprovaria e para o seio da sociedade voltariam.

O velhinho ficaria estarrecido com funcionários públicos que não comparecem ao local de trabalho. O que fazer? Punir quem não trabalha ou o dirigente que paga mensalmente aos “fantasmas”? Questão difícil de resolver!

De longe, Papai Noel veria o trânsito. Ficaria  horrorizado! Como as pessoas se entendem, quantas morrem por ano, as motos fazendo piruetas. Impossível imaginar como um motorista, em nossa terra, sai de casa e volta vivo.

Então, ele pensaria seriamente em resolver tantos problemas e desistiria de visitar o Brasil. Como iria resolver tanta coisa se a maioria dos governantes está envolvida em processos de corrupção? Quem iria lhe dar apoio? Vão fazer o que estão tentando fazer com o Moro: acabar com ele!

Aí, caros leitores, nem sonho receber a visita de Papai Noel. E com ele o espírito do Natal vai virando ilusão e nada acontece.

Foi só um delírio!

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