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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 897 / 2016

15/11/2016 - 08:24:18

Jorge Oliveira

Jorge Oliveira

Cascais, Portugal - A semana passada, a Folha de S. Paulo descobriu a Dilma em Porto Alegre e fez uma matéria chorosa com ela. Mostrou-a uma coitada, isolada em um modesto apartamento de um prédio sem porteiro. Para os desavisados, a ex-presidente, depois do impeachment, recolheu-se a um quarto e sala sem móveis onde é atendida por uma diarista tão ou quanto singela como ela. Atiçado pela minha verve cristã, pensei, depois de ler o texto, em mandar um dinheirinho para a Dilma, uma coisinha que ajudasse no seu sustento diário ou – quem sabe – ajudar no próprio aluguel. Mas logo me dei conta de que ela recebe gordas aposentadorias, portanto, a história contada pelo repórter do jornal não passa de uma encenação de quem quer parecer honesta e pobre para fugir da Lava jato.

Resisti à minha tentação caridosa porque logo lembrei como a Dilma foi nociva ao país. Como foi conivente com a organização criminosa petista que assaltou os cofres das empresas públicas. Como foi dissimulada com todas as falcatruas que a sua equipe promoveu durante os seus anos de governo. Quanta desordem administrativa, quanta desordem mental nas decisões, nos discursos e nas conversas com líderes estrangeiros. Quanta roubalheira. Agora, querendo esquecer o passado, ela abre o seu quarto e sala para se mostrar uma mulher sem arrogância, pobre, mortal como a sua diarista. Quer passar a impressão que deixou a presidência com uma mão na frente e outra atrás, que não compactuou com a roubalheira que começou com ela quando autorizou a compra da refinaria do Texas.

É difícil para o brasileiro engolir essa farsa, quando sabe que ela passou na frente de milhares de contribuintes para conseguir a sua aposentadoria, motivo de um processo administrativo dentro do INSS. Que ao deixar a presidência, agora tem direito a uma pensão vitalícia, a segurança, carro oficial e combustível. Que se acumpliciou com o Palocci, seu ex-ministro, para captar milhões de reais de caixa dois para a sua campanha. E que, finalmente, nomeasse ou ratificasse os nomes de todos os diretores da Petrobras que roubaram bilhões da empresa.

O repórter conta na matéria que encontrou a Dilma como uma simples dona de casa. Ainda com os móveis desarrumados e a casa em desalinho, em nada parecia aquela Dilma chique que vivia para cima e pra baixo no avião presidencial visitando chefes de Estado e às vezes desviando a aeronave para saborear um bacalhau em Lisboa. No meio da conversa, a Dilma ofereceu-lhe um café. Por falta de mesa, as xícaras ficaram sobre uma cadeira. Ela falou que ainda pedala e mostrou os punhos doloridos pelo exercício continuado.

Disse que sai pouco de casa. E quando isso acontece visita o ex-marido e alguns amigos antigos. Não é de badalação e, neste momento, nem de conversas políticas. A conversa descontraída entre os dois em nenhum momento é quebrada por perguntas inconvenientes, tipo: a senhora não teme a Lava Jato? Acha que vai escapar de depor na Polícia Federal, depois da descoberta do caixa dois na sua campanha? Não, nada disso. A pauta do jornal era essa mesmo: uma matéria com a Dilma para mostrar como vive a ex-presidente depois do impeachment. E o repórter a cumpriu com competência.

Esquecimento

É assim que acontece no Brasil. Esquece-se os malfeitos rapidamente e procura-se recuperar a imagem, em pouco tempo, de personagens que fizeram mal ao povo, a exemplo da Dilma. Se não fosse o juiz Sérgio Moro nada disso estaria ocorrendo. Ninguém estaria na cadeia pelo assalto às empresas públicas porque, pelo último levantamento, a média de tempo no STF para se processar um político é de 18 anos. É, isso mesmo o que você leu: 18 anos é o que demora para o STF processar um político.

Procurado

Veja o exemplo do Maluf. Procurado em mais de 100 países por corrupção é deputado federal e até agora não foi condenado em nenhum de seus processos, mesmo com as suas contas descobertas no exterior e uma parte do dinheiro devolvido aos cofres da Prefeitura de São Paulo. Os processos da Lava Jato que apuram os crimes dos políticos estão na gaveta dos ministros. Parecem uma chaleira quente, ninguém quer botar a mão. É assim que caminha a Justiça brasileira: a passos lentos como um paquiderme a caminho do cemitério.

Passo em falso

Depois da derrota do Ciço, os políticos alagoanos tendem a se reagrupar. Mas uma coisa é certa: os Calheiros vão estar bem distante dos Palmeiras. Bem distante a julgar pelas farpas distribuídas entre Renan e Rui, depois de abertas as urnas e sagrar Rui como prefeito reeleito.

Pesado

Tanto Rui como Renan jogaram pesado. Renan foi buscar histórias antigas do prefeito para confrontá-lo, procurando tirar dele a máscara de bom moço. E o Rui, no embate, tentou imprimir em Renan a marca do coronel. E para onde vai tudo isso? Em 2018, a certeza é que eles não estarão juntos em nada. Mas como em política nada se sabe, ninguém pode apostar o que vai ocorrer lá na frente.

Candidatos

Uma coisa, porém, já se pode perguntar: como vão ficar as candidaturas ao Senado? Pelo menos três, neste momento, vão disputar. Renan e Biu tentam a reeleição e Téo procura voltar ao Senado depois de oito no governo do Estado. Outros nomes, porém, podem aparecer. Um deles é do ministro Maurício Quintela que, à frente do Ministério dos Transportes tende a se fortalecer numa candidatura majoritária.

Ciço, e agora?

O Ciço, sem dúvida, foi o cara que mexeu com as eleições para 2018. Ele próprio pode não voltar à Câmara dos Deputados. Até já declarou que o caminho mais cômodo é o da Assembleia Legislativa. Mas a sua candidatura a prefeito de Maceió não deixou um bom legado para os Calheiros que vão tentar fazer a reengenharia política para daqui a dois anos. O momento agora é de juntar os cacos para recomeçar a refazer o espelho político com mão de artesão. E o político – que vive de política – sabe, como ninguém, refazer isso muito bem. Sem o Ciço, claro.  

Dobradinha

Neste momento é difícil saber se a dobradinha Renan/Téo, de tanto sucesso em outras campanhas, voltará a acontecer na eleição para o Senado, já que desta vez Biu de Lira esteve à frente da campanha de Rui Palmeira como aliado dos tucanos, desfilando em carros abertos e visitando os bairros de Maceió com o Rui e o Téo. Uma coisa é certa. Um desses três nomes: Renan, Téo e Biu não volta ao Senado Federal. Faça suas apostas.


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