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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 899 / 2016

28/11/2016 - 19:18:42

É hora do novo

ELIAS FRAGOSO

A prisão de dois ex-governadores do Rio, do ex-presidente da Câmara Federal, do ex-líder do governo e senador pelo PT, de vários ex-deputados, ex-ministros, do empresário mais rico do país, dos empreiteiros líderes das maiores (e mais corruptas) corporações da engenharia nacional, de presidentes e diretores de bancos além de uma miríade de asseclas e “assessores” certamente é um sinal muito positivo do que começa a acontecer no Brasil. Mas ainda muito pouco para o mal que a camarilha política fez ao país. 

Os principais “líderes” e os “cabeças” ainda continuam à solta. Uns (na verdade centenas deles ameaçados pela delação da Odebrecht) apoiando estratagemas congressuais como a anistia ao caixa dois, a penalização de juízes e procuradores e outras artimanhas (embora, no caso da justiça sejamos de acordo que é preciso alterar “o ambiente judiciário burocrático, muito formalista e lento demais, assombrado por rigores seletivos, que pune ou poupa quem, quando e como for conveniente aos seus esquemas hegemônicos” conforme Jorge Serrão). Outros tentando criar “fatos consumados” contra o juiz Moro para mais à frente servir de argumentos justamente nas “instâncias superiores” (e é aí que mora o perigo, só ingênuos podem supor que apenas a legislação tem poder de superar a subcultura da postergação de julgamentos via infinitos recursos processuais e assimilados) para anular a esperada prisão e julgamento como a do ex-presidente Lula e de sua “entourage”

A Lava Jato tem tido um caráter pedagógico para as pessoas que afinal descobriram que aqueles a quem elas elegem não querem mudanças. No máximo aceitam “reformas” (lembra-se da Dilma, aquela que achava que era presidenta da República?) Acham que assim, malandramente, como sempre fizeram, podem manobrar contra os interesses de toda a Nação, confiantes que no “frigir dos ovos não vai dar em nada”.  A partir da Lava Jato não é o que está acontecendo. Mas é preciso estar atento aos movimentos dessa escória que tenta na undécima hora fugir – como sempre - de suas putrefatas sujeiras. Dos crimes cometidos. Dos roubos que protagonizaram. Da tragédia econômica e social a que levaram o Brasil.

Por isso é preciso apoiar cada vez mais e decididamente o trabalho de quem luta contra a corrupção neste país, mesmo que aparentemente esse esforço se pareça com estar enxugando gelo.

A esse respeito vejam só. O impeachment levou ao governo federal o velho PMDB de guerra (aliado do PT, do PP e de outros partidos políticos no botim da Nação) e seu manjado discurso de mudanças. Que logo disse a que veio. Como sempre. Aumentou despesas (40 bilhões de reais), deu aumentos estapafúrdios à elite do funcionalismo público que irá penalizar a todos os brasileiros nos próximos anos, realizou um corte ridículo de 3 mil cargos comissionados (em 120 mil existentes), nomeou ministros acusados de corrupção (e foi obrigado a “desnomeá-los”) ou continua com enorme dificuldade em provar que não é refém de aliados corruptos que o cercam. Enquanto isso, a economia continua em compasso de espera. Justamente o que precisa de urgente intervenção para se evitar a catástrofe social que já se faz presente.

Pobremente, brande uma solução/ameaça: o corte de despesas que irá aumentar ainda mais a crise (em especial em Alagoas, pobre, dependente de verbas federais, sem programa de desenvolvimento de longo prazo para sair dessa situação). As demais reformas estruturantes (as quais já tanto nomeei aqui mesmo) da previdência, do trabalho, tributária e a reforma política, por falta de liderança do governo (como se o país pudesse esperar) não vão sair, e se forem aprovadas serão remendos. O de sempre.

Poderia ter acenado com uma lufada de esperança para a Nação via mão dupla, de ações corretivas impostergáveis nas três esferas governamentais, aliadas àquelas de longo prazo capazes de imprimir uma efetiva rota de crescimento sustentável para nortear investimentos privados, organizar as ações governamentais e preparar o país para um novo ciclo de desenvolvimento com menos corrupção. Mas não. 

Cercado por políticos que o apoiam preocupados apenas em salvar seus pescoços da guilhotina, não está se dando conta de que o país em brutal crise econômica, certamente a pior dos últimos 50 anos, está a caminho do “corner” da eclosão social. A “implosão” das contas de vários governos estaduais e suas tragédias sociais conexas é mais que um alerta; a explosão do número de assaltos, crimes, do consumo de drogas e a incapacidade do aparato sócio policial de contornar tal situação já podem ser consideradas a fase primeva de uma pré-guerra social anunciada, fraticida, ostensiva e nada silenciosa entre aqueles que nada têm - sequer esperanças - contra seus irmãos, brasileiros como eles, que têm apenas um pouco mais.  Mantida a situação atual de 12 milhões de desempregados (nada irá mudar durante 2017 com este governo), nem mesmo a “elite” e seus seguranças, carros blindados e muros altos agora estará protegida.

Faltam-nos estadistas capazes de propor caminhos e saídas. É hora de mudanças. De verdade. Não com os mesmos de sempre. É tempo para o novo. Sem aventureirismo. 

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