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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 898 / 2016

22/11/2016 - 10:11:09

Limpem minha imagem

Alari Romariz Torres

Estamos lutando há mais de 10 anos para denunciar à sociedade o que se passa nos bastidores da Assembleia Legislativa de Alagoas. Várias Mesas Diretoras por lá passaram e nenhuma demonstra preocupação em tornar o Poder digno do respeito de todos.

 Nosso sofrimento começou com a vinda do duodécimo implantado pela Constituição de 1989. Antes, os deputados não administravam o dinheiro; ele ficava com o Executivo. Depois, quando eles se viram com milhões de reais nas mãos, o circo pegou fogo.

A pobre ALE chegou a ter 5.000 funcionários e um duodécimo de 7 milhões e meio de reais no Governo de Divaldo Suruagy. O “reizinho”, um deputado, suposto dono do Legislativo, deitava e rolava. Reclamávamos ao chefe do Executivo e ele dizia: “O Toinho me afirmou que precisava de tanto”. 

Os anos foram passando, medidas paliativas acontecendo, mas os dirigentes descobriram que podiam modificar nossos salários. Mecanismos absurdos foram utilizados e as mentes dirigidas para o mal inventavam novas maneiras de manipular o duodécimo.

O auge da degradação ocorreu quando o Ministério Público pediu à Justiça o afastamento da Mesa Diretora comandada por Fernando Toledo. Alegria total! Agora, tudo seria resolvido, pensamos! Ledo engano: eles voltaram com mais sede ao pote. E o Toledo virou conselheiro do Tribunal de Contas.

Nova Mesa veio e a situação foi piorando. Passaram 18 anos sem pagar o terço de férias. Depois de muita luta, voltaram a pagar. Só que agora, apenas metade do terço e assim mesmo, aos escolhidos. Dezenas de processos sobre férias não pagas dormem na Justiça

Não se assustem; vem mais por aí. Através de um projeto de Lei, aprovado em plenário, foi criado um subteto ilegal e centenas de companheiros tiveram, de repente, seus salários cortados. Fomos à Justiça, ganhamos, mas o que saiu de nossos contracheques nunca foi devolvido. Quem não conseguiu pagar advogado ainda hoje recebe com cortes. Os afilhados do rei recuperaram seus salários, mas o subteto ilegal continua valendo para os pagãos.

De vez em quando aparece uma novidade: imposto de renda não recolhido ou cobrado em duplicidade, previdência descontada de maneira errada, processos administrativos dormindo na sala do primeiro-secretário, aposentados que não recebem o salário de inativos pela primeira vez.

Os aposentados são perseguidos pela atual Mesa Diretora; seus processos ficam até 12 meses parados com o primeiro-secretário. Num acordo dúbio com o Executivo, os inativos foram jogados no Alagoas Previdência, com “perna lá e outra cá”. Explico melhor: toda vida funcional dos velhinhos ficou no Legislativo; 33% do valor da folha dos aposentados são pagos pela ALE e 67% pelo Executivo. Em contrapartida, os deputados liberaram 460 milhões de reais da Previdência para que o jovem governador pagasse o 13º salário de 2015 aos servidores estaduais. Pessoas que trabalharam por mais de 40 anos na Assembleia Legislativa serviram de “bucha de canhão”. 

Dia de pagamento em nossa querida Casa é uma loucura! A Associação dos Aposentados vira um confessionário. Não existe segurança na vida funcional de ativos e inativos. Felizes são os comissionados: cerca de 800 escolhidos com salários dobrados. Infelizmente, correm boatos de que parte dos valores recebidos retorna para os deputados. Como provar? Só eles, os assessores, podem confirmar.

É impressionante que até hoje, não tenha aparecido um homem honesto destinado alimpar a imagem do Poder Legislativo de Alagoas.

     O Brasil vive uma crise sem precedentes, caminha para um futuro incerto, mas os parlamentares de nosso Estado não se abalam com nada. Todos os dias Deputados e Senadores são indiciados, outros tantos se apavoram com a Lava-Jato, mas Alagoas vive fora da realidade.

Quando chegar a hora final poucos vão escapar. Se não pode haver limpeza moral, que se dê um banho de água e sabão na Casa de Tavares Bastos.

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