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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 899 / 2016

28/11/2016 - 18:50:12

Jorge Oliveira

Maceió fede

Jorge Oliveira

Maceió - Uma cidade que pretende atrair turistas não pode descuidar do meio ambiente nem das coisas básicas do atendimento ao visitante, cada vez mais exigente. As praias de Maceió, infelizmente, estão contaminadas, fedem, afugentam as pessoas que passeiam pelo litoral da Cruz das Almas ao Pontal da Barra. O maior descaso da administração é com a Pajuçara, por sinal onde mora Guilherme Palmeira, o pai do prefeito. Durante toda semana o fedor que exalou da praia, em frente a barraca do Pirata, foi insuportável. Dava vergonha assistir o turista atravessar a rua para fugir da catinga que exalava do mar, onde os bueiros despejavam o esgoto dos luxuosos prédios na água.

Naquele pedaço de praia o que se via era um lamaçal de esgoto desfigurando a cor belíssima do mar. Não existia uma placa sequer para orientar os turistas sobre a impropriedade do mar para o banho. É inconcebível que o litoral de Maceió ainda seja afetado pelo esgoto que desemboca do Salgadinho e dos prédios que contornam a orla, quando se sabe que todas as capitais do Nordeste já despoluíram as suas praias e, por isso, vêm recebendo mais turistas do que a nossa capital. 

Condenar apenas essa administração por esse descaso seria uma injustiça, pois todos os prefeitos que passaram por Maceió nos últimos trinta anos não se preocuparam em despoluir as praias de Maceió. A Kátia Born, que governou a cidade por oito anos, não apenas se descuidou dos problemas da orla como ainda tomou banho de biquini no Salgadinho, uma presepada inesquecível para os maceioenses que viram pela televisão a galega mergulhar na lama para conquistar alguns votinhos na reeleição. Não se sabe até hoje os efeitos do ato tão heroico para a saúde da ex-prefeita.

O que se sabe também é que milhões de reais já foram jogados no Salgadinho e o riacho – o mais sólido do mundo – continua despejando esgoto na Avenida da Paz, uma das mais belas do Brasil. O paradeiro desse dinheiro que chegou aos cofres da prefeitura é um mistério. Sabe-se, portanto, que em nome do Salgadinho políticos enriqueceram e se tornaram donos de luxuosos apartamentos na orla, uma ironia para quem tinha a obrigação de salvar o nosso riachinho poluidor.

Mas se não devemos responsabilizar apenas o Rui pela poluição das nossas praias, outras coisas na orla são da sua responsabilidade. Por exemplo: a ciclovia, que beira as praias mais bonitas do país, está um lixo. Isso mesmo, um lixo! Recuperada às vésperas das eleições, o trajeto entre Jacarecica e o Pontal da Barra é um perigo para quem pedala. Buracos imensos, principalmente no trecho da Pajuçara, estão lá há muito tempo. Em alguns locais ainda existem as marcações do xis para reparos que nunca foram feitos. A tinta vermelha já descoloriu, alguns locais têm ondulações desnecessárias e a sinalização da ciclovia é precária. Se alguém da equipe do Rui duvidar dessas informações, eu desafio o responsável por esse serviço a pedalar comigo pela orla.  

Rui, que se reelegeu, deveria passar o pente fino na sua equipe e afastar os incompetentes. Um deles, certamente, seria esse senhor que cuida do serviço urbano da cidade. Não acredito que esse burocrata ande pela cidade. Os bairros estão entulhados de lixo, os bueiros entupidos, a ruas esburacadas, os corredores de ônibus invadidos por carros particulares, a periferia abandonada e o bairro da Levada, coitado, sofre com o riacho fedido que corre por entre as suas ruas.

Para compensar o maltrato da cidade, na orla, os garis andam em grupo como se quisessem mostrar serviço à população. A mais crítica, claro, que mora no local. Um trabalho perfeito de marketing para quem não cuida do resto da cidade.

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