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Edição nº 903 / 2016

03/01/2017 - 10:09:13

Recessão, desemprego e queda da renda

FERNANDO LIRA

O emprego cresce vertiginosamente quando o (PIB) Produto, Interno Bruto aumenta significativamente em todos os setores da economia, principalmente nas atividades de produção e serviços, que demandam mais mão de obra. Atualmente, essas atividades estão em forte retração, com, aproximadamente, 12 milhões de desempregados em todo o pais, com forte repercussão no Nordeste brasileiro. Mesmo aquelas pessoas que permanecem empregadas sentem todos os dias a pressão do desemprego, reduzindo drasticamente sua renda, porque muitos desempregados se sujeitam a trabalhar no mesmo posto de trabalho recebendo salário muito inferior.

Essa situação de desemprego se deve à forte queda no PIB, iniciada em 2015 e se agravando em 2016, com perspectiva de queda, também, em 2017. Em 2016, o PIB aponta para uma redução de aproximadamente 3,42%, o que gera um ambiente econômico de forte desconfiança e desemprego, indicando uma possível recessão nas atividades econômicas: quando as pessoas deixam de consumir, porque não têm renda ou também guardando seu dinheiro em investimento absolutamente seguro, como os papéis do governo, que pagam a taxa Selic, sendo atualmente a melhor aplicação, porque remuneram mais que a poupança e é muito seguro.

Essa desconfiança generalizada de todos agentes econômico induz um princípio de depressão com inflação acima da meta, sendo gravoso para toda economia do país. Considerando que o Brasil tem dimensões continentais, certas políticas econômicas que se aplicam ao Sudeste têm efeito gravoso para o Nordeste, como por exemplo a privatização de todas as atividades públicas, muita dessas atividades são praticamente doadas ao setor privado e recebem incentivos do governo para se sustentar no setor. 

Portanto, essa falta de confiança na economia, com cenários econômicos pessimistas, reduz vertiginosamente os investimentos de risco, privados, públicos e competitivos, pois o empresariado só volta a investir em empresas do governo, que são privatizadas com ampla perspectiva de alta lucratividade e que recebam incentivos do governo, tais como: Petrobras, Correios e Banco do Brasil, etc. Fazendo isso, o governo deseja aumentar o ambiente de negócio com redução significativa do setor público, elevando a participação do setor privado ao extremo, notadamente, com a presença de grandes empresas e multinacionais, que fecham todas as oportunidades às pequenas empresas e micro negócios, lançando milhões de pequenos empresários e autônomos na informalidade e no desemprego.

No caso do Nordeste, esse avanço da privatização ampla e irrestrita, bem como a ausência de investimento público, criam condições desiguais em toda sociedade, aumentando a concentração de renda e reduzindo a ação social do governo na geração do pequeno negócio e de empregos, semi qualificados e não qualificados, jogando milhões de jovens e pais de família na vulnerabilidade social.

Esse modelo de privatização, que reduz drasticamente o espaço público e, sobretudo, seu poder de orientação dos investimentos públicos e privados, cede ao grande capital a orientação e atuação da economia, segundo seus interesses, que quase sempre vão criar mais e mais espaços para e elite brasileira e financeira internacional, reduzindo nossa classe média e empurrando o pobre para o estado de miséria crônica.

Na década passada, o Nordeste teve desempenho muito favorável ao ambiente de negócios, com excelentes resultados sociais. Pois, eleito pelo povo, o governo estava comprometido com distribuição de renda e geração de emprego para todas as classes sociais, priorizando os mais pobres. Essas orientações econômicas e sociais aumentaram a prosperidade para todos, gerando uma grande fração de classe média no Nordeste e em todo pais, com forte reflexo no consumo de bens e serviços, resultando em bem estar social para a maioria da população brasileira.

A nossa elite - insatisfeita com o progresso social do pais e não desejando estar junto desses novos cidadãos nos aeroportos, nas universidades e em tantos outro lugares que só o rico tinha direito de frequentar - associada à mídia, resolveu criar um clima de falsa instabilidade política, que resulta, também, em instabilidade econômica, gerando uma crise política longa e de grandes proporções, que cria um ambiente político de forte incerteza, fazendo com que os agentes econômicos não confiem na nova estabilidade do país.

O fato da substituição do governo eleito, por outro governo golpista, sem nova eleição, tira a força e a credibilidade antes existente, e leva ao caos econômico: cresce exponencialmente a desconfiança, induzindo os agentes econômicos a não investirem o montante necessário para oferta dos empregos, e/ou evitar o desemprego, pelo contrário, os agentes assumem uma posição especulativa, deteriorando ainda mais a credibilidade do governo. Portanto, com a sociedade brasileira dividida e a baixa qualidade do perfil do novo governo, o cenário político se agrava a cada dia, contribuindo para a derrocada da economia com desemprego e forte recessão econômica, iniciando-se um processo de depressão econômica, até que se realizem novas eleições para presidente e Congresso Nacional capazes de gerar forte confiança nas instituições, principalmente nos agentes econômicos.

Sem isso, essa crise política que contribuiu para afetar gravemente a economia não se resolverá no curto prazo e os anos de 2017 e 2018 serão de muita incerteza com queda no emprego, renda e recessão.

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