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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 903 / 2016

03/01/2017 - 09:55:19

Jorge Oliveira

Barra entregue às baratas

Jorge Oliveira

Barra de São Miguel - O que está acontecendo com os locais turísticos de Alagoas é um descaso. Pelo menos duas cidades que deveriam ser o chamariz para atrair os visitantes estão visivelmente abandonadas. Maceió e a Barra de São Miguel, certamente os dois pontos de atração mais procurados no verão pelas suas belezas naturais e a sua culinária internacional, são hoje o retrato do esquecimento administrativo dos seus prefeitos. De Maceió já falei aqui. A capital do estado até a semana passada estava com as praias da orla contaminadas, ruas esburacadas, bueiros destampados e desnivelados e a ciclovia com as obras incompletas há mais de dois anos. Os dois prefeitos foram reeleitos. Isso mesmo, reeleitos!

E da Barra de São Miguel, o que dizer? Bem, a Barra é outra história. Se em Maceió você ainda percebe discretamente a mão do prefeito em algumas obras, principalmente nos locais mais visitados pelos turistas, na Barra o descaso é total. Nunca a cidade viveu momentos de tantos transtornos: buracos, pavimentações inacabadas, lixo acumulado nos logradouros públicos, praças destroçadas, ruas às escuras, fios dos postes caídos nas artérias. Enfim, um caos administrativo sem precedente na cidade.

Agora, com a aproximação do verão, o prefeito mandou pintar meios fios para enganar os trouxas que pagam seus impostos. Todavia, a cidade está sem comando. Voltaram os arrombamentos nos condomínios e a insegurança é total para os que moram lá e para a população flutuante, aquela que usa a cidade em épocas de temporadas. 

Os serviços públicos não funcionam e as prestadoras de serviço como a Eletrobras e as empresas de telefonia decidiram abandonar a população à própria sorte. Não raro, as ruas estão às escuras. Com a falta de energia – ou a sua oscilação – o prejuízo com a queima dos eletrodomésticos já virou uma rotina. Do Francês até o início da Barra, os fios dos postes da Eletrobras e das telefônicas se arrastam às margens da rodovia levando o pânico a quem trafega pelo local. O DER, que deveria fiscalizar, faz cara de paisagem.

O atendimento da Eletrobras no município é precário e a desculpa para o péssimo serviço é sempre a mesma: a famigerada maresia que come os fios da empresa causando transtorno no sistema elétrico. Uma mentira deslavada, pois se sabe que a tecnologia já produz material anticorrosivo. Portando, uma empresa como a Eletrobras não pode prescindir desse material eficiente para atender melhor os seus clientes. Qualquer anomalia no tempo como uma chuva mais forte ou um vento raivoso, o sistema comandado pela Eletrobras desaba. Já virou uma rotina as reclamações contra o serviço incompetente da empresa no município.

Pânico

Os moradores vivem sob um clima de pânico permanente, motivo pelo qual a cidade vem sendo abandonada pelos veranistas que preferem um local mais seguro e mais acolhedor para passar suas férias. Centenas de imóveis estão postos à venda. Muitos reclamam da falta de critério da administração para pavimentar as ruas. A prefeitura recebeu uma fortuna do Ministério das Cidades para esse trabalho, mas deixou o serviço pela metade. Além disso, não existe um cronograma pré-estabelecido nem uma lógica urbanística na pavimentação das ruas. Aqueles moradores com mais influência na administração têm mais chances de ver suas ruas calçadas, pois impera o fisiologismo nesse critério de atendimento. 

Privilégio

Por exemplo: a pousada Kenoa, uma das mais sofisticadas da Barra de São Miguel, instalou-se na região depois de receber a promessa dos órgãos públicos de que teria a infraestrutura garantida para a sua operação hoteleira. Resultado, o seu acesso foi asfaltado e algumas ruas adjacentes pavimentadas. Outras, próximas, que não tinham moradores influentes, vivem até hoje abandonadas e tomadas pelo lixo. 

Desobediência

A prefeitura alega agora que não tem diesel para movimentar a máquina de terraplenagem. Em outros momentos, diz que a própria máquina não se movimenta porque está enguiçada. E assim, nesse jogo de empurra-empurra, os responsáveis pelo serviço público vão enganando os contribuintes e exigindo desses cada vez mais o pagamento em dia dos seus impostos. Ora, se a prefeitura não dá nada a contrapartida para quem paga seus tributos, a pergunta que se faz é: como quer que os moradores cumpram com as suas obrigações? Conheço cidades que faliram porque a população se revoltou com o descaso da administração e fez movimentos de desobediência civil. Ou seja: ninguém paga impostos enquanto não ver o seu dinheiro revertido em seu benefício.

Condomínios

A construção de condomínio de luxo em áreas onde se pensava que seria reserva ambiental, entre o Francês e o início da Barra, é outra afronta. Os caminhões estão desfigurando os morros, fatiando-os para tirar o barro para fazer a infraestrutura nos loteamentos desses conjuntos residenciais, tudo isso à vista das autoridades inertes ao pavoroso crime ambiental. A impressão que que se tem é que, de uma hora para outra, empresários vândalos decidiram devorar as belezas de um dos locais mais fantásticos de Alagoas como se isso aquilo fosse terra de ninguém. Mas para chegar a isso é evidente que contam com a complacência das autoridades que teriam de proteger essas reservas, mas são os primeiros a se acumpliciar com o crime. 

Placas

As placas nas estradas são colocadas por qualquer pessoa indiscriminadamente. Não existe regra, o que provoca uma perversa poluição visual no trecho entre o Francês e a Barra. Outros esqueletos de anúncios permanecem abandonados, o que mostra que a administração não se preocupa com a beleza natural da cidade. 

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