Acompanhe nas redes sociais:

15 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 898 / 2016

22/11/2016 - 09:55:05

Jorge Oliveira

A arrogância de um condenado

Jorge Oliveira

Maceió - Ao trocar a suprema arrogância pela humildade depois de ter sido condenado a quase vinte nos de prisão, Marcelo Odebrecht decidiu mostrar ao juiz Sérgio Moro o mapa do desvio de 7 bilhões de reais que saíram do propinoduto da sua empresa para políticos e afins. Só o Lula, segundo a IstoÉ, meteu a mão em 8 milhões de reais, dinheiro que lhe foi entregue ao vivo e a cores pelo próprio empreiteiro. A Dilma, que agora tenta passar imagem de boa samaritana, é citada 16 vezes na delação do ex-presidente da Odebrecht, que foi ainda mais longe. Disse que ela pediu dinheiro para sua reeleição em 2014 e que o intermediário do caixa dois foi o ministro Palocci, já preso.

É a maior delação premiada do mundo de uma empresa que fatura mais de 130 bilhões de reais e que durante anos deu as cartas no país. Não só Marcelo, mas também seus 80 executivos abriram o bico para o juiz Sérgio Moro e sua equipe que prometem, em contrapartida, aliviar a condenação de todos eles. Em compensação, Moro revela para o Brasil o maior esquema de corrupção de uma organização criminosa que se travestiu de partido político para assaltar os cofres públicos. Assustado com o volume de informações obtidas pelos procuradores da Lava Jato que o apontam como o chefe da bandidagem, Lula vociferou contra a Polícia Federal, Sérgio Moro e os procuradores, desafiando-os a mostrar provas da sua participação na quadrilha. Coisa de quem continua acuado.

Marcelo Odebrecht chegou à Polícia Federal do Paraná arrotando prepotência. Imaginava que o dinheiro e o poder iriam comprar a consciência dos procuradores e do próprio Moro, como ainda é comum no Brasil. Antes de ser preso, conversou com a Dilma sobre o interesse que tinha na nomeação do ministro do STJ, Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, cuja tarefa, ao ser nomeado ministro do tribunal, seria soltar ele e seus comparsas, como denunciou o ex-senador Delcídio do Amaral. O tiro, entretanto, saiu pela culatra quando os próprios pares de Navarro no STJ desconfiaram da armação e bloquearam o habeas corpus que iria implodir a Lava Jato.

Ao se sentir isolado, Marcelo ainda tentou enfrentar Sérgio Moro. Em alguns depoimentos tratou o magistrado com desdém, menosprezo. Achou que a fortuna, que comprou durante anos políticos e presidentes, dava-lhe o direito à impunidade e a confrontar os investigadores da Lava Jato. Por algum tempo não se deu conta de que enfrentava um lado até então desconhecido da justiça brasileira: um juiz e procuradores sem rabo preso que tinham como objetivo apurar o maior escândalo de desvio de dinheiro de empresas públicas. A ficha de Marcelo só caiu quando o martelo implacável de Moro desabou sobre a sua cabeça, condenando-o à prisão.

Homologação

Quando for homologada pelo ministro Teori Zavascki até o final deste mês, a delação de Marcelo Odebrecht não deixará pedra sobre pedra. Um dos alvos, como se saberá lá na frente, também é o BNDES que durante os mandatos do Lula e Dilma foi chefiado por Luciano Coutinho. Marcelo Odebrecht contou aos procuradores na delação que Luciano Coutinho e o ex-ministro Guido Mantega eram os intermediários das doações à campanha de Dilma em 2014 que tinham como caixa o BNDES.

Caixa dois

As empresas que obtinham financiamento do banco para obras no exterior eram obrigadas a fazer doações ao PT. Lula, o lobista de luxo da Odebrecht, já responde a processo sobre sua influência na liberação desses recursos, mas Coutinho e Mantega ainda conseguem sair de fininho da sala da corrupção até agora. É claro que Lula não agiu sozinho. A aprovação desses empréstimos no exterior teve a participação de Coutinho para liberar o dinheiro para Odebrecht que depois voltava para as campanhas petistas.  

