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Edição nº 900 / 2016

06/12/2016 - 11:40:36

A tragédia que abalou o mundo

Jorge Morais

O desastre aéreo com o avião que transportava a delegação da Chapecoense, convidados, jornalistas e a tripulação da empresa LaMia consternou a todos. Na verdade, foi o maior desastre envolvendo uma delegação esportiva. Foram 71 pessoas que perderam suas vidas e os sobreviventes ainda lutam para viver e, depois, terão que  enfrentar os traumas e as consequências para o resto de suas vidas, menos mal diante daqueles que se foram.

Para as autoridades e os técnicos é muito importante saber o que aconteceu com a aeronave. Para os familiares e amigos nada poderá acabar com a tristeza pela perda. Pela Chapecoense morreram 19 jogadores; toda uma Comissão Técnica; dirigentes do clube e convidados; o presidente da Federação Catarinense de Futebol; 20 jornalistas; o comandante da LaMia, que era o dono da empresa e piloto do voo, assistentes e comissários de bordo.

O que era só alegria virou uma tristeza só. A festa antes da última viagem virou dor para as vítimas. A Chapecoense, de uma trajetória meteórica no futebol, vai ter que recomeçar e escrever uma nova história, com certeza mais alegre e com um final feliz. O clube, criado em 1973, coincidentemente o ano em que comecei a trabalhar na imprensa alagoana, só fez crescer desde 2009, subindo da Série D até a Série A em 2014, onde permanece até hoje, com títulos estaduais e duas participações em competições internacionais, a última, chegando à grande final que seria disputada e que foi interrompida por culpa do acidente aéreo.

Consternados, os brasileiros choraram com o drama dos catarinenses, em especial os chapecoenses. Agora, o futebol brasileiro promete ajudar na reconstrução do clube. Eles prometem emprestar jogadores sem nenhum custo e até pedem para que a CBF baixe uma norma administrativa onde a Chapecoense não seria rebaixada de série, caso fique entre os quatro últimos colocados, por um período de três anos.

Essa última proposta dos clubes me parece fora de propósito. Mesmo com toda dor e perda, a Chapecoense não se acabou de vez. Não foram todos os jogadores que viajaram. O clube tem outros profissionais que ficaram, entre eles, alguns com proposta de negociação de passe, e uma base muito boa. Portanto, a ajuda dos demais clubes brasileiros em emprestar jogadores sem custo já será suficiente para o ressurgimento da Chape. Entendo que, mais do que isso, é fazer média e virar a mesa.

Não se sabe das condições financeiras da Chapecoense, provavelmente muito boas pela gestão eficiente do clube, mas o que é preciso mesmo é resolver as “encrencas” financeiras nas questões trabalhistas e indenizatórias que, provavelmente, vão surgir daqui para frente. Se o clube possuir seguro nessa hora, tudo bem. Diferente disso, é bronca. Me desculpem escrever sobre esse tema em uma hora como essa, mas guardem o que estou dizendo agora. É só uma questão de tempo para o assunto.

Sobre o acidente, me recordo que há 10 anos fazia uma viagem para São Paulo, para distrair e ficar mais tranquilo no voo, peguei uma revista de bordo da própria aviação e comecei a ler. Lá para as tantas, dei de cara com uma matéria que considerei um absurdo para o momento e aquele ambiente. Tratava sobre um possível acréscimo no número de acidentes aéreos no mundo, colocando como causa principal a frota que era velha. Falava até em tempo e percentual para que isso pudesse ocorrer.

Claro que não tive mais nenhuma vontade de continuar com a leitura e ainda pensei em solicitar à aeromoça que mandasse retirar do avião todas as revistas de bordo. Claro, só pensei, pois não passaria por aquele vexame. Mas, aqui para nós, é ou não é um absurdo uma matéria como aquela que vi dentro de um avião? Pelo pouco que sei, dizem que a frota brasileira está bem renovada, com aeronaves novas e modernas. Mas, será que o mundo acompanhou essa evolução? É por isso que continuo com medo, muito medo de viajar de avião. 

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