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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 898 / 2016

22/11/2016 - 10:11:36

Histrionismo vitorioso

CLÁUDIO VIEIRA

Sou assíduo leitor do Maurício Pitta. Gosto de sua linguagem cultamente simples, sem aqueles rebuscamentos inúteis que apenas satisfazem a vaidade. Aprecio suas crônicas – pena que esporádicas demais – sempre atuais, de finas ironias subliminares bem postas. Apressei-me a ler a última, assim que vi sua assinatura no texto. No rescaldo da vitória de Donald Trump, comentava ele sobre as razões do resultado das urnas americanas, como criticamente visto pelo cineasta Michael Moore. Pitta conclui com sucinto e sábio comentário sobre aquilo com que nós, os brasileiros, devemos nos preocupar: o próximo 2018.

A vitória do histriônico Trump (fico imaginando trocadilho para o Charlie Hebdo: TRUMP-TRAMP) tem arrebatado as opiniões de brasileiros de vários rincões e atividades. Uns, dizendo-se conservadores, alegram-se; outros, os liberais, preocupam-se, assim como economistas de muitos credos. Há também aqueles que, como certo amigo meu, regozijam-se porque o novo presidente americano promoverá, segundo afirma, “o afundamento de vez dos Estados Unidos”. 

Não sou americanófilo, muito menos americanófobo. Apenas tenho admiração por certas características do povo americano, como o amor a sua história, o egoísmo patriótico, que considero bom pois erige em vontade nacional o crescimento e a grandeza do país. Também a democracia liberal, essa digna de espraiar-se pelo mundo. Incomoda-me, porém, a arrogância, não necessariamente do povo, mas dos governantes daquela nação. Daí, deploro a circunstancialmente pouco inteligente opinião daquele meu amigo, porquanto o naufrágio da nau americana sem dúvidas trará consequências graves em prejuízo do mundo, inclusive do Brasil. De qualquer sorte, se o sistema eleitoral dos Estados Unidos elegeu um presidente pouco ou nada confiável, mesmo sendo isto motivo de preocupação para todos, é problema imediato do povo americano que, por seus representantes na Câmara e no Senado, e na Justiça, hão de temperar os arroubos nada democráticos revelados pelo candidato eleito durante a campanha. Afinal, o mundo, assim como o conhecemos, já sobreviveu a hecatombes certamente maiores, e, como diria meu pai, “loucura tem limites”.

Devemos, então, seguir o conselho do amigo Maurício Pitta: preocupar-nos com o nosso 2018. Vou mais além! A nossa preocupação deve ser a partir de agora, já que não foi de mais tempo. Precisamos transmudar a nossa política, e isso só será possível mudando os nossos políticos, elegendo pessoas realmente dignas para nos governar. Mesmo que seja apenas um sonho, ainda penso que devamos, um dia, ter no Brasil uma epistemocracia, ou governo de sábios, segundo nos ensinaram Platão e Aristóteles.

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