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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 903 / 2016

03/01/2017 - 10:05:43

Fica Temer, mas longe de mim

Impopular, presidente só serve para ‘proteger’ cargos de aliados alagoanos

Odilon Rios Especial para o EXTRA

Os ministros dos Transportes, Maurício Quintella, e do Turismo, Marx Beltrão, nunca foram tão populares em um governo federal, como arroz em festa. Participam de palestras, pedem entrevistas aos meios de comunicação locais, anunciam obras, vão a inaugurações de todo tipo, aproveitando a estrutura pública dos ministérios à disposição deles para percorrer Alagoas de cima a baixo.

Criaram uma espécie de governo paralelo: falam em oportunidade de emprego e renda, dos seus futuros eleitorais (Marx jura que é candidato ao Senado; Quintella vai disputar a reeleição a deputado federal) e usam as redes sociais de maneira engenhosa, com fotos em reuniões, encontros com empresários, viagens pelo país e muitas fotos onde estão sempre bem arrumados ou ao lado dos filhos, maneira de mostrar o “padrão de família feliz” do homo politicus (quase sempre confundido como um sujeito sem alma).

Mas, um detalhe escapa propositalmente: ambos evitam citar Michel Temer, que assumiu a Presidência da República mas se trata como um chefe do Executivo ilegítimo, frequentando ambientes fechados para escapar das vaias ou acossado por citações ao seu nome em delações premiadas de executivos da Odebrecht.

“ Confirmo a liberação de recursos para construção de quadras esportivas - cobertas e com vestiário - em três povoados de Traipu (Santa Cruz, Olho d’Água e Capivara). Estão disponíveis R$ 167,7 mil para dar continuidade a essas obras. O futuro que sonhamos para nossos jovens: mais esporte e educação”, disse Marx Beltrão, em suas redes sociais, em 18 de dezembro. Nada de Temer.

“Após meses de trabalho e mais de 30 reuniões, o Ministério dos Transportes Portos e Aviação Civil, Agência reguladora e setor privado, concluíram o trabalho do GT Portos. Apresentamos um conjunto de medidas que desburocratizará o setor e se constituirá num marco normativo para atração de novos investimentos”, detalha Quintella, também em suas redes sociais. Michel Temer? Nem apareceu.

“Essa PEC é um desastre e terá de ser corrigida. Eles [membros do governo] estão falando isso para o público externo é para dizer ‘aqui tem confiança, venha para cá, vem investir aqui’. Eles sabem que isso não vai dar resultado, não pode dar resultado”, explica o coordenador da bancada federal alagoana, Ronaldo Lessa (PDT), mostrando que falta sintonia entre os parlamentares alagoanos em pontos fundamentais na era Temer. Um deles, a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que congela gastos públicos por 20 anos.

Marx Beltrão e Maurício Quintella são favoráveis à PEC; Lessa e os deputados federais Givaldo Carimbão (PHS) e JHC (PSB), votaram contra.

“O governo Temer está muito difícil. Tem encontrado muitos problemas, vários ministros dele tiveram de ser afastados, mas ele está agindo em tempo para se salvar. Ele está buscando porque quem colocou ele lá foi o Centrão, esse Centrão tem enormes problemas, mas ele está procurando uma forma de se segurar, tanto que ele responde agilizando medidas para poder tirar o foco da questão”, disse Lessa, que é coordenador da bancada mas não manifesta a opinião dos integrantes desta mesma bancada. 

Tucanos também 

não querem 

saber de Temer 

Presidente de honra do PSDB alagoano, Teotonio Vilela Filho convocou prefeitos eleitos sob a sigla tucana para uma avaliação do partido, que, pelos números da sigla, obteve quase 50% dos votos do eleitorado.

Foram 18 prefeitos, 78 vereadores e seis vice-prefeitos.

Quadro nacional? Apoiar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) para a Presidência da República, em 2018.

Por acaso, Alckmin é o tucano de vastas plumas que mais se afasta de Michel Temer. E perdeu as eleições para a direção nacional do PSDB, acusando um “golpe”, da parte do grupo do senador mineiro Aécio Neves (PSDB).

Renan Filho leva governo sem presidente

Em lua de mel com sua equipe econômica, o governador Renan Filho comemora a boa situação financeira de Alagoas - comparada aos outros estados neste final de ano.

E permanece sem citar Michel Temer, que virou a “cara” da crise no país. Uma “cara” onde os estados estão com as contas no vermelho, pouca sinalização em Brasília em busca de solução, um presidente com popularidade em queda e economia que não decola, mesmo com anúncios de planos que flexibilizam as leis trabalhistas. Mesmo assim, em cinco meses de governo, ele assiste à quantidade de brasileiros que considera sua administração ruim ou péssima chegar a 51%, segundo mostra o Data Folha em pesquisa da semana passada.

A pouca aceitação fez Temer viajar ao Nordeste no início do mês. E não passou por Alagoas, representada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Não fez falta. No mesmo dia a delação premiada do ex¬-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Mello Filho, eclipsou o périplo, com forte esquema de segurança para evitar protestos.

Enquanto isso...

O quadro fiscal na era Renan Filho é animador. Segundo o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), Fábio Guedes.

“Alguns elementos indicam que Alagoas segue um novo rumo interligando algumas ações estratégicas com o propósito de enfrentar o subdesenvolvimento, onde se destacam: fomento à ciência e tecnologia; recuperação da capacidade fiscal e institucional do Estado; ampliação dos incentivos aos setores de comércio e serviços; revisão da política de concessão fiscal à indústria e formas de atração de novas empresas; apoio à agricultura família; mudança do paradigma do ensino público fundamental; combate à violência e fortalecimento do sistema de segurança pública; continuidade das parcerias com o governo federal na redução da pobreza e miséria”, explica Guedes.  

O presidente garante apenas os repasses federais a Alagoas e a proteção aos cargos dos apadrinhados locais. 

O resto é confete.

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