O roubo

O brasileiro é um cara pacífico, tolerante e, sobretudo, honesto. Talvez por isso ainda não se deu conta de que é roubado diariamente.  É incapaz de se defender, de lutar pelos seus direitos quando é espoliado nas compras dos supermercados, nas farmácias, nas passagens aéreas, no transporte público e nas pequenas coisas do cotidiano. Não adere nem mesmo a um boicote para punir o empresário guloso e ganancioso.

Remarcação

O que vem acontecendo com os preços no Brasil é um crime contra a economia popular. Remarca-se os produtos nos estabelecimentos comerciais com tanta volúpia que é como se o país estivesse à beira da falência. Nos aeroportos então o reajuste dos preços beira o assalto. Por exemplo: paga-se por um pão de queijo (Casa do Pão de Queijo), no aeroporto de Brasília, R$ 6,00. Por uma água mineral também R$ 6,00, um suco de laranja (popa) R$ 10,00 e por um café pequeno (pingado) R$ 9,00, sem falar no sanduíche emborrachado de R$ 16,00 e do bolinho da casa R$ 7,00.

Mais caros

Os produtos aqui certamente são os mais caros do mundo. Quando comparados aos preços das economias dolarizadas e eurolizadas, mesmo assim ainda somos os campeões. O empresário aumenta os preços a seu bel prazer porque não existe um órgão competente do governo para combater a usura e a ganância. Em um país que mantém a inflação controlada, não se justifica que as máquinas da remarcação trabalhem freneticamente para subir exageradamente o preço dos produtos de primeira necessidade, a exemplo do que ocorria quando o país vivia sobre o impacto brutal da inflação até o surgimento plano real no governo de Itamar Franco.

Inutilidade

A Anac, agência de Aviação Civil – que deveria vigiar os aeroportos e o abuso das passagens aéreas - na verdade é um órgão ocioso. E quando atua é sempre a favor dos donos das companhias aéreas e dos aeroportos administrados por empresas privadas, como o de Brasília. Não se sabe até hoje de nenhuma medida da agência que teria beneficiado o consumidor. Não faz muito tempo, alguns de seus diretores foram flagrados burlando a lei para ajudar os empresários da aviação. Recebiam em troca passagens de cortesia e outros favores ilícitos para fechar os olhos para os aumentos abusivos dos bilhetes. Não se conhece uma ação da agência que teria beneficiado o passageiro. E quando este reclama das companhias não é ouvido. A agência virou um órgão burocratizado que só serve para empregar os apaniguados dos políticos que indicam seus diretores.

Os remédios

Outro abuso diário acontece com a compra de remédios. As farmácias trabalham normalmente com duas tabelas. Sem que o consumidor peça qualquer tipo de desconto, os preços já caem automaticamente desde que o cliente se submeta a fazer um cartão da rede. Caso contrário, ele é obrigado a pagar o dobro pelo remédio. Um farmacêutico não escondeu de mim a extorsão. Disse que o preço acima da tabela serve para remunerar o vendedor e a própria rede farmacêutica. O que excede do preço normal é dividido entre o patrão e o empregado em forma de comissão.

Mercados

Nos supermercados a coisa não é diferente. Começa pelos produtos de má qualidade. Algumas empresas para não remarcarem os preços diariamente optam por reduzir a quantidade do produto, como vem ocorrendo com o leite e outras mercadorias. De uma forma ou de outra, o consumidor está sendo lesado. Como não tem para quem apelar, enxuga o orçamento e diminui nas compras para tentar sobreviver.

Ganância

Os empresários agem como se o Brasil estivesse no mesmo nível da Venezuela, onde a inflação está fora de controle. É como se não existisse confiança no governo nem na sua política econômica. Os órgãos de fiscalização que punem essa prática danosa à economia popular estão inertes, assim como os políticos que não compram passagens aéreas e nem vão ao supermercado. 


Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia