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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 900 / 2016

06/12/2016 - 11:41:41

Novamente às ruas?

CLÁUDIO VIEIRA

Desde a adolescência, talvez antes, vem-me o hábito de admirar e estudar saberes antigos. Esse costume leva-me sempre a considerar os pensamentos de mestres antigos quais Confúcio, Sócrates, Platão, Aristóteles, Cícero, e outros mais que construíram os pilares da moral e da ética nas diversas atividades humanas. Talvez seja conceito defeituoso, mas sempre que analiso o agir das autoridades públicas rememoro ensinamentos anciãos. 

Desde os primeiros movimentos “FORA DILMA” escrevi, em várias ocasiões, sobre a minha desconfiança em substituí-la por Temer. Cheguei a afirmar que seria trocar seis por meia dúzia, ou seja, nada mudar. É que o problema brasileiro não era só o PT, Lula e Dilma, embora tudo isso fosse parte relevante das agruras nacionais. Pensava eu tomísticamente que a questão primeira com a qual deveríamos nos preocupar seria a prática política e a grande maioria, quase unanimidade, dos políticos. Mudar a presidente sem reformular a política, sem separar o bom trigo do joio, sem expulsar da vida pública os maus governantes, estivessem eles no Executivo ou no Legislativo, seria fazer chover no molhado. E os eleitores, continuo pensando, agora que descobrimos a necessidade de sairmos do marasmo da observação; agora que tomamos consciência de que devemos corrigir os erros da nossa política; agora que voltamos a acreditar na virtude da ética e da moral, temos no voto toda a nossa força transformadora.

A Lava Jato, e outras operações que tais, tem-nos propiciado o conhecimento das fraudes e falcatruas que satanizaram a política brasileira. Aprendemos a identificar as armadilhas, e a minoria boa da política não mais quer se acomodar. Os inícios do Governo Temer têm demonstrado o quão o povo tem força e deve ser temido: graças à opinião pública os romeros jucás, os Henriques alves, os gedéis, e outros que se escondiam nas brumas do Poder, foram repreendidos moralmente e catapultados. Foi essa mesma opinião pública que desnudou as artimanhas de Renan Calheiros, Rodrigo Maia e (ainda ele) Romero Jucá tentando sub-repticiamente concederem-se, e aos colegas, anistia geral e irrestrita da ilegal prática do caixa 2 eleitoral. Não esqueçamos, também, de outra solércia desse grupelho quanto ao repatriamento de dinheiro, muito dinheiro, tido no exterior por parentes de políticos, inclusive certamente os seus. Aliás, o cinismo do presidente do Congresso a afirmar que a medida permissiva só passara no Senado por um cochilo da oposição é tripúdio sobre a consciência social.

Confúcio ensinou, em um dos seus analectos, que o povo, quando guiado pela virtude, ou força moral, “desenvolverá um senso de vergonha e um senso de participação”. Parece que muitos dos nossos políticos ainda não entendem assim, ou esqueceram da voz do povo que ecoou, recentemente, nas ruas de nossas cidades. Futucam eles o cão com vara curta, muito curta! 

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