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Edição nº 900 / 2016

01/12/2016 - 20:33:01

Relatório paralelo de CPI pede indiciamento de Gustavo Feijó

Prefeito reeleito de Boca da Mata e vice-presidente da CBF também é investigado pela Polícia do Rio de Janeiro

Vera Alves [email protected]
Três dias após cobrar cumprimento de acordo, Feijó pediu à CBF a antecipação do pagamento

Se conseguiu passar quase ileso ao longo deste ano, 2017 promete ser de turbulências para o prefeito reeleito de Boca da Mata, o cartola Gustavo Dantas Feijó (PMDB), também vice-presidente do Nordeste da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Poupado no relatório final e oficial da CPI do Futebol instalada em 2015 no Senado, ele teve seu indiciamento pedido no relatório paralelo apresentado pelos senadores Romário (PSB-RJ) – que preside a comissão – e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), por conta dos fortes indícios de caixa 2, crime eleitoral  que também será investigado pela Procuradoria Regional Eleitoral em Alagoas.

Mas não é só. Citado com frequência no relatório alternativo de 1024 páginas (o oficial, apresentado pelo senador Romero Jucá, do PMDB de Roraima, tem 480 páginas), Gustavo Feijó é alvo de inquérito policial instaurado no dia 30 de outubro último pela Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro e que investiga fraudes na transferência de jogadores entre clubes e associações de futebol. O caso envolve o meia Bismark, ex-ABC, para o futebol da Arábia Saudita em janeiro deste ano.

A polícia carioca suspeita que, tal qual em outros casos, tenha havido fraude no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF e a transferência de Bismark, que foi patrocinada pelo Santa Rita, o clube de Boca da Mata comandado por Feijó, tenha se dado mediante adulteração do documento. Os indícios de fraude são igualmente citados no relatório dos senadores Romário e Randolfe, cuja votação, assim como a do relatório oficial, se darão ainda este mês na CPI.

Como o caso já é investigado pela Polícia, Romário e Randolfe optaram por detalhar outra ilegalidade atribuída a Gustavo Feijó e outros dirigentes da CBF, o financiamento não declarado de campanhas eleitorais pela entidade. Documentos da CBF e a quebra de sigilos obtidos pela CPI com autorização judicial revelaram que a eleição do cartola alagoano para prefeito de Boca da Mata em 2012 teve o apoio financeiro da confederação: R$ 600 mil que não foram declarados à Justiça Eleitoral.

Feijó, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o atual, Marco Polo del Nero, chegaram a ter suas convocações aprovadas pela CPI, mas os depoimentos jamais foram tomados graças a uma manobra que teve a clara participação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). E foi por conta desta manobra que a comissão passou sete meses parada, à espera de que fosse votado no Plenário a decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa que, acatando parecer de outro senador alagoano, Benedito de Lira (PP), considerou ter sido legal a aprovação da convocação dos cartolas.

A decisão da CCJ, contudo, jamais foi colocada em votação por Calheiros.

AS PROVAS 

Foi o próprio Gustavo Feijó que “entregou” as provas do crime de caixa 2. A troca de e-mails entre ele e Marco del Nero revelaram que o cartola alagoano recebeu R$ 600 mil da CBF para bancar sua campanha a prefeito em 2012, cujo orçamento – dado por ele mesmo à confederação – era de R$ 2 milhões, dos quais R$ 900 mil destinados a vereadores.

As investigações pelo Ministério Público Eleitoral deverão revelar se estes R$ 900 mil envolviam a compra de apoios para o cartola. 

O acerto de ajuda financeira fora feito com Ricardo Teixeira, revela Feijó no e-mail datado do dia 13 de julho de 2012 e endereçado a Del Nero. Este manteve o acerto e três dias, também em resposta a outro e-mail do cartola alagoano, concorda em antecipar o envio da última parcela de R$ 50 mil do total de R$ 250 mil que ficaram pendentes da gestão de Teixeira, encerrada em abril de 2012. A transação envolve o diretor financeiro da CBF, Osório Ribeiro Lopes da Costa, cujo indiciamento foi igualmente pedido no relatório alternativo.

Em Alagoas, o procurador Regional Eleitoral Marcial Coêlho aguarda a chegada dos documentos obtidos pela CPI para instaurar procedimento investigatório. Esta semana, ele confirmou ao EXTRA já estar de posse da prestação final das contas da campanha de Gustavo Feijó de 2012 e que tem como valor declarado a irrisória quantia de R$ 130 mil.

Com certeza 2017 promete fortes emoções ao cartola alagoano!

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