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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 900 / 2016

06/12/2016 - 11:40:59

Antes tarde do que nunca

Alari Romariz Torres

O povo das Alagoas teve a grata surpresa de ver a primeira punição dos taturanas, pelo Tribunal de Justiça do Estado, nesta semana.

Interessante é que não fiquei alegre com o fato. Senti, na verdade, uma reação interior forte de justiça. Era preciso que o TJ desse uma resposta a tanta corrupção.

Venho acompanhando o desenrolar dos acontecimentos na Assembleia Legislativa de Alagoas há cinquenta anos e é irritante ver como determinados deputados continuam usando o dinheiro público como se deles fosse.

Um simples pedido de aposentadoria torna-se uma arma na mão dos dirigentes do Legislativo alagoano. A vaidade é tanta que dá prazer ser procurado por servidores para saberem “como vai o processo”.

O medo foi introduzido nos corredores da ALE; a perseguição é um fato consumado. Falar mal de um dirigente, ou até mesmo reclamar do longo prazo para solução de um requerimento administrativo, é um grande pecado, uma ofensa, motivo para ser usado de maneira vergonhosa pelo primeiro-secretário, especificamente. Parece que não despachar um processo de pessoas que trabalharam 30, 40 anos naquela Casa é um ato vingativo.

Quando vi o retrato do Arthur Lira, punido pelo TJ, nos jornais da cidade, lembrei-me da minha amiga Eliana. Sua aposentadoria elevava em duzentos reais seus proventos. Por este motivo, morreu de câncer e só teve publicado seu processo que “dormia” no gabinete do dirigente há meses, no dia do seu enterro. Lá do céu, com certeza, está acreditando na Justiça dos homens.

Muitos companheiros estão sendo vítimas do primeiro-secretário, taturana, incluído num outro processo. Como dizem os mais velhos: “O que é dele está guardado”.

Faleceu Edenilton Lins, um colega nosso ex-diretor de Pessoal. Fui ao enterro e não vi um componente da Mesa Diretora. Os chefes dele quando diretor também não estavam lá. Para eles, os deputados da direção da Casa, funcionário serve para ser usado.

Outro fato irritante: os funcionários incluídos no processo dos taturanas, que agiam por ordem dos dirigentes, sofrem represálias e vivem pelos corredores da ALE sem ocupação, como se fossem culpados de tudo. Poucos fazem alguma coisa! E eles nem visitaram os companheiros na Polícia Federal ou ofereceram qualquer tipo de ajuda.

A saúde dos amigos, que não acreditaram na minha frase: ”Deputado não gosta de servidor; ele apenas o usa quando precisa”, ficou abalada. Uns tiveram problemas cardíacos e outros morreram.

Como a Justiça é lenta, os taturanas pensavam que “não daria em nada”. Lembro-me de afirmações do tipo: “O povo esquece” ou “Arranjo um bom advogado”.

Ressalto o trabalho do Ministério Público do Estado de Alagoas: insistiu, persistiu, não esqueceu. Está conseguindo, aos poucos, o resultado das acusações com os culpados sendo punidos. Ainda faltam vários processos...

Esta semana li uma entrevista de uma desembargadora; suas palavras: “Fulano e Sicrano não são meninos tolos”. Isto, digo há muitos anos. São mentes corroídas e dirigidas para o mal. 

Alagoas espera que o seu Tribunal de Justiça puna os culpados nos processos ainda pendentes, exija que o dinheiro público utilizado indevidamente seja devolvido aos cofres estaduais e, principalmente, que eles, taturanas, responsáveis por este episódio altamente desonroso à imagem do Poder Legislativo de Alagoas, não possam ser candidatos a nada.

Nós, povo da Terra dos Marechais, continuamos atentos aos desdobramentos dos processos dos taturanas.

A justiça de Deus tarda mas não falha!!!

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