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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 903 / 2016

22/12/2016 - 21:08:53

Epidemia de chikungunya ameaça infectar até 600 mil alagoanos

Cerca de 87 mil vítimas sentirão dores articulares terríveis; rede assistencial não está preparada para enfrentar problema

DA REDAÇÃO
Os médicos Celso Tavares e George Christopoulos afirmam que a situação é muito preocupante

Médicos da Santa Casa de Maceió lançaram um alerta dramático à sociedade e ao poder público em recente encontro com jornalistas. Uma epidemia de chikungunya está prestes a acometer algo entre 350 mil a 600 mil alagoanos nos próximos meses ou anos.

“O que mais assusta é que entre 25% e 30% apresentarão dores crônicas incapacitantes terríveis, alguns convivendo com este sofrimento por até seis anos”, alertou o reumatologista George Christopoulos. Segundo ele, há casos em que é necessário aplicar morfina para o controle da dor e têm pacientes que não conseguem nem mesmo sentar-se em cadeira de rodas para serem transportados.

Segundo estudos realizados no Brasil, de cada 100 pessoas acometidas pela zika, apenas dez apresentarão sintomas. De cada 100 pacientes acometidos pela dengue, 30 sentirão o peso da doença. No caso da chikungunya, nada menos que 95 pessoas em cada 100 sentirão os efeitos da doença, ou seja, poucos escaparão dos sintomas, entre eles a inflamação nas articulações.

FALHA NOSSA

O médico infectologista Celso Tavares pediu o empenho da imprensa para renovar o trabalho de conscientização da população sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti.

“Estamos falhando miseravelmente no combate ao vetor transmissor da chikungunya, dengue e zika. Estamos falando de todos nós, população, poder público, empresas e profissionais”, disse o médico infectologista Celso Tavares, lembrando que o acúmulo de água das chuvas em pleno verão favorece o mosquito Aedes aegypti, que encontra o ambiente propício para se multiplicar e atingir a população.

O infectologista Celso Tavares fez um histórico sobre a evolução das doenças transmitidas pelo mosquito e sentenciou: “Dengue e zika são infecções epidêmicas já conhecidas, mas não estamos prontos para lidar com a chikungunya, nem mesmo os médicos que atua, na linha de frente da assistência à população em postos de saúde e emergências hospitalares”, acrescenta.

Para contribuir com o poder público e hospitais, a Sociedade Brasileira de Reumatologia entregará em janeiro ao Ministério da Saúde e aos gestores públicos nos estados recomendações de diagnóstico e tratamento da doença.

Já na Santa Casa de Maceió, informou o médico George Christopoulos, a Residência de Clinica Médica capacitou 12 preceptores para atuarem como multiplicadores junto a médicos de postos de saúde, do Programa Saúde da Família e de unidades de emergência. Como suporte a este trabalho, foram impressas 2 mil cartilhas informativas para distribuição.

Sem plano de 

saúde, pacientes lotarão Unidade 

de Emergência

Nada menos que 90% da população alagoana não possui plano de saúde e recorre à rede pública de saúde quando precisa de assistência médica-hospitalar. Este cenário provoca apreensão nos especialistas que acompanham o problema.

Caso se confirme o cenário otimista de apenas 350 mil pacientes infectados com a chikungunya, mesmo assim a Unidade de Emergência, UPAs e postos de saúde ficarão estrangulados. Os 10% que possuem plano de saúde também provocarão impacto na rede privada.

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