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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 898 / 2016

22/11/2016 - 10:01:05

Estudante alagoana vive novela após não realizar prova

Família abre processo contra o Inep junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região

José Fernando Martins [email protected]

A família da estudante alagoana W.P.C, 17, entrou com uma ação no Tribunal Regional Federal da 5ª região (TRF) contra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). O motivo do processo é que a jovem foi impedida de realizar o Exame Nacional do Ensino Médio, aplicado no dia 5 de novembro. 

Conforme os autos, o fato aconteceu na Faculdade de Tecnologia de Alagoas (FAT), localizada na Serraria, em Maceió. “A demandante utilizou sua cédula de identidade original, primeira via, para identificar-se à fiscal que se encontrava em frente à sala, que analisou e permitiu sua entrada para a realização do exame”.

O processo relata detalhadamente o que aconteceu no dia da aplicação da prova. De acordo com os altos, às 13h, a estudante recebeu o caderno de questões com o cartão-resposta, além do cartão para a coleta biométrica. Porém, no momento que a fiscal, identificada como senhora Elísia, dirigiu-se até a mesa da moça e verificou mais uma vez a identidade alegou que o documento seria uma cópia. 

“A fiscal dirigiu-se em momento posterior para dizer-lhe, em suas palavras, que ‘infelizmente, não se pode fazer a prova com a cópia, somente com a original’. O documento não tinha sido tomado para maiores análises; a conclusão foi tomada sob análise superficial da fiscal, num rápido lançar de olhos”, descreveu a defesa da estudante. 

A menor foi encaminhada até à coordenação onde foi orientada para que assinasse um papel para que pudesse fazer a segunda parte da prova que ocorreria no dia seguinte, 6. No outro dia, a jovem junto à sua mãe foi até a FAT para realizar a segunda etapa do exame. Lá foram informadas novamente que a cédula de identidade era uma cópia sem validade. 

Indignada, entre os pedidos da família à Justiça está indenização por danos morais à adolescente e que ela possa realizar a prova do Enem marcada para dezembro.

A POSIÇÃO DO INEP

O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) afirmou na última quinta-feira (10) que não houve irregularidade na eliminação da estudante no Enem. De acordo com o Instituto, Waleska portava uma cópia colorida do documento de identidade, que não era válido segundo o edital do exame.

Ainda de acordo com as explicações, a estudante foi conduzida até a coordenação, onde foi questionada sobre o documento original e Waleska teria respondido que havia esquecido na bolsa de sua mãe. Em seguida, ela teria assinado o termo de eliminação na presença do certificador do próprio Inep.

No dia seguinte, ela teria retornado ao local de prova acompanhada de sua mãe e mais uma pessoa, não identificada pelo Inep, onde teriam se exaltado após nova confirmação de que a estudante não poderia realizar o exame e só deixaram o local após notarem a presença da polícia.

DESABAFO 

NO FACEBOOK 

Antes mesmo de toda essa novela judicial, a estudante desabafou no Facebook o ocorrido. “Ainda estou consternada. No sábado, fui fazer o ENEM normalmente. Como estou no terceiro ano do ensino médio, minha pretensão era fazer uma prova tranquilamente, para que pudesse ser aprovada no curso que ainda almejo entrar. Pois bem, fui ao local de prova, na FAT, em Maceió. Entrei na sala de provas, fiz todos os procedimentos necessários: analisaram a identidade e guardei o que era para guardar. Aguardei o início das provas e, quando autorizado, comecei a fazê-la”.

Ela ainda detalha como iniciou tudo. “Mais ou menos na questão 75, quando a fiscal foi coletar o cadastro biométrico, ela pegou minha identidade (até então normal) e alegou que era cópia, que eu não poderia fazer a prova portando cópia de documento. A questão é que não era cópia, era a mesma identidade que emiti em 2009 pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, a mesma que usei para emitir o Passaporte pela Polícia Federal, o título de eleitor pelo Tribunal Regional Eleitoral, para viajar aos Estados Unidos, enfim, para tudo. Mesmo dizendo o contrário, ela foi à minha cadeira quatro vezes para insistir que era cópia”. 

“Interrompia e me atrapalhava, além de me deixar preocupadíssima com a situação. Na quinta vez ela me pediu para que eu a acompanhasse até a coordenação. Lá me fizeram assinar um papel em branco (literalmente em branco, nada escrito), no qual a coordenadora também assinou, e esta mandou o fiscal ir pegar minhas coisas no local de prova, pois, segundo ela, eu não poderia voltar para lá. Ela me disse que, se eu quisesse ir fazer prova amanhã, eu teria de levar a identidade e um Boletim de Ocorrência” relata.

Ainda segundo a estudante, no outro dia ela teria levado os documentos, além do passaporte. “Entrei normalmente na sala novamente. Quando eu estava esperando para fazer as provas, um fiscal veio me chamar para a coordenação, e o acompanhei. Entre muitos fiscais, todos de farda branca, havia um garoto, do qual soube que estava em situação igual à minha. A coordenadora falou para nós: “Estou admitindo meu erro de ter mandado vocês virem hoje. Vocês vão ser eliminados pelos dois dias de prova”. 

“Estudei para isso. Sem contar que fui treineira nos outros anos. Logo no meu terceiro ano isto me vem acontecer. E sem falar do constrangimento que passei com isso tudo: todos da sala comentando, se perguntando o que podia ter acontecido”.

Ela ainda questionou a postura dos fiscais. “Outra coisa terrível foi a ameaça que fizeram ao garoto quando viram que ele queria me ajudar. Disseram que não era o mesmo caso e que ele poderia se prejudicar no ENEM do ano que vem. Será que esses fiscais têm tanta influência assim no ENEM, a ponto de prejudicá-lo se ele decidir abrir a boca? Fiquei pasma, perplexa.

Chorei muito em ambos os dias, e ainda me sinto péssima por causa disso tudo. Não quero ter de passar por isso nunca mais. Quero que ninguém tenha de passar por isso”.

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