Acompanhe nas redes sociais:

22 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 900 / 2016

06/12/2016 - 11:37:56

Cuidado: comer fora pode ir do sabor ao dissabor

JANIO FERNANDES

Comer fora é mais saboroso. Quase todo mundo concorda com isso e eu ainda poderia dizer que é também mais interessante e mais confortável do que comer em casa. Mas custa muito mais caro. Talvez, por isso, a elegância e o bom gosto de uma pessoa têm pouco a ver com o seu conhecimento de cardápio, ou até mesmo com sua habilidade para pronunciar um menu em francês. Mas é no “momento de pagar a conta” que se pode dizer algo a respeito da elegância de muita gente.

Nesse universo chamado restaurante existem muitos personagens diferentes. Ou melhor, há clientes que se distinguem dos demais. Que, na hora de pagar a conta, mudam drasticamente de comportamento. Perdem completamente a elegância e a cortesia. São, de certa forma, considerados pelos profissionais de sala clientes tediosos. Ou seja, aquele do tipo meticuloso e obsessivo que pega a fatura do restaurante, coloca os óculos e começa a interrogar o garçom, como se estivesse em uma delegacia. Do tipo que lê a fatura linha por linha e pergunta o que era cada item, e questiona a taxa de serviço de mesa que está incluso. Fica a sensação de que alguns comem o prato e acabam engolindo a própria memória junto. Eles questionam cada item que eles mesmos escolheram no cardápio. Como se os pratos tivessem sido colocados em sua mesa sem que eles os tivessem pedido. São um tipo de pessoa muito peculiar.

Embora perceba que tudo que está na fatura corresponde ao que foi pedido e consumido, nunca deixam de protestar. E em algumas ocasiões, pedem para corrigir porque na sua opinião tudo está absurdamente caro. Vale lembrar que tudo que consta na fatura provavelmente tinha o seu preço indicado no cardápio. Também seria bom ter em mente que o preço não é uma questão de opinião, já que ele estava claramente colocado antes de ser feito o pedido. Isso sempre causa estranheza para quem opera em restaurantes. Mas geralmente não causa desconforto no indivíduo que decide questionar o valor apresentado na conta.

Lamentavelmente, essas pessoas costumam efetivamente atrair algum erro por parte do atendente de uma forma que ninguém consegue explicar. Aliás, isso deveria ser matéria de estudo. E é aí, onde tudo começa, porque a intenção de protagonismo é tão grande e o seu objetivo é, provavelmente, conseguir nada mais que o simples prazer de desestabilizar os que ali estão trabalhando. Os profissionais do setor são capazes de identificar esse tipo com facilidade. De alguma forma quem segue esse viés pretende chamar a atenção por algum motivo. Raramente o motivo é verdadeiramente justo. Esse fenômeno é ainda mais curioso porque ele independe da condição financeira do questionador. Também não depende de traços étnicos ou de quão elegante a pessoa está vestida. E, claro, não depende do gênero também. 

Com toda certeza, esse tipo de pessoa, quando já está no carro ou em casa, começa a analisar o que consumiu comparando com outros restaurantes, a possibilidade de voltar outra vez ou não. Embora não admita, esse tipo de cliente é quase sempre insatisfeito por tudo que tenha de pagar. Ou melhor, o preço é o seu grande inimigo. Mas a sua deselegância o acompanha a cada lugar que vai, incluindo restaurantes. Ou seja, para estes o bom mesmo é comer em casa, porque assim não precisarão causar dissabor aos profissionais que tão bem atendem aos clientes, incluindo eles mesmos.

Um abraço.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia