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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 898 / 2016

17/11/2016 - 19:00:31

Assoreamento do Rio São Francisco preocupa população de Penedo

Ribeirinhos lembram período de abundância de água e temem dias piores

Maria Salésia / Texto e fotos [email protected]
Bancos de areia e pedras são visíveis no leito do Rio da Integração Nacional

uem visita Penedo, cidade histórica às margens do Rio São Francisco, fica estarrecido com o cenário degradante do Rio da Integração Nacional. O assoreamento acontece em todo o seu percurso, mas por lá as consequências são mais visíveis. Não precisa se aproximar muito para notar os bancos de areia e pedras no leito do Velho Chico. O problema atrapalha ainda a principal atividade dos ribeirinhos: a pesca.

Para os moradores, acostumados com a abundância de água, efervescência de pessoas nas embarcações e fartura do pescado, a preocupação é ainda maior. O reflexo da situação não é nada animador e implica em problemas inclusive para as embarcações chegam a ficarem “ilhadas” ou têm suas hélices quebradas no reboco de areia. “Para nós, acostumados a tomar banho no rio e ver a imensidão das águas e o vai e vem de embarcações, pessoas, pescados é muito triste assistir a tudo isso”, comparou a diretora da Radio Penedo FM 97.3,  Marta Martyres.

A travessia de turistas ou até mesmo de moradores que vivem do outro lado do rio já está ameaçada. O transporte fluvial tende a ser coisa do passado e o rio pode ficar inavegável, o que todos torcem para que nunca aconteça. Mas a ausência de chuvas, além da poluição e desmatamento das margens do rio e a vazão praticada atualmente contribui para o caos na navegação do rio.

O problema é caso de estudo e divide opiniões. No artigo “Meu Velho Chico um rio pede socorro”, de Andrea Zellhuber e Ruben Siqueira, publicado em 2009, os autores retrataram a força do Velho Chico. Em um trecho do documento, eles esclarecem que “O Rio São Francisco, pode-se dizer, é um milagre da natureza, pois faz o capricho de correr ao contrário e se estende do Sul mais baixo para o Norte mais alto, devido à falha geológica denominada ‘depressão sanfranciscana’. Isto o torna muito vulnerável, pois a  declividade (média 7,4 cm por km) na maior parte de sua extensão, justamente a que recebe poucos afluentes, favorece o desbarrancamento e o assoreamento”. Mais romântico, porém com mesma preocupação,  Ariano Suassuna escreveu certa vez que “Quando o Brasil quer se reencontrar ele precisa voltar ao Vale do São Francisco”.

Encontro  com

o mar, atrativo 

à parte

O encontro das águas do Velho Chico com o mar, em Piaçabuçu, Alagoas, faz esquecer toda degradação que o rio tem passado nas últimas décadas. O cenário paradisíaco, moldurado por dunas douradas, formando um delta com coqueiros e lagoas de águas azuis leva o visitante a entrar em êxtase.  O passeio à foz é feito em barcos, grandes ou pequenos, e  não foi diferente com o grupo que a reportagem acompanhou no domingo, 6, de novembro. Carlos, Zenith, Fernando, Ana Flávia, Nuno, Lucas, Juliana, Willames, Ângela, João Neto, Eleneida, Chistiano, José Ronaldo, Salésia, Gilberto, Rebeca e Lena partiram de Piaçabuçu naquela manhã ensolarada em encontro ao mar e as dunas. No caminho, a paisagem encantadora e a mansidão das águas do Velho Chico, em certos momentos contrastava com o barulho das pessoas que passavam em grandes embarcações.

Com olhares fixos, foi possível flagrar a elegância das garças na margem do rio, o aceno dos ribeirinhos com um sorriso largo no rosto, o farol abandonado, mata ciliar e lugarejos com seus encantos e histórias contadas pelo guia Fernando. Além do que a trilha sonora composta praticamente por músicas reverenciando o São Francisco permitia dar asas à imaginação. Mas a emoção maior foi no momento do encontro das águas. O sentimento é incomparável, contagiante. Só estando lá para sentir.  

E neste ambiente mágico, um fato não passou despercebido e foi motivo de descontração. Um grupo tomava banho na margem do rio e um pouco afastado, um menino, de 4 ou 5 anos, em sua inocência, fazia xixi. Ao descobrir que estava sendo observado pelo grupo, apenas acenou com a outra mão e sorriu. Todos sorriram juntos e o Velho Chico seguiu seu rumo conduzindo seus admiradores e com mais uma história para contar.

E como “a natureza não tem pressa, segue seu compasso”, a próxima parada foi nas dunas de Piaçabuçu. O lugar é paradisíaco, com coqueiros e areia fina e quente. Apesar de estacas fixas nas dunas, o que tira um pouco da beleza do lugar e preocupa ambientalistas, tem ainda a opção de se banhar nas águas do Velho Chico. Mas quem preferir pode ficar na embarcação, ou comprar artesanato por lá ou se perder na imensidão das dunas. De volta, tem a opção de desbravar a outra margem do rio e se deliciar com frutas da terra, melancia e abacaxi, cortesia da “casa”.

Lendas, coisas que ouvi dizer, histórias de pescador, carrancas e outros assuntos fazem parte da história do São Francisco. Mas o navio Comendador Peixoto é uma daquelas pérolas da navegação que mesmo deixando de ter vida útil nunca são esquecidos. E graças ao baixo volume de água no Rio São Francisco o Comendador Peixoto ressurge das águas, décadas após ficar no fundo do rio. 

A embarcação, que viveu seu apogeu na década de1950,  nos anos 1960 naufragou no porto de Penedo. Diz a história que o navio a vapor foi construído na Inglaterra para navegar no Rio Amazonas e foi incorporado à cidade de Penedo pela Companhia de Navegação Peixoto, passando a fazer parte da navegação do Baixo São Francisco, interligando o porto de Penedo até Piranhas.

Segundo moradores da época, nas festas do Bom Jesus dos Navegantes o navio Comendador Peixoto era uma grande atração no cenário das águas. Era ele que nas procissões do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, acompanhado das canoas de toldas, levava a imagem do Santo Padroeiro dos pescadores.

Mas seu afundamento se deu devido a furo no casco, “no lado esquerdo da embarcação - sentido popa/proa - por onde houve uma grande penetração de água fazendo-o adornar para o lado do rio e afundar”. No entanto, há quem diga que os proprietários resolveram se desfazer do hotel porque estava ultrapassado.

VIAGEM DO 

GOVERNADOR

O Comendador contava com camarotes e alas de passageiros. Ainda tinha espaço reservado para carga. E nesta época da pujança do Penedo desenvolvido, a embarcação tinha papel fundamental. Inclusive, serviu de abrigo por alguns dias para o então governador de Alagoas, Luís Cavalcante, e uma equipe de médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fotógrafos entre outros profissionais. A equipe saiu de Piranhas pelas águas do Velho Chico atendendo a população ribeirinha que ficava do lado de Alagoas. A expedição terminou em Penedo com uma grande festa promovida pelo major Luís, como  era conhecido o governador.

Segundo o repórter fotográfico José Ronaldo, que fez parte da comitiva, quando a equipe chegava a vilas, povoados e cidades era uma verdadeira festa. “Sem contar”, diz o repórter, “que o cantor Roberto Beckek (falecido em 2012) foi contratado para animar a viagem”.

Mas o navio que subia e descia o Rio São Francisco há anos não passa de morada de peixes e dejetos. Há informações de que até tentaram resgatar o velho navio para fazer um hotel flutuante, mas não passou de tentativa. Agora, com a baixa vazão do rio, parte da embarcação veio à tona. Apesar da situação caótica, a descoberta atrai moradores e visitantes que tentam desvendar o mistério do Comendador Peixoto.

HOTEL 

SÃO FRANCISCO

Marco da arquitetura moderna, o Hotel São Francisco, erguido ao lado do casario colonial no Centro Histórico de Penedo,  resiste ao tempo e hoje aos 54 anos oferece o que há de melhor na região. Com vista privilegiada sobre o rio homenageado com seu nome, o hotel foi inaugurado  em 31 de janeiro de 1962, sob o comando do Comendador José da Silva Peixoto, responsável pelo investimento mais moderno em hotelaria no Nordeste da época. Muitos famosos já se horpedaram lá, a exemplo do cantor Roberto Carlos, no ano de 1973.

O empreendimento é mantido pela terceira geração da família e apesar da crise continua de portas abertas. O segredo para a resistência, diz José Roberto Peixoto, são as reformas, porém mantendo a preservação do estilo dos anos 60. Assim, quem aportar em Penedo e precisar ficar um tempo por lá a dica é o hotel. Conforto básico, quartos amplos, excelente receptividade de proprietários e funcionários, além de comidas típicas, a exemplo da refeição matinal.

De acordo a gerente Aline Peixoto, outro diferencial é a dedicação e história do hotel, que por se só já é um marco para a cidade. “Unimos a tradição e o conforto para que o lazer de nosso visitante seja completo. Venha fazer parte de nossa 


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