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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 901 / 2016

12/12/2016 - 20:27:18

Jorge Oliveira

Brasil, um pardieiro

Jorge Oliveira

Barra de São Miguel - As instituições brasileiras vivem o seu inferno astral desde que o PT se implantou no país e transformou a nação em um grande pardieiro. Começou com o mensalão e terminou na Lava Jato, a maior operação contra a corrupção que se tem notícia no mundo. E para animar a festa no chatô, os brasileiros foram às ruas e despediram a Dilma da presidência. Agora, assiste-se a outro pandemônio político: o ministro Marco Aurélio Mello, com uma canetada, decreta o expurgo de Renan da presidência do Senado, influenciado, como ele próprio descreveu em sua liminar, pelo barulho das ruas que pediu a cabeça do presidente do Senado em todo o país em um domingo ensolarado. Foi taxado de louco pelo colega Gilmar Mendes, que pediu o seu impeachment.

O país está na contramão da história desde que os petistas botaram o pé em Brasília e montaram a maior organização criminosa da história. Ocuparam as estatais, criaram a república sindical e a partir daí saquearam os cofres públicos em bilhões de reais, como descobriram os investigadores da Lava Jato. Na onda da operação que desmontou a quadrilha petista, alguns juízes decidiram também enfrentar com coragem e determinação outros escândalos localizados. Assim é que prenderam o casal Cabral e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, no Rio.

Mas o que de verdade está acontecendo com o Brasil? Um vendaval de desordem institucional de proporções inimagináveis onde ministros do STF não se entendem, empresários decidem delatar seus parceiros políticos e os partidos se unem para defender o indefensável, os seus interesses. Na outra ponta, no Executivo, um presidente que não cansa de tentar justificar o malfeito dos seus auxiliares. Desde que assumiu, Temer já foi obrigado a descartar alguns de seus ministros, quase todos envolvidos em escândalos. Isso mostra que o presidente tinha poucos nomes fora do seu convívio para ocupar os cargos de maior envergadura no seu governo. Valeu-se, portanto, dos amigos mais íntimos que, como peças de dominó, caem a todo instante. Isso só mostra que não vivia cercado de boas companhias.

Com uma base parlamentar sólida dentro do Congresso Nacional, o presidente ainda tenta encontrar um caminho para tirar o país dessa tormenta. Foi buscar em Meirelles o elixir da salvação, mas o ministro da Fazenda ainda não viu a luz no fim do túnel para incentivar o crescimento e gerar emprego e renda para milhares de brasileiros afetados pela crise criada pelo famigerado governo petista. Agora, além de se preocupar com a economia, Meirelles tenta também apagar o fogo da sua fritura. Já negou, mas não convenceu o mercado que fala na sua saída do ministério. 

É o Brasil em ebulição, vivendo uma das suas maiores crises política, econômica e sobretudo ética. É o Brasil que empobrece, que se envergonha dos seus dirigentes e que vai às ruas exigir o fim da corrupção. É o Brasil que se frustra, que vive em crise permanente. É o Brasil que assiste perplexo ex-governadores como Sérgio Cabral colecionarem milhões e milhões de reais em joias com dinheiro roubado de obras públicas. É o Brasil que se afunda na maior crise financeira com a falência já decretada  de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, até então estados produtivos e saudáveis financeiramente.

Impotente

É o Brasil que se sente impotente diante dos altos salários que criam os milhares de marajás no Executivo, no Parlamento e no Judiciário. Que se sente impotente porque sabe que muitos desses privilegiados servidores legislam em interesse próprio, não querem largar a rapadura. É o Brasil que não respeita a lei, que orgulhosamente gosta de praticar a lei de Gerson, aquela que incentiva “levar vantagem em tudo”. Diante de tanto descalabro moral e ético, onde vai parar o país? Ninguém sabe. O que se sabe, de verdade, é que a Lava Jato prospera, cresce como fermento, mas poucos arriscam saber o tamanho desse bolo. É este o legado que um bando de sindicalistas deixa para o Brasil, hoje um país tonto e sem rumo. É um salve-se quem puder.

Garotinho

O Brasil sabe que o Garotinho não é flor que se cheire. Mas se for confirmado o depoimento que ele deu à Folha de S. Paulo estamos diante de um escabroso caso de abuso de autoridade, perseguição e brutalidade policial, caso típico de afronta aos direitos humanos. O ex-governador do Rio de Janeiro – que já esteve metido em alguns rolos – denunciou ao jornal que está sendo perseguido pelo delegado da Policia Federal, Paulo Cassiano Jr, e pelo promotor Leandro Manhães, responsáveis pela apuração dos supostos crimes políticos que ele teria cometido em Campos, onde sua mulher é prefeita.

Mutretas

Do delegado, ele disse que o pai dele, Paulo Cassiano, é interventor da Santa Casa em Campos. Uma declaração da prefeita Rosinha de que o hospital não estava sendo bem administrado levou o policial a interpretar que a prefeita teria acusado seu pai de estar saqueando os cofres da Santa Casa. O delegado não gostou e passou a perseguir a administração municipal, segundo Garotinho. Quanto ao procurador, o ex-governador denunciou que ele defende interesses próprios. Dono de um terreno em área de proteção ambiental, não se conforma de ter sido questionado pela prefeitura. 

Denúncias

Garotinho disse que já tinha pedido audiência ao Rodrigo Janot para denunciar o malfeito dos dois. Mas antes do encontro com o procurador geral da República fora surpreendido com a sua prisão em um processo que tramitava no TRE, acusando-o de aumentar de 25 mil para 27 mil pessoas o cheque-pobreza de R$ 200,00 que distribuía em Campos, onde também exerce o cargo de secretário de Segurança Pública.

Lavagem

Na verdade, o que se observa nessa lavagem de roupa suja que envolve o delegado, o procurador e o casal de políticos é uma grande bagunça. Começa pela imoralidade da distribuição de cheque miséria que, a exemplo do Bolsa Família, terminou virando uma arma política que transforma o benefício em curral eleitoral. Garotinho também fez isso no estado quando era governador e elegeu Rosinha às custas do dinheiro público, na maior distribuição de brinde eleitoral de que se tem notícia no Rio de Janeiro.

Miséria

Ao aumentar os cheques misérias e prometer pagá-los às vésperas das eleições em Campos, onde sua mulher não fez o sucessor, é evidente que a prefeita fazia uma tentativa de atrair os votos dos desvalidos pelos tostões a mais que pagava. É crime? Claro que é. Mais do que crime, é, na verdade, uma forma suja e indigna de fazer política. Por causa disso, a família Garotinho respondia a processo eleitoral. Mas esse episódio – o do crime eleitoral – não justifica o desfecho da história quando o ex-governador quase foi sufocado por policiais federais que tentavam arrancá-lo à força da maca do hospital. Uma truculência de fazer inveja aos gorilas da finada ditadura militar.

Espetáculo

Garotinho esperneou, reagiu dentro da ambulância ao saber que o destino era Bangu, onde, segundo ele, estariam traficantes presos no governo dele, portanto, temia pela sua vida. Não deixa de ser verdade. Nada justifica também a brutalidade com que foi empurrado para dentro da ambulância à revelia do médico que o atendia. Segundo ele, um “mata leão”, aplicado por um brutamontes da PF, levou-o ao desmaio. Outra covardia.

Agressão

Agora, diante das declarações de Garotinho à Folha, sabe-se o que teria motivado tanta agressão a ele: interesses contrariados de quem tinha o dever de apurar com isenção o crime eleitoral, mas que usa de suas prerrogativas para dar um espetáculo de abuso de poder, de arrogância e de prepotência. Atos de autoritarismo como esses é que nos levam à dúvida se realmente é ou não necessário apoiar a lei do abuso de poder que impediria esse tipo de violência às pessoas indefesas. 

Contaminação

Ora, o Brasil sabe que não existem corruptos apenas na política. A corrupção é endêmica. Ela se alastrou por todos os níveis. Contaminou o Executivo, o Parlamento e a própria Justiça, que se considera inviolável e, portanto, com retaguarda para cometer abusos sob o manto da impunidade. 

Autoritários

Não devemos, portanto, nos enganar: a Lava Jato é uma exceção à regra no contexto do judiciário brasileiro. Até então o que se tinha era uma Justiça submissa aos interesses políticos e infiltrada por profissionais despreparados e venais. Não se deve, em hipótese nenhuma, oferecer a um dos poderes constituídos, nesse caso a Justiça, o poder absoluto e inviolável de decidir sobre todos nós como acontece nos regimes autoritários.


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