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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 896 / 2016

08/11/2016 - 07:21:39

O grito do desencanto

CLÁUDIO VIEIRA

O fenômeno é nacional. Aqui, todavia, interessa-nos a sua manifestação em nosso município. 

As eleições de 2012 registraram, em Maceió, um índice de 21,07% de votos em brancos, nulos, e de abstenções. Este ano, os índices subiram para 29,59%, no primeiro turno, e 33.46% no segundo turno, bem próximo do percentual obtido pelo candidato derrotado.

O que significa tal desprezo do eleitor maceioense pelo seu direito-dever de escolher aqueles que irão gerir a coisa pública durante os próximos quatro anos? Esta pergunta deveria preocupar os políticos, aqueles que foram eleitos, os que não o foram e, afinal, todos os demais, mesmo que não tenham participado do pleito recente. O fenômeno é resultante de mais do que eventual falta de opções para uma boa parte do eleitorado; ou de mera reprovação a uma campanha que privilegiou a difamação, os ataques pessoais, a demagogia, o populismo inconsequente. Tão alta recusa em votar ou em escolher um candidato é, a meu ver, uma manifestação de descontentamento com a classe política.

O fato é que vivemos uma crise representação. O protagonismo dos órgãos de combate à criminalidade, e da Justiça brasileira, expondo as mazelas e os malfeitos dos políticos e de seus apaniguados, tem despertado o cidadão para um fato altamente preocupante: somos governados, salvo raríssimas exceções, por uma caterva de bandoleiros da política. Faltam-nos, por outro lado, líderes verdadeiros, políticos que dignifiquem a atividade política, outrora sublimada como o caminho certo para a produção do bem-estar da sociedade humana.

Fora aqueles que fizeram questão de manifestar a sua descrençana política, e dos políticos nada esperam de bom, há aqueles outros - ainda maioria, graças a Deus – que creem na existência de mulheres e homens capazes de agirem com honra, honestidade e benevolência no exercício da governança. Foram esses eleitores que reconduziram, por ampla maioria, o prefeito, considerando-o o melhor qualificado para administrar o município de Maceió, apto a realizar um governo sério, honesto, voltado para os munícipes e suas inúmeras demandas. Sobre ser a reeleição de Rui Palmeira um reconhecimento ao seu trabalho nos últimos quatro anos, é também um voto de confiança no futuro, nas promessas de uma administração voltada para os interesses maiores de Maceió. Quem sabe então o grito de desencanto daqueles que de alguma forma não participaram da escolha transforme-se em reavivamento da crença nos homens públicos? Quem sabe então em uma eleição sem abstenções significativas, reduzidos os votos em brancos e nulos, possamos extirpar a banda malsã da política? Diante da crise moral por que passa a política nacional, o prefeito eleito tem também a responsabilidade na limpeza ética.

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