Acompanhe nas redes sociais:

24 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 899 / 2016

28/11/2016 - 19:19:12

A velha prática política

Jorge Morais

Me parece que tudo o que já foi visto no país nos últimos anos ainda é muito pouco para alguns políticos. Desde o ano de 2013 o povo vem ocupando as ruas e pedindo políticas públicas sérias e comprometidas com a transparência. Em 2014 se exigia educação, saúde, segurança, pelo menos isso, no padrão Fifa da Copa do Mundo, o que foi feito na construção de estádios de futebol e em alguns outros segmentos para o evento que ficou marcado pelo Alemanha 7 X 1 Brasil.

De lá para cá muita coisa mudou. Imaginamos que tenha sido para melhor. Nesse meio tempo, tivemos o impeachment de uma presidente (Dilma Rousseff); o afastamento do cargo de presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha) e a consequente perda do seu mandato; muitos ex-ministros, senadores, deputados federais foram presos; empresários, doleiros e empreiteiros também estão na cadeia; delações premiadas que proporcionaram o repatriamento de milhões e milhões de dólares, que já perdi a conta dessa grana toda desviada; e, hoje, parte desse dinheiro está sendo distribuído para governos estaduais e municipais.

Esses são, apenas, alguns momentos vividos pelo Brasil, com a interferência da justiça, principalmente pela atuação do juiz paranaense Sérgio Moro e do procurador Rodrigo Janot, que ainda não cansaram das suas missões de investigar e mandar para a cadeia os famosos bandidos enrustidos na política brasileira, como são os casos mais recentes dos ex-governadores Garotinho e Sérgio Cabral, ambos do Rio de Janeiro. Está explicado porque o meu estado de nascimento, de uma hora para outra, quebrou até na emenda. Ou seja: quebrou literalmente.

Desde pequeno que sempre ouvi dizer pelos mais velhos, inclusive meu pai, que dois estados brasileiros jamais quebrariam: São Paulo e Rio de Janeiro. O primeiro pela grandeza de suas indústrias e fábricas, com a utilização de uma mão de obra determinada para o serviço e barata, que eram os nordestinos, que sem emprego em suas terras, migravam para aquele estado, como ocorreu com um ex-presidente (Lula), que depois andou passando os pés pelas mãos, e que todo mundo já sabe da história recente.

Por outro lado, diziam também que diferente de São Paulo, o Rio de Janeiro seria sempre grande, famoso e sustentável pelas belezas naturais, pelo turismo sempre pujante e que, com os outros agregados como a indústria e o comércio, a cultura e a música, seu povo jamais teria problemas para sobreviver. Seria, sempre, um mar de rosas, embalado na ideia de uma Cidade Maravilhosa, onde até a convivência com os morros e favelas seria fácil de administrar. O passado estava enganado em relação ao futuro, pelo menos, quanto ao Rio de Janeiro.

Agora, o quinto ministro do governo Michel Temer, o da Cultura, pede para sair, fruto da velha prática política de algumas “autoridades”.  O ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima agiu igualzinho à prática comum no governo anterior. Por interesse pessoal (ele adquiriu um imóvel em uma área de preservação em Salvador/BA), que depende de uma autorização federal para sua construção. Quis forçar a barra no Ministério da Cultura para a liberação, o mais rápido possível, o que provocou a renúncia do ministro Marcelo Calero.

Como desculpa esfarrapada, de amarelo que come barro, o ministro Geddel disse que a sua preocupação com a pressa na construção do empreendimento não era para se beneficiar (pois confirmou que comprou um imóvel naquele local), mas para não atrasar mais e prejudicar centenas de famílias que vão trabalhar nas obras. Só um idiota acredita nessa conversa do Geddel. E tem mais: ele não viu motivo nenhum para o ministro da Cultura pedir demissão, nem divulgar para a mídia os verdadeiros motivos da sua saída do ministério.

Esse é o quinto ministro do governo Michel Temer que pede para sair, por divergências com alguns outros ministros que fazem parte da “cara”velha da política brasileira e o presidente vai passando a mão na cabeça. Só espero que não se arrependa depois. Isso ainda vai dar muito o que falar.  

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia