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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 896 / 2016

08/11/2016 - 07:19:55

Foi ligado o sinal de alerta

Jorge Morais

O Brasil eleitoral viu, domingo, 30, com quantos paus se faz uma canoa. Ou melhor, conseguiu fazer com que a classe política entendesse que não existe mais ninguém besta, quando o assunto é sair de casa para votar. O próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, se mostrou preocupado com os resultados, especialmente o altíssimo número de votos em branco, votos nulos e a abstenção.

No segundo turno, mais de 10 milhões de eleitores, só em 57 cidades, resolveram trocar o dia da obrigação do voto, o direito sagrado de comparecer aos locais de votação por um momento de confraternização, de praia, de lazer junto à família. Para esses eleitores tanto faz como tanto fez votar ou não. Depois, com o pagamento de uma multa irrisória, e que chega a ser ridícula, o cidadão vai ao Cartório Eleitoral, justifica a ausência e tudo certo. Voto nulo ou branco é um claro sinal de protesto.

E esse eleitor só vai fazer isso para não ficar impedido de participar de concursos públicos e outras benesses conquistadas ao longo da vida, como poder negociar (vender) a órgãos públicos, contrair empréstimos em instituições financeiras governamentais, assumir cargos de relevância no primeiro escalão da máquina de governo, entre outros momentos importantes.

Em Maceió não foi diferente. Cerca de 115.787 pessoas não foram votar, o que representa 19,96% do eleitorado. Somados a abstenção com os votos nulos (48.990) e brancos (16.665), ultrapassaram com 181.442 a votação do segundo colocado, Cícero Almeida, que recebeu 159.542 votos. Mas como nulo e branco também atingem o prefeito reeleito, Rui Palmeira, passa a ser, pelo menos, um consolo para a votação recebida por Almeida.

Além do protesto da abstenção, dos votos nulo e branco, o que mais interferiu nessas eleições de Maceió? A baixaria, poucas propostas e perda de tempo com denúncias que só aparecem em época de campanha no Guia Eleitoral e nas inserções das programações de rádio e TV. Se você ouve as entrevistas de Rui Palmeira, quem começou tudo foi Cícero Almeida. Do outro lado, a mesma coisa: a acusação recai sobre Rui Palmeira. Verdade, verdade, esse estilo de campanha não faz parte da história e nem do comportamento que a gente conhece dos dois candidatos. 

De uma coisa tenho absoluta certeza: Cícero Almeida perdeu tempo com essas coisas, enquanto Rui Palmeira pisou no acelerador e jogou poeira na cara do Ciço que, por incrível que pareça, teve uma atuação razoável no primeiro turno em matéria de proposta, quando aproveitou mais os seus espaços para mostrar o que fez, agredindo menos seus adversários.

Sem interferir em nada, Cícero Almeida teve sua equipe de marketing trocada, o que terminou aumentando a vantagem de Rui Palmeira, que ganhou sucessivos direitos de respostas na reta final, saiu como vítima de todo esse processo e se apresentou mais leve, sorridente - coisa que não demonstrou no primeiro turno - transferindo o ódio para seu adversário que embarcou numa situação pouco compreendida e aceitável da parte do eleitor. Almeida, em muitos momentos, deixou de ser o principal personagem para se transformar em um coadjuvante sem muita expressão.

Sem uma participação decisiva de seu grupo político, com a ausência do senador Renan Calheiros em seu palanque desde o primeiro turno, com o esfriamento dos aliados e o claro e definitivo afastamento do governador Renan Filho, Almeida passaria mais dois ou três meses de campanha e não reverteria o quadro do jeito que as coisas foram conduzidas. Sem a palavra e a decisão final, que cabem ao candidato, provavelmente a vantagem, com mais tempo, reforçaria a campanha de Rui Palmeira.

De uma coisa também tenho absoluta certeza: começou a campanha de 2018 e, para a próxima vez, a moleza acabou, mesmo reconhecendo que o governador Renan Filho, que faz um bom governo, larga na frente, como aconteceu, agora, com Rui Palmeira.

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