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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 900 / 2016

06/12/2016 - 11:37:27

Uma bagunça só

ELIAS FRAGOSO

Na terça feira, enquanto o país chocado ia dormir chorando seus mortos do terrível acidente com o avião que conduzia a equipe da Chapecoense, nossos “nobres deputados” (soa estranho chamar aquela corja por este designativo, não é?) urdiam mais uma cusparada na cara de cada brasileiro. Em sessão extraordinária (grifo nosso) desvirtuaram o projeto de lei que propunha medidas duras contra a corrupção emendando-o cavilosamente com um amontoado de asnices claramente inconstitucionais. Aprovadas, deixariam o país nas mãos da bandidagem formal e informal. 

Mas vamos mais devagar com o andor. O que há por detrás disso? Por que essa correria desenfreada para aprovar exatamente o contrário do proposto no projeto de lei?  São várias as causas. Uma delas, o sôfrego interesse do atual presidente da Câmara em se reeleger para o cargo contrariando o regimento da Casa e ponderáveis facções internas. Portanto, nada melhor que uma ocasião repelente dessas para assegurar apoios e votos. Outro vértice dessa novela de baixo nível é o da sôfrega, ansiosa e angustiante espera das mais de duas centenas de corruptos subornados pela Odebrecht e suas congêneres. Do baixo clero até as mais altas posições partidárias, buscam de forma desesperada uma saída (como sempre ocorreu).

 O terceiro vértice e particularmente o de maior extensão e profundidade, diz respeito à disputa aberta existente hoje entre o presidente do Senado e a justiça brasileira. A esse respeito, o site O Antagonista revela: “No domingo, no Palácio do Planalto, Michel Temer, Rodrigo Maia e Renan Calheiros prometeram vetar a anistia para os membros da ORCRIM (organização de criminosos).Naquela mesma noite, Rodrigo Maia e Moreira Franco - representante de Michel Temer - foram à casa de Renan Calheiros. Durante o encontro, eles montaram o pacote contra a Lava Jato que os deputados aprovaram nesta madrugada, com o apoio de Lula e do resto do quadrilhão. A desonestidade dessa gente não tem limite”.

A presidente do Supremo Tribunal já afirmou que “não se calará a justiça” perante tal excesso. Enquanto que o “esquadrão” de promotores da Lava Jato ameaça renunciar se o Senado ou o presidente da República não vetar o descalabro. Atitude que a rigor exterioriza o caráter belicoso e extremado dos jovens procuradores e meio que desnuda uma tendência autoritária nos mesmos. “Tipo eu jogo com você, mas quem ganha sou eu”. E na vida real não é bem assim...

O fato concreto é que enquanto os poderes constituídos brigam entre si para ver quem irá “vencer” essa quebra de braço, a Nação perde. E muito, a cada dia.

É hora de colocar as coisas nos devidos lugares. Bandidos e corruptos têm que pagar por seus atos; procuradores da Lava Jato têm que fazer o seu trabalho técnico e ponto; o Executivo não pode continuar a mercê desses senhores que aí estão. Já não representam a ninguém, exceto eles mesmos; não é função do Ministério Público legislar. 

É incompreensível que nossas mais altas autoridades não enxerguem isso. Ou por outra: toda a confusão é apenas um arremedo de “briga” para viabilizar – como sempre aconteceu – um acordão para livrar a cara de todos?

O povo não vai aceitar isso. Tenham certeza.

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