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Edição nº 901 / 2016

08/12/2016 - 20:34:25

‘Barulho’ da crise política chega a Renan Calheiros

STF afasta e reconduz alagoano ao comando do Senado; mercado financeiro de olho na crise

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Presidente do Senado, Renan Calheiros vence, ao menos por ora, mais uma quebra de braço entre os Poderes

Desafiado por Renan Calheiros (PMDB), o Supremo Tribunal Federal (STF) deu um voto de confiança ao alagoano. Ou melhor: seis. Por 6 a 3, ele foi mantido no comando do Senado, desde que fora da linha sucessória à Presidência da República (é o segundo, após Rodrigo Maia, presidente da Câmara). Objetivo do julgamento político do STF: encerrar a crise entre Senado e STF e facilitar para que a era Michel Temer ponha em pauta na próxima semana a PEC que congela gastos públicos por 20 anos.

O afastamento e o retorno de Renan à principal cadeira do Senado movimentou os caciques políticos alagoanos. Aliado desde sempre, o vereador Anízio de Amorim (PMDB), o Anizão, de Murici (terra natal de Renan) cancelou o próprio aniversário, no dia 8. 

“Não me julgo à vontade para comemorar num momento em que ele se acha vítima de tamanha injustiça”. Disse isso na terça-feira (6), dia em que o Senado o afastou da chefia do Senado.

“Pelo andar da carruagem, não foi surpresa; mas não há como não se chocar ao testemunhar a punição sumária atirada ao senador Renan Calheiros pela suposta infração a uma norma ainda não aprovada (não se esqueçam: o próprio STF ainda não aprovou a tal determinação de que réus não podem ficar na linha de sucessão presidencial) e já a aplica - sem mais delongas!”, disse o secretário de Comunicação, Ênio Lins, pelas redes sociais na segunda-feira (5).

Histórica rival de Renan, a vereadora Heloísa Helena (Rede) classificou os discursos em torno da importância do Renan como “atrasados, reacionários, patrimonialistas”.

“Esta coisa horrorosa que reflete o que existe de mais atrasado dessa concepção patrimonialista da política, tem de estar lá quem de alguma forma estabelece laço de promiscuidade com o poder ou com as estruturas que já estão aí demonstradas como é que se conseguia fazer obras no estado de Alagoas. Pela promiscuidade política, pela propina, pelo jogo sórdido de aprovar alguma coisa, executar uma obra para comer propina. Essa concepção tão horrorosa, atrasada, reacionária, patrimonialista, a vida cotidiana está mostrando”.

   

DEFESA

Defesa dos aliados calheiristas inundaram redes sociais, rádios e invadiu até a Assembleia Legislativa.

“Renan Calheiros sempre foi um grande parceiro. Acompanhei o trabalho dele de perto e sei o quanto ele foi importante para o crescimento do nosso estado, sempre viabilizando recursos para Alagoas. Como alagoano, fico preocupado com o que pode acontecer com o estado e se essa decisão pode atrapalhar o trabalho do governador Renan Filho também”, disse o ministro do Turismo, Marx Beltrão, cujo pai, João, sempre esteve com Renan nas eleições.

Na Assembleia, o deputado Ricardo Nezinho (PMDB) voltou de suas férias após derrota à Prefeitura de Arapiraca, e falou - com bastante dificuldade - sobre o presidente do Senado. 

Marcelo Victor (PSD) disse que “Alagoas perde com o que foi praticado com o senador Renan Calheiros”; “ele se transformou réu em crimes prescritos”. Chamou a decisão de “violenta”. 

Chico Tenório (PMN) disse que o que ocorria com Renan “foi para diminuir a força do Senado e prejudicando Alagoas”.

O governador Renan Filho (PMDB) também falou.  “Ele [senador] está tomando conhecimento do que houve. Houve uma decisão monocrática e espero que a Justiça e o Poder Legislativo trabalhem em conjunto para manter a segurança institucional do País. O Brasil precisa ter segurança institucional para sair da crise econômica, e é isso que aguardo com toda a serenidade. Espero que o senador Renan tenha os melhores caminhos”, comentou. 

Mais comedida em ataques, Heloísa diz que preferia estar “errada”

Histórica rival de Renan, a vereadora Heloísa Helena (Rede) estava ao lado da ex-senadora Marina Silva (Rede) na última quarta-feira (7), em Maceió, horas antes da decisão do STF que recolocou o senador de volta à crista da onda do cenário político.

Mais comedida - sem recuar no que sempre disse de Renan- Heloísa disse:

“Acho que a melhor coisa para o Brasil e para Alagoas é que se todas as ferozes críticas que eu fiz à conjuntura política é que eu estivesse errada. Era a melhor coisa para o Brasil e para Alagoas. Por mais que as pessoas digam: ‘Bem que você falou, tanto tempo!”

- “Que fosse a ferocidade de alguém classificada muitas vezes como louca, histérica, por simplesmente ter a coragem de dizer o que muitos gostariam de dizer e não têm oportunidade de fazer”.

DECISÃO

Na decisão de seis folhas que afastou Renan da Presidência do Senado, o ministro Marco Aurélio Mello usou o mesmo dispositivo que afastou do mandato (de deputado), em seguida do cargo (presidente da Câmara) e, em seguida, cassou (o mandato) de Eduardo Cunha. Cunha tornou-se réu em ação penal por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele foi afastado pelo ministro Teori Zavascki, em medida cautelar, depois confirmada pelo plenário do STF.

Na quarta-feira (7), o STF fez um remendo institucional para buscar uma saída para a crise no Senado.

Renan foi mantido no comando da Casa desde que esteja fora da linha de sucessão presidencial.

No mesmo dia, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e o Bank of America Merril Lynch manifestavam que a crise política tinha de ser superada para que a economia brasileira saísse do enfraquecimento.

Entre os riscos aos investidores: delações da Lava Jato e a não aprovação das reformas fiscais via Congresso Nacional.

A volta de Renan - ao que parece - deve acalmar os ânimos dos investidores e manter a imagem do que o STF é hoje: uma Casa política.

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