Acompanhe nas redes sociais:

19 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 900 / 2016

06/12/2016 - 11:45:07

Portugal Ramalho vai ser transformado em hospital das Clínicas

Familiares se preocupam com destino de pacientes e dos funcionários; governo garante que não haverá prejudicados

Maria Salésia [email protected]
Hospital Portugal Ramalho em funcionamento há mais 60 anos conta com 160 pacientes internos

A notícia de que o Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR) será transformado em Hospital das Clínicas tem causado polêmica.  A dúvida é saber para onde vão os quase 400 funcionários da instituição e os 160 pacientes internos e outros assistidos, somando cerca de 250 beneficiados. As informações ainda são desencontradas, mas de concreto apenas a demolição de um anexo, que faz parte das obras do Eixo Viário Cepa.

Segundo a assessoria de comunicação do Portugal Ramalho, o hospital ainda não foi comunicado oficialmente sobre as mudanças e que “todo mundo quer saber quando vai acontecer essa transição”.  A reportagem do jornal EXTRA esteve na unidade hospitalar  e constatou que a inquietação é grande. Nenhum funcionário quis se pronunciar, mas a mãe de um paciente disse que estava apreensiva com a notícia e caso “acabem com o hospital” não sabe o que fazer. “Aqui meu filho é medicado, convive com outras pessoas, tem lazer, ótimo atendimento e a gente é bem recebido. Se o hospital acabar, como vou cuidar dele em casa?”, questiona a mãe em tom aflito.

O assunto é polêmico e divide opiniões. Há quem diga que a internação “é um mal necessário, pois existe casos em que o paciente é agressivo, violento e precisa de tratamento especializado. Por outro lado, o argumento é de que pacientes com transtornos mentais sejam tratados em ambulatórios, sem internação, com garantia de cidadania plena como propõe a Lei nº 10.216 que determina extinção progressiva de manicômios.

Para esclarecer as mudanças que irão ocorrer naquela unidade de saúde, a Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) emitiu nota onde “informa que a Construção do Hospital de Clínicas, na área onde atualmente funciona o Hospital Escola Portugal Ramalho, possibilitará a modernização do atendimento para pacientes psiquiátricos no estado”.

O documento explica ainda que “o novo modelo de tratamento atenderá ao que determina a Lei Federal de Saúde Mental (Lei nº 10.216), aprovada em 6 de abril de 2001, que prevê a integração dos pacientes à sociedade, sem deixar de lado os diversos níveis de acompanhamento médico ambulatorial”

Outro esclarecimento é de que “os pacientes que residem no hospital devem ser transferidos gradativamente para residências terapêuticas e o acompanhamento deve ser organizado pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSI) e Álcool e Drogas (CAPS AD). No entanto, o Hospital de Clínicas manterá o atendimento de emergência psiquiátrica, além de ambulatórios de psiquiatria, para atender casos onde há risco para sua segurança ou vida”.

A Uncisal informa ainda que “os servidores que atualmente trabalham no Hospital Escola Portugal Ramalho devem ser realocados em unidades assistenciais da instituição, de acordo com a função que exercem e o tipo de serviço que desempenham na universidade. Por fim, a Uncisal ressalta que existe um grupo de profissionais vinculados à Secretaria Estadual de Saúde e à universidade discutindo e tentando operacionalizar a implantação das estruturas de modo que a integração dos pacientes ocorra de forma progressiva. A decisão de adotar o novo modelo para o tratamento psiquiátrico atende a critérios técnicos”.

Mas a preocupação de pessoas ligadas ao hospital é de que Alagoas não tem estrutura para conduzir a situação. Nas redes sociais os questionamentos são constantes. Uma pessoa que preferiu não se  identificar quis saber o que “o governo de Alagoas ganha com a demolição do prédio onde funciona o HEPR, já que existe toda uma estrutura e infraestrutura montada”. E apela para que mantenha o único hospital público que atende pelo SUS e “que socorre, na precisão, todos os portadores de transtorno mental que necessitam de atendimento”.

Outro alerta é que embora a lei tenha que ser cumprida, faltam condições para que ela aconteça. E argumenta que o ideal seria que o hospital “fosse muchando”, mas se realmente os pacientes fossem encaminhados para locais adequados, o que o Estado não comporta. “Paciente psiquiátrico incomoda. Tem que ter estrutura adequada e Alagoas não tem”. E acrescenta que alguns pacientes não têm família, há os dependentes químicos, crianças, apenados da Justiça e cada caso carece ser visto com carinho. “Não é acabar por acabar. Tem que ver todos os lados.  Não podemos esquecer que lidamos com vidas”, criticou.

 SOBRE O HOSPITAL

O Hospital Escola Portugal Ramalho foi criado em 1951 no governo de Silvestre Péricles, mas inaugurado em 1956 pelo governador Arnon de Mello. Aos poucos, foi se tornando humanizado e uma de suas marcas é proporcionar lazer para seu público. Há 25 anos o bloco carnavalesco “Maluco Beleza” sai às ruas, formado por pacientes, funcionários e médicos do Hospital. 

SOBRE O EIXO VIÁRIO

O eixo viário do Cepa terá nove quilômetros, com início no Ibama, no bairro da Gruta de Lourdes, estendendo-se até as ruas Frei Caneca e Luiz de Mascarenhas, no Farol, próximo à ladeira do Teobaldo. Algumas desapropriações serão feitas e os dois eixos viários servirão como alternativas para a  desafogar o trânsito na Avenida Fernandes Lima. A previsão é que a obra seja entregue em até seis meses.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